CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

NOSSO MUNDO

Escrevi esta coluna sobre o participante da maratona de Boston que perdeu o filho na linha de chegada. Sobre o menino de oito anos que morreu segundos após abraçar o pai. Sobre a menina, sua irmã, que perdeu uma perna na explosão. Sobre a mãe deles, que sofreu sérios ferimentos na cabeça.

Escrevi o texto na terça-feira, antes da revelação de que o sujeito que, agora, tenta encontrar forças para entender o que há de errado com este mundo, não correu a prova. Ele e sua família eram espectadores. Não houve abraço na linha de chegada, se é que isso muda algo.

Eu tinha enviado o texto para meu melhor amigo, que corre maratonas e tem filhos pequenos. O sujeito envolvido nessa tragédia indescritível é como nós: pais de crianças de oito anos, apaixonados por esportes. Eu disse a ele que a história não era mais aquela, que escreveria sobre outro assunto. Meu amigo me convenceu a insistir. A história é diferente mas não é menos triste.

Você pode pensar que foi algo hediondo, sim, mas que se passou longe daqui. Este não é o nosso mundo. Errado. Os dois principais eventos esportivos que existem estão chegando. Teremos de lidar com esse tipo de preocupação e teremos de ser competentes.

Mas você erra, acima de tudo, ao não perceber o que uma maratona como a de Boston significa. É um encontro de pessoas do mundo inteiro, um ambiente de camaradagem, conquista de objetivos e celebração. Havia muitos brasileiros na prova deste ano, talvez até alguém que você conheça. Talvez você goste de maratonas e seja pai de um menino de oito anos. Talvez você tenha ficado tão indignado com essa barbaridade quanto eu.

O mundo pós-11/9 sempre me atingiu pelas medidas de segurança que consomem tempo, paciência e mais um pouco de nossa liberdade. O que houve na segunda-feira em Boston me acertou de outra maneira. Foi num evento esportivo que eu poderia estar cobrindo. Ou assistindo, com minha mulher e filhas.

O menino tinha oito anos.

FRACOS

Mais do que a exposição da guerra entre entidades que deveriam negociar unidas, a revelação verdadeiramente interessante da entrevista de Alexandre Kalil ao programa Bola da Vez, da Espn Brasil, foi a maneira como a CBF atua para enfraquecer os clubes. Diante da mínima possibilidade de entendimento, Ricardo Teixeira operou para implodir o Clube dos 13 e manter as coisas como sempre foram. Os clubes são dependentes porque querem.

MOFO

Enquanto isso, a CBF, sob velha direção, compra salas superfaturadas para sua nova sede e distribui mesadas para as federações estaduais. O modelo de falta de gestão do futebol brasileiro é baseado, de cima para baixo, na troca de gentilezas por apoio. Insatisfeitos bradam na rua e calam na sala, após os agrados que garantem a manutenção dos próprios feudos, onde agem da mesma forma. Será assim enquanto a mentalidade não mudar.



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