NOTAS DO MORUMBI



Começou ontem, no Morumbi, o encontro de oitavas de final da Copa Libertadores entre São Paulo e Atlético Mineiro.

O time da casa entendeu assim. O visitante, não.

Notas:

1 – Da mesma forma que se costuma confundir raça com violência, enxerga-se vontade onde há intensidade. O volume de esforço é o único aspecto de um jogo de futebol que está inteiramente sob controle dos jogadores. É obrigação, não qualidade.

2 – E é uma obrigação distinta para cada jogador. Volantes marcadores, por exemplo, têm seu desempenho dependente de entrega física. Não é tudo, mas é essencial. Jogadores como Ganso (mais sobre ele adiante), por outro lado, precisam estar em sincronia com o jogo, com memória livre no HD para fazer o time rodar.

3 – Ser esforçado, apenas, não é uma boa definição para uma equipe. Indica níveis técnicos insuficientes. Intensidade é algo completamente diferente.

4 – O São Paulo foi intenso ontem. Como ainda não tinha sido em 2013. Intenso na maneira como encarou o jogo, como se alimentou do ambiente criado pelo torcedor, como transferiu concentração e atuação para ser melhor do que o adversário.

5 – Ganso. Estava claro que a vitória dependia de sua contribuição em maior escala do que vimos até agora. Foi intenso, também. Mas a seu modo, com maior frequência de aparições, com os recados dados a seu time – e ao oponente – cada vez que tocou na bola.

6 – O pedigree de um jogador diferente se percebe em lances como o do segundo gol. Domínio com pensamento à frente, noção espacial avançada, passe.

7 – Osvaldo. Bate-estaca no primeiro tempo, moto-serra no segundo. Questão de ajuste, mérito de Ney Franco. O passe para Aloísio foi o momento transformador do jogo.

8 – O Atlético foi a própria antítese. Faltou tudo. Flácido, permissivo, indiferente. Pareceu levar o jogo como um exercício não obrigatório, um simulado inconveniente. Se fez isso, cometeu um erro.

9 – Tardelli. Ausência sentida, especialmente num jogo em que a saída rápida seria uma opção evidente. Jogaria se fosse uma partida eliminatória? Se sim, a decisão de não utilizá-lo foi o primeiro equívoco.

10 – A oportunidade do Atlético era clara: três jogos para eliminar o São Paulo, com a chance dourada de fazê-lo em apenas um, e com o benefício do empate. Era a única forma de não conviver com as dúvidas e os problemas que hoje se apresentam. Era decisão.

11 – O confronto se repetirá em mais dois jogos. Esta quarta-feira foi didática: para o São Paulo, uma visão do caminho. Para o Atlético, um aviso preocupante.

13 – O que vimos teve pouco a ver com raça ou falta dela. Futebol é muito mais.



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