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Borussia Dortmund e Real Madrid são semifinalistas da Liga dos Campeões, como se esperava.

Mas os jogos desta terça desafiaram tudo o que se imaginava.

Voltando à semana passada, lembro de um tweet que apareceu na minha timeline. Era uma refereência a uma declaração de Altintop, prometendo que o Galatasaray atacaria o Real Madrid no Bernabéu.

“Hamit, meu camarada, juro que essa não é a melhor maneira para vencer o Madrid”, dizia a mensagem.

Depois do que aconteceu nesta terça em Istambul (Galatasaray 3 x 2 Real Madrid), os turcos estão condenados a lamentar eternamente a postura inocente que tiveram no jogo de ida.

É inacreditável que, mesmo com a quantidade insana de informações que se tem hoje, um time se proponha a negar tudo o que sabidamente funciona contra um determinado adversário. É como o paciente que resolve desobedecer as ordens do médico, porque “acha” que tem um jeito melhor de se curar.

Foi o que o Galatasaray fez.

O manual manda entregar ao Madrid a obrigação de construir o resultado. O Galatasaray quis cantar de galo fora de casa.

O manual ordena uma vigilância impiedosa sobre Xabi Alonso. Alonso jogou livre (e Ozil também).

O manual exige marcação solidária e abnegada. O Galatasaray não marcou.

Os 3 x 0 amplamente merecidos deixaram o Madrid em situação confortável para a volta, tantos eram os resultados que serviam à classificação dos espanhóis.

Cristiano Ronaldo, impedido, fez o primeiro gol do jogo no Ali Sami Yen, e tudo ficou ainda mais complicado para o time da casa.

Até que veio o segundo tempo, o empate com Eboué e uma pintura de gol de Sneijder.

A maneira como o holandês se colocou em posição de receber a bola, o domínio já driblando a marcação e preparando a conclusão precisa. Coisa de quem já tinha toda a jogada preparada antes de a bola chegar.

Quando Drogba fez um ridículo gol de letra, 3 x 1, faltavam menos de 20 minutos para o fim. O Madrid ainda tinha uma boa margem de segurança e o contra-ataque à disposição.

Ronaldo, exímio finalizador, fez mais um para esfriar o caldeirão turco.

Claro, um jogo condiciona o outro. Se o Galatasaray perdesse de pouco ou empatasse na ida, por exemplo, a escalação e o comportamento do Real Madrid seriam diferentes.

Mas não se pode iniciar uma eliminatória levando 3 x 0. Milagres à parte, o que sobra, no máximo, é respeito.

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Para o Málaga, o mundo começou a ruir exatamente no momento em que o chão parecia mais firme.

Ou, talvez, quando os jogadores deixaram de sentir o chão.

Até o octagésimo-segundo minuto do jogo em Dortmund, o time espanhol não lembrou em nada uma equipe estreante na Liga dos Campeões.

Ao contrário, exibiu a inteligência e a compostura de um veterano europeu.

Fazia uma partida ousada em um dos ambientes mais malucos que o futebol já produziu, com todos os ingredientes necessários: marcação, coragem e jogo.

Saiu na frente relativamente cedo (25′), sofreu o empate antes do intervalo e, em absolutamente nenhum momento do segundo tempo, entrou em modo de manutenção de resultado.

O Málaga sabia que a direção a seguir era a oposta. Jogou para a frente, esforçou-se em manter a bola distante do próprio gol.

E aos 37 minutos, tocou o céu.

Gol irregular, diga-se (para delírio de Michel Platini), pois Eliseu estava impedido.

Contam os que estiveram nesta terça-feira no Signal Iduna Park – um dia que não esquecerão – que o silêncio que se apropriou do estádio logo depois do segundo gol do Málaga foi assustador.

O fim do jogo se aproximava e a multidão de alemães sabia fazer as contas.

O 1 x 2 classificava o Málaga e mesmo que uma pressão no final gerasse o empate, o efeito prático seria o mesmo.

Como é possível tudo mudar em tão pouco tempo?

A arbitragem parou de controlar o jogo, como reclamou o técnico Manuel Pellegrini?

Talvez.

Os jogadores do Málaga, por um instante, se permitiram o pensamento de que a vaga estava sacramentada?

Talvez.

As duas coisas?

Possivelmente.

Fato é que Reus empatou já nos acréscimos. E num lance que teve múltiplos impedimentos (os 4 jogadores alemães estão adiantados no lançamento da bola para a área), Felipe Santana deu ao velho Westfalenstadion um dos grandes momentos de sua história.

3 x 2.

O Dortmund segue, certo de que ficou ainda mais forte.

O Málaga, dono de uma campanha orgulhosa, se vê na situação mais cruel que o esporte proporciona: a derrota que se materializa quando a vitória já é palpável.

E a pergunta que não vai embora: o que aconteceu?



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