CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!

VÁ AO JOGO, BOBO

Se há uma certeza em relação ao que a Copa do Mundo de 2014 deixará para o país, é o nível dos estádios que estarão à disposição – onde houver futebol para ocupá-los, claro – dos clubes e torcedores brasileiros.

Se há uma decisão a ser tomada em relação a eles, é sobre o tipo de experiência que os clubes oferecerão aos torcedores que forem aos jogos, depois que a Copa acabar. Podemos adequar o tratamento ao público que frequentará estádios de primeiro mundo, ou manter o serviço porco que conhecemos bem.

A Justiça de Minas Gerais externou sua visão sobre o tema, em sentença proferida pelo juiz Sergio Castro da Cunha Peixoto, no começo da semana. Ao negar ressarcimento e indenização por danos morais a um torcedor que foi à inauguração do Mineirão, o magistrado escreveu que “ninguém frequenta um estádio de futebol em busca de alimentação ou conforto, mas da emoção de presenciar ao vivo e junto a inúmeros outros torcedores a partida do time de futebol da sua preferência”.

Quase 53 mil pessoas foram à reinauguração do Mineirão, em 3 de fevereiro. De modo geral, não havia comida ou bebida disponíveis, pois os bares estavam fechados. Não se pôde ir ao banheiros, especialmente as mulheres, porque não havia água ou papel higiênico.

Quem frequenta os estádios brasileiros sabe que tais privações não são incomuns. O que não significa que esteja certo. Ademais, é assustador que um estádio reformado para o Mundial seja reaberto de forma tão despreparada. É ainda mais assustador que o torcedor que buscou amparo legal tenha sido tratado como um tolo.

O juiz Peixoto ponderou em sua decisão que o Mineirão foi reinaugurado às pressas, por questões políticas. De modo que os apuros a que o público foi submetido eram previsíveis. E que o Cruzeiro e a Minas Arena, organizadores do jogo, cumpriram a obrigação contratual de realizá-lo.

As mensagens da sentença são as piores possíveis. Que sejam devidamente reformadas em instâncias superiores.

PLUMA

O passe de Daniel Alves para Messi, no lance do primeiro gol do Barcelona contra o PSG, é dessas jogadas de máquina do tempo. Visão, técnica e estilo reunidos num instante que nos remete aos dias em que o jogo se movia em outra rotação e os jogadores tinham liberdade para pensar. Um toque com o lado externo do pé, por cima da defesa que saía da área, com destino milimétrico. O que um dia se chamou de futebol brasileiro.

COPA

Começou a Copa do Brasil 2013. Com portas abertas, finalmente, aos clubes que disputam a Libertadores. O que interessa é como o torneio vai terminar, no final do ano. Poderemos ter grandes clubes envolvidos tanto na disputa do título dos pontos corridos quanto na do título do mata-mata. E ambos os sistemas serão contemplados. A recuperação do valor da Copa do Brasil é fundamental para quem quer ver grandes finais.



  • Emerson Cruz

    Lamentável decisão do referido juiz. Espero que além de ser “reformada por instâncias superiores”esta decisão não abra precedentes em futuras ações que possam ser movidas contra responsáveis por estádios, pois o cenário que se apresenta é de que estas novas e caras arenas, serão entregues na mesma situação em que foram o Mineirão, Castelão e a Arena Grêmio. Isto é, apressadamente e sem plenas condições para receber grande público, inauguradas apenas para satisfazer sabe-se lá quem.

  • Dyl Blanco

    A nossa imprensa esportiva é o setor que mais se desenvolveu neste complexo mundo do futebol brasileiro. Tem proporcionado a todos uma exposição de fatos e situações que nos permitem avaliar e cobrar mudanças onde se fizer necessário. Tem igualmente mostrado o patamar em que nos encontramos em relação aos centros mais desenvolvidos administrativamente, e com isso nos faz sonhar com mudanças. Temos a melhor matéria prima disponível em abundância (os jogadores), estamos concluindo estruturas físicas que, apesar de custeadas pelo povo a preços exorbitantes, poderão ser equiparadas aos equipamentos mais modernos do mundo, ou seja, a base para o salto de qualidade está pronta. Mas falta o elemento catalizador, que dará força a vontade de mudança, a realização do sonho. E tenho dito em muitas tribunas que esse elemento é a mídia esportiva, que tem a capacidade de canalizar recursos financeiros que viabilizem mudanças tão estruturais, que pode tornar legítima a ruptura de compromissos assumidos por quem não tem representatividade, que pode nos devolver nossa alegria. Sei que tal intervenção extrapola e muito as atribuições da mídia mas sei também que essa intervenção se iguala a operações de guerra. E na guerra a palavra de ordem é superação. Parabéns pelo trabalho realizado até aqui.

  • Silvio

    Prezado jornalista:

    Tenho notado uma impressionante falta de noticias aqui no sul (RS) sobre a cobertura do estádio Beira-Rio. As datas aprazadas para o inicio da colocação das estruturas era final do ano passado. Tal previsão não se confirmou, sendo instalada a primeira estrutura (num total de 136) dia 22/03, e parou por ai. Impressionante foi o erro grotesco de subdimensionamento do peso da estrutura (25 toneladas), tendo que ser chamado um segundo guindaste maior, já que o primeiro que lá estava não tinha capacidade. Uma observação: diferente de todas as outras obras de cobertura dos estádios da copa, o do BRio tem previsão de colocação das estruturas PELO LADO DE FORA DA ESTÁDIO. O que se pergunta é se existe guindaste com esta capacidade, já que todos os outros estádios posicionaram o guindaste DENTRO do estádio. Saliento que o sistema de drenagem e o gramado já foram finalizados. Outra observação: a empresa que está fabricando a estrutura é a mesma que fabricou a estrutura defeituosa do Engenhão. Repito, existe um silencio assustador aqui sobre este assunto, ninguém da imprensa comenta. O que está acontecendo ??

  • RENATO77

    Nosso judiciário…
    Vejam alguns trechos da decisão do Juiz e tirem suas conclusões…

    “A participação da CEF no referido negócio, cedendo patrocínio em cifras nunca antes alcançadas por qualquer outra agremiação esportiva nacional, enseja, ao fim, lesão à própria boa-fé esportiva do torcedor brasileiro, porquanto, à guisa de propiciar divulgação de sua marca, entrega montante ao clube capaz de desequilibrar em seu favor a competitividade dos campeonatos em que este é participante.

    Repise-se: a injeção de recursos operada pela CEF no Esporte Clube Corinthians é capaz de alterar em seu favor as regras de equilíbrio dos campeonatos estadual e nacional, eis que se trata de agremiação já altamente profissionalizada e, diz-se, capitalizada, e que já conta em seu time com os principais jogadores do país.

    De acordo com reportagem da rádio CBN (áudio disponível no endereço:http://cbn.globoradio.globo.com/editorias/esportes/2012/12/22/ORCAMENTO-DO-CORINTHIANS-PARA-2013-E-O-TRIPLO-DOS-RIVAIS.htm), a receita do Corinthians para 2013 está orçada em cerca de 300 milhões de reais, a maior receita advinda dos direitos de televisionamento (em torno de 105 milhões), seguida por patrocínios diversos, dentre eles destacando-se material esportivo (Nike, 22 milhões). A CEF, como visto, propõe ao Corinthians patrocínio anual de 30 milhões de reais, ou seja, exatos 10% (dez por cento) da receita prevista, valor, pois, relevante e capaz de ampliar em favor deste clube a vantagem econômica que já possui em relação às demais agremiações locais e nacionais que com ele disputam os certames do país. A reportagem afirma que ‘o orçamento do Corinthians para 2013 é o triplo dos rivais’.

    A situação aqui, é diversa daquela em que a CEF, como fez em Santa Catarina, dispensou patrocínio às agremiações locais (clubes Avaí e Figueirense). Lá se respeitaram as condições de equilíbrio local, patrocinando-se os clubes mais relevantes do Estado e pois, evitando-se o sectarismo do patrocínio a apenas uma única agremiação regional, caso em que a publicidade pretendida acaba por tornar-se negativa, eis que frustra o torcedor do time não contemplado. Esta é a política trilhada, por exemplo, por General Motors, Tramontina e Banrisul, que patrocinam, ou patrocinaram, ambas as agremiações gaúchas de relevância nacional (Grêmio e Internacional).

    A CEF fez o mesmo em São Paulo? Está patrocinando as demais agremiações da cidade ou do Estado? Santos, São Paulo, Palmeiras, Portuguesa, Ponte Preta, Guarani, dentre outras, receberam ou recebem o mesmo cheque? Não, o que certamente provoca o sentimento sectário, de desilusão com a instituição antes aludida e que é evitado pela estratégia do patrocínio coletivo.
    …..
    Por derradeiro, em que pese não haver nos autos prova da alegada inidoneidade econômica dos requeridos, entendo que a ilegalidade do ato leva a pressupor a lesividade ao erário, o que entendo suficiente para caracterizar o periculum in mora e justificar o deferimento da liminar pleiteada.
    ….
    Para mim fica claro que o medo em ver o Corinthians “engolindo” os timinhos do RS, por exemplo, levou o Juiz a deferir a liminar neste sentido.
    Torcedor de toga é uma m…
    Abraço.

  • RENATO77

    Para provar que decisões “de justiça” são muitas vezes influenciadas por motivações menores, inerentes do ser humano que as toma, reproduzo um caso verídico, que ocorreu no estado do Rio de Janeiro, em Cachoeiras de Macacu, próximo a Nova Friburgo. Trata-se de ação de um vascaíno contra a Sky, por falhas no serviço. Leiam com atenção e não caiam para trás se
    forem capazes:

    “Evidente a falha do serviço da ré. O dano moral reside no fato de que o autor teve suas expectativas frustradas, perdeu tempo e se indignou. É bem verdade que sua pretensão seria assistir os jogos do Vasco da Gama, o que de certa forma atenua a proporção do dano, pois não é possível comparar a frustração de não poder ver um jogo de times que já frequentaram a segunda ou terceira divisão com aqueles que nunca estiveram nestes submundos. Desta forma, o dano moral deve levar em consideração tais fatos. Exemplificando, se fosse o Fluminense, por ter jogado a terceira, valor ínfimo, o Vasco e Botafogo, por terem jogado a segundona, um pouco maior, já o glorioso Clube Regatas do Flamengo, que jamais frequentou ou frequentará tais submundos, o dano seria expressivo. No caso do autor, por estar até a presente sem o serviço, entendo razoável a quantia 2000,00 (dois mil reais). Isto posto, JULGO PROCEDENTE EM PARTE O PEDIDO e condeno o (a) réu (ré) a pagar ao (a) autor (autora), a título de dano moral, a quantia de R$ 2000,00 (dois mil reais) corrigidos e acrescidos de juros desta até o efetivo pagamento.”

    http://g1.globo.com/rj/serra-lagos-norte/noticia/2012/10/justificativa-de-juiz-flamenguista-em-acao-de-vascaino-gera-polemica.html

    Isso é para mostrar que convivemos com a injustiça, e quando achamos que a justiça ocorreu, a mesma pode estar contaminada, pois decorreu do julgamento de um ser humano, muitas vezes demente, como o caso acima e no nosso.

    Pelo menos o caso do juiz flamenguista foi engraçado. O desse gaúcho imbecil nem isso.
    Abraço.

    • Felipe Lima

      Tá de brincadeira???

      Depois não querem que levemos os homens de toga à sério…

  • Nilton

    Lembro que depois do jogo Barça 4 X 0 Milan, eu comentei por aqui que o único jogador que não jogou no mesmo nível do Barça de 2011, era o Daniel, depois deste lance fica claro que o mesmo ainda tem capacidade de jogar como em 2011.

    Com relação aos estádios, eles seguem as mesmas rotinas de tanta outras obras publicas com exceção de que estas tem data para ficar prontas.

  • João

    Oi Andre,

    Vc não vai colocar os vídeos e comentários da rodada de quarta da UCL?

    Abs,
    João

  • Francisco Jose Muniz

    André, você sabe se existe algum levantamento de quantas assistências o Daniel Alves já fez para o Messi?

  • Thiago

    Desculpe,sei que o assunto nada tem a ver com o post,mas minha indignação quando li a matéria (se é que ela é verdadeira) foi tanta que não podia deixar de mostrar isso.

    http://www.lancenet.com.br/minuto/Forca-Jovem-Carlos-Alberto-alcoolizado_0_895710627.html

    Até quando jogadores que tem essas atitudes terão mercado? Mais do que falta de comprometimento com a profissão,que exige um corpo comprometido com o trabalho,há também a falta de respeito para com a instituição. O jogador disse que “está a nove meses sem receber salário!”. Por muito menos que isso ele abandonou o Botafogo. Claro que todo funcionário de qualquer órgão tem todo o direito de sair e se divertir,mas a resposta do pseudo-atleta mostra muito bem a falta de comprometimento dele com o clube,os companheiros e a instituição.

    Podia dizer aqui inúmeras falhas na carreira do jogador,até mesmo as mais recentes (Grêmio e Bahia),mas a reportagem mostra tão bem o que é o jogador que qualquer comentário pregresso será desnecessário.

    Desculpe usar o espaço para isso,mas não vi outro jeito de mostrar minha indignação.

  • Joao CWB

    Rapaaazzzzz, há quanto tempo eu não frequentava esse blog!!!!!!

    Só te digo uma coisa caro André: Após a Copa, a Arena da Baixada será um dos estádios mais rentáveis do país.

    Sei que sou suspeito para falar, mas será uma realidade.

    Abraço

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