COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

FOCO

Peço licença a Tostão, sábio deste ofício, para publicar aqui o último parágrafo de sua coluna na edição de ontem da Folha de S. Paulo:

“O maior compromisso de um grande talento, em qualquer atividade, é com sua arte, com sua paixão. Não é com o sucesso, a fama e o dinheiro. Por isso e para evoluir, o craque precisa se dedicar bastante à sua técnica, além de atuar ao lado e contra os melhores atletas e times. Imagine se Messi jogasse em uma grande equipe da Argentina. Seria excepcional, mas não seria Messi. Seria um Neymar”.

Reiterando que as comparações entre Messi e Neymar são tarefas impossíveis, pela ausência de elementos comuns – por enquanto – em suas carreiras, e respeitando o potencial de aborrecimento do tema Neymar-deve-ou-não-deve-sair-do-Brasil, Tostão tocou num ponto essencial. Para se conhecer o verdadeiro potencial de um jogador de futebol, é necessário vê-lo em ação no ambiente em que sua companhia e concorrência sejam as melhores possíveis.

Isto não significa que Neymar jogue contra cones em gramados brasileiros. Também não tem nenhuma relação com as discrepâncias entre suas atuações pelo Santos e pela Seleção Brasileira (Messi joga na Europa e até hoje, ainda que com menor frequência, é alvo dos mesmos comentários equivocados). A questão que interessa é que o nível de exigência não é o mais alto, e a amostra que temos não é conclusiva. Não no sentido de identificar precisamente o lugar de Neymar na lista dos principais jogadores do mundo. Entre todos os cotados, ele é o único que está em outro continente.

Neymar tem suas opiniões, seus desejos e o absoluto direito de administrar sua carreira da maneira que considerar mais conveniente. Em última análise, principalmente para quem tem tantas opções como ele, nada é mais importante do que a busca pela felicidade. Não se pode deixar de valorizar, também, as decisões tomadas pelo Santos com o objetivo de criar as condições para mantê-lo no Brasil. A ideia aqui não é aconselhar um lado ou outro.

Mesmo porque a questão não é se Neymar jogará na Europa, mas quando. É o curso natural das coisas para jogadores como ele, um caminho que está traçado e parece mais lógico a cada vez que o Santos entra em campo pelo Campeonato Paulista, torneio pálido que passa a sensação de perda de tempo. Enquanto tenta se empolgar a cada semana, Neymar aguarda pela Copa das Confederações.

Um email de um jornalista inglês recentemente propiciou um debate interessante. Ele dizia que a Europa estava se apaixonando por Lucas, a cada atuação do atacante do Paris Saint Germain. É clara a diferença de talento entre Neymar e Lucas – e aqui não se faz, em nenhuma hipótese, uma crítica ao ex-são-paulino. Mas também é evidente que Lucas só tem uma pretensão na vida: ser o melhor jogador de futebol que ele puder. Entre tantos significados de “felicidade” existentes no dicionário de um futebolista, este é que Lucas escolheu. Em Paris, sua carreira já está posicionada.

Tostão, uma vez mais, está certo.



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