BOM CLÁSSICO



Pênalti? Que pênalti?

Ok, está claro que não será possível falar sobre o clássico (São Paulo 1 x 2 Corinthians: Jadson, Danilo e Pato) sem opinar sobre o fatídico lance lá pelos 30 minutos do segundo tempo.

A meu ver, o árbitro acertou.

Pato chegou antes, tocou a bola. Rogério chegou atrasado, tocou Pato. Falta.

Se me permitem, gostaria de falar sobre o jogo.

Aí vai:

1 – Jadson joga, não? Ele tem o tipo de toque que indica uma relação mais aprofundada com a bola. Tem a clareza de quem enxerga o que é invisível aos outros. Tem a habilidade e o veneno dos meias que este país deixou de produzir. A forma como ele concluiu a jogada do gol não deixou dúvidas quanto ao desfecho.

2 – Não é fácil, para time nenhum, se equilibrar depois de um gol tão cedo e equilibrar um clássico. Exige tranquilidade, confiança e paciência. O Corinthians tem essa capacidade de, lentamente, assentar-se no jogo e fazer as coisas a seu modo. Merecida igualdade logo antes do intervalo, por tudo o que se produziu no primeiro tempo.

3 – Jogo de afirmação para Emerson Sheik. Seu papel é conhecido: força, velocidade, manutenção da bola no ataque, incômodo permanente. Quando não consegue reunir tantas facetas, sua presença em campo corre perigo. Quando oferece todo o pacote, e ainda acerta uma virada de jogo como a que criou a oportunidade para Danilo, converte-se em jogador decisivo. A questão é sustentar esse tipo de atuação.

4 – Danilo. Dizer o quê? É cada vez mais difícil encontrar jogadores que utilizam o chamado “pé ruim” para tarefas mundanas como ajeitar a bola ou dar um toquinho tímido, de lado. Não sei por qual razão, é ainda mais difícil encontrar canhotos que se lembrem que possuem outro pé. Mas existe Danilo, um canhoto que domina, cruza, lança e chuta com o pé direito. E que faz um gol como aquele com o pé direito.

5 – Que boa impressão o São Paulo deixava no segundo tempo, até o pênalti. Posse, campo aberto, movimentação da bola com envolvimento coletivo. Para quem achava que Jadson e Ganso se atrapalham e atrapalham o time. Falácia. Se você tem jogadores assim, tem de dar a eles as condições de produzir. Os dois meias são-paulinos geraram o jogo que poderia construir a vitória.

6 – Nesta configuração, Luis Fabiano precisa entendê-los. Deve se colocar na última linha do adversário e se desmarcar para se transformar em opção. Um atacante perigoso e eficiente como ele é tudo o que meias inteligentes precisam. Mas a bola precisa de um destino.

7 – Notável – o que não se via há algum tempo – a noção de recomposição do Corinthians no campo de defesa. Perceptível  nos momentos em que o São Paulo acelerou a transição e deu a impressão de atacar com o mesmo número de jogadores que os defensores adversários. De um instante a outro, havia maioria de corintianos. Mérito físico, sim, mas primordialmente tático.

8 – Cada time pretendia vencer de um jeito. O São Paulo, tentando ocupar o campo de ataque. O Corinthians, chamando o oponente de olho no espaço que ele deixaria. Ambos os objetivos eram perfeitamente alcançáveis.

9 – Pato. Para um jogador com tamanho histórico de problemas musculares, a jogada do pênalti é simbólica. O arranque e a chegada antes de Rogério, que estava mais próximo da bola.

10 – O árbitro acertou, também, ao não expulsar o goleiro do São Paulo. Ele não quis fazer a falta, mas fez. Atraso na disputa de bola que termina em carga faltosa é um dos lances mais comuns que existem. Cartão vermelho não teria propósito.

11 – Um bom clássico neste insosso Campeonato Paulista, enfim. Disputado como se a Copa Libertadores não estivesse no calendário, e na semana, dos dois times envolvidos.



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