COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

CLÍMAX NAS ALTURAS

O jogo da próxima quinta-feira, em La Paz, não é decisivo para o São Paulo apenas no aspecto esportivo. Seus reflexos irão além da permanência ou não do clube na Copa Libertadores.

O cotidiano de um time de futebol desse nível é marcado pela constante obrigação de administrar temas sensíveis, de modo a evitar ou minimizar seus efeitos no desempenho em campo. Há momentos, como atualmente, em que o comando não é capaz de manter essa dinâmica abaixo da superfície, e questões tornam-se públicas. É mais provável que isso aconteça quando os resultados do time não são os desejados.

No São Paulo, o cerne do problema é o risco de eliminação na Libertadores. Essa é a situação que fez aflorar algumas contendas internas que possivelmente estariam dormentes se a classificação para as oitavas de final não estivesse a perigo. A insatisfação com – e de – Luis Fabiano, o embate entre a diretoria e alguns funcionários, os ataques à autoridade de Ney Franco e o enfraquecimento político do clube.

Luis Fabiano está triste porque se sente desprestigiado. Quando fala sobre “coisinhas que minam os jogadores”, refere-se ao que entende como supervalorização de suas indisciplinas, a um certo ciúme de sua relação com a diretoria, e à incapacidade institucional do São Paulo de atuar no caso da exagerada suspensão de quatro jogos que recebeu da Conmebol.

Em retrospecto, a noite de 7 de março é sintomática. Foi quando o São Paulo, mandante no Pacaembu, aceitou voltar ao vestiário para trocar de uniforme, pois o time argentino só havia trazido calções brancos. O gol do Arsenal foi produto de um raro (e discutível) pênalti para o visitante na Libertadores. Após o apito final, Luis Fabiano foi expulso pelo árbitro colombiano Wilmar Roldán. Esquecendo, por um instante, a incompetência do time para superar um adversário notadamente inferior, os sinais de fraqueza nos bastidores são evidentes.

Na cúpula são-paulina, há quem veja o dedo de Marco Polo Del Nero, ou a ausência dele, na amplitude da suspensão de Luis Fabiano. José Maria Marin é aliado de Juvenal Juvêncio, mas o presidente da Federação Paulista é muito mais atuante na Conmebol. Uma eventual queda na Libertadores pode precipitar um rompimento ruidoso, por iniciativa do Morumbi.

Neste caso, é improvável que Ney Franco perca o emprego. À exceção de um constrangimento devastador, a diretoria manterá o treinador que recebeu um voto de confiança nos episódios com Ganso e Lucio. Já o relacionamento com determinados funcionários do clube é instável, desde que a premiação em dinheiro pela conquista da Copa Sul-Americana foi alterada para favorecer os jogadores. A medida não foi bem aceita por quem imaginou que seria contemplado com maior generosidade.

Tudo caminha para o clímax no jogo contra o Strongest, nas alturas de La Paz. O São Paulo precisa vencer para se acalmar internamente. As imagens de Lionel Messi, o melhor jogador do mundo, vomitando no gramado no recente jogo entre Bolívia e Argentina, adicionaram tensão ao que já era preocupante.

E AGORA?

O escândalo do Engenhão repercutiu internacionalmente. A seleção italiana pretendia usar o estádio, em junho, na etapa final da preparação para a Copa das Confederações. Um amistoso contra o Taiti estava marcado para o dia 11 daquele mês. Agora os italianos precisam encontrar outro lugar.

TENSO

A seleção inglesa também está preocupada. A questão é o atraso das obras do novo Maracanã, sede do amistoso contra o Brasil, marcado para o dia 2 de junho. O jogo, parte das comemorações dos 150 anos da Associação Inglesa de Futebol, deve marcar a inauguração do estádio. Se o Maracanã não ficar pronto, o Encrencão seria a única opção. Não é mais.

INTERVALO

A interdição do Engenhão é a melhor peça de propaganda possível para os eventos que receberemos nos próximos anos. Não tem musiquinha nem slogan. É o Brasil em estado puro, sem maquiagem ou filtros.



  • Clayton

    Seria uma catástrofe a eliminação do São Paulo nesta fase, André. Certamente abalaria as estruturas do Morumbi, desencadearia uma crise que há muito não se via pelos lados do Tricolor Paulista. Deus o livre. É passar ou passar!

    • Matheus

      sorte sua que o Rodrigo ainda não deve ter lido a coluna.

  • Anna

    André, penso que o São Paulo vai superar a crise. Tb acho que o dia 7 de março foi um divisor de águas. O que aconteceu ao Engenhão foi uma vergonha, mas a interdição foi a melhor decisão, tomada pelo prefeito do Rio. Feliz Páscoa, André, para você, sua família e a todos que visitam esse espaço!

  • Mauro

    A pergunta que eu deixo no ar, é: A quem interessa esse catastrofismo exagerado, delineado nas palavras desse blogueiro?
    O que vejo atualmente, é uma má vontade extrema da imprensa, em relação ao SPFC, tentando criar tragédias gregas para o clube do Morumbi.
    O SPFC, existe desde 1935, e já ganhou tudo de importante para o futebol, seja em termos nacionais, como internacionais, e não lembro de nenhuma catastrofe haver se sucedido a alguma derrota, e foram várias ao longo da história.
    Se perder……..perdeu! A vida segue! Ninguem morrerá! O máximo que pode acontecer é o técnico ser demitido, ou algum dirigente ser substituido e um ou outro jogador ser “encostado”.
    Erros e acertos acontecem na história do ser humano na terra desde que esse planeta é habitado.
    Diferente de outras torcidas, o sampaulino, não dá a vida pelo seu clube, não se mata por ele, não doa orgãos para viajar vendo o clube e nem é louco, ou idiota.
    Torcer para um clube é aceitar derrotas e só comemorar as vitórias. Nada Mais, pois a vida é muito mais que o que acontece dentro de um gramado com 22 caras correndo atrás de uma bola. Perder faz parte!
    Quanto aos catastrofistas, sugiro que olhem para os outros clubes com olhos de jornalista isento, sem querer agradar a um ou outro para obter vantagens ou olhar sómente numeros de audiencia. Pode falar mal de todos, viu? Quem é leitor inteligente agradece e percebe quando algo é escrito para agradar alguem, ou com interesse sómente de faturar algum dinheirinho.
    Mais jornalismo e menos maledicencias, fofocas e outras idiotices, fazem bem e prolongam a vida!

    AK: Miau…

    • Thiago

      Vixe…

      P.S: Ney Franco cai. Isso ainda não aconteceu porque a diretoria não quer mudar a filosofia no meio da competição continental.

    • Rodrigo

      Um dos mimimis mais bem redigidos que eu já vi, uau!

    • Rodrigo

      Mandou bem Mauro.

    • Kendi

      Era mais fácil escrever: Tô nem aí…

      • Matheus

        boa

    • Andre Luiz

      Isso não é torcedor, não se preocupa com o clube, não deve nem sentir um frio na barriga em partidas decisivas, deve fazer parte daqueles que assistem os jogos com o celular na mão e está mais preocupado com o que comentaristas e blogueiros escrevem do que com a qualidade do time e o futebol apresentado. Mauro não fique triste, sempre haverá novelas na rede globo para lhe entreter, está claro seu gosto pela arte, música, bons vinhos e viajar pelo mundo como 99% dos sampaulinos(é assim que escreve?); são todos grandes lords ingleses com gostos refinados.

    • Matheus

      “Quem é leitor inteligente agradece e percebe quando algo é escrito para agradar alguem, ou com interesse sómente de faturar algum dinheirinho.” Não caiu a ficha ainda. pode esclarecer?
      Mas você até que escreve bem, apesar de não ser um torcedor de verdade. Os verdadeiros torcedores do São Paulo estão sim preocupados. Há uma chance real de o time cair na primeira fase. Já conseguem ouvir o barulho que os Corintianos farão em seus ouvidos.

    • Nossaaaaaaaaaaaaaaaaaa! Quanta superioridade. Sãopaulino não é louco ou idiota mas você acaba de provar o contrário meu caro com um texto sem pé nem cabeça. Realmente voces não vendem órgãos (não sei onde você arrumou essa) preferem depredar e saquear joalheria na AV. Paulista não é. Nada como ladrão fino.

    • Toninho Camargo

      saumpaulino tem cada mesmo né? Falar tudo isso pra dizer nada, fazer beicinho.
      Chorar no colo da vovó… Vcs não dão importância? E a Copa do Brasil? Agora vale? Se tivesse sido 6×0 não teria sido tão gostoso como foi ontem. Ki delicia, ver a chorando e fazendo beicinho…. kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  • Emerson Cruz

    Situação do SPFC a parte, a coluna me chamou a atenção para algo que de agora em diante estarei mais atento:marcação de penaltis para visitantes na Libertadores…
    Sobre o “Encrencão”, ainda não digeri esta vergonha, aliás não consigo digerir a vergonha é este país!

  • Marcel de Souza

    Incrível como essa questão de premiação sempre aparece. Os times não deixam isso combinado antes dos campeonatos? Se deixam, mudam a regra no meio (ou depois) do jogo? Se não mudam, mesmo combinado antes, tem gente que “não gosta” quando o objetivo é alcançado?

    A questão do Luis Fabiano também é interessante. O cara consegue ser expulso em todo jogo importante, até depois da partida, nunca fui advertido (pelo que se sabe) e ainda se sente desprestigiado? De fato deve acontecer muita coisa que ninguém vê pra tentar explicar esse clima todo no clube.

    Abraço,

  • Matheus

    Acompanhando esse episódio do Engenhoso, lembrei de uma entrevista do Fenômeno quando ainda jogava no Real. A fase era terrível, as cíticas chegavam de todos os lados, não lembro quem era o adversário, ele perdeu um pênalti e soltou uma de suas memoráveis frases: “só faltava essa”.

    AK, O Mais Gelo derreteu?

  • Marcelo Morais

    A temporada 2013 do SPFC ruiu faz tempo. Para mim, ruiu jah na pre-Libertadores, na Bolivia. Um time serio e determinado, numa competicao importante, nao toma quatro gols apos fazer tres. Mesmo jogando na altitude. Na proxima 5a feira tem altitude outra vez. Devemos ver outra derrota.

    Seriedade e determinacao faltam ao SPFC ha algum tempo. Bola pra frente. Em 2014 tem mais.

  • José Eliaz

    O São Paulo já está fora da Libertadores, não tem como ganhar na altitude e do Galo na última partida. A partir de agora, vai pagar todo o mal que tem feito ao futebol brasileiro, um clube que sempre agiu com falta de ética com os seus co-irmãos, em jogos decisivos no Morumbi os seus seguranças sempre coagiram os jogadores averssários, como ocorreu com o Botafogo em jogo decisivo na década de oitenta e não satisfeito, passou aliciar os jogadores dos adversários como ocorreu de novo com o Botafogo em 2007, que estava muito bem no campeonato e antes do confronto, se o Botafogo vencesse se isolaria na liderança o que esse mal caráter fez? Aliciou, dois jogadores assinando pré-contratos a revelia da diretoria do Botafogo e agora eles acham que podem tudo e passaram aliciar os jogadores da base dos outros clubes, isso ultrapassou o limite da irresponsabilide e virou falta de vergonha, por isso esperem esse clube cair para a segunda e terceira divisão para aprender os bons costumes.

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