CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

ENCRENCÃO

O que é desesperador em relação ao escândalo do Engenhão – mesmo no país dos escândalos semanais, este merece a qualificação – é não saber em quem acreditar.

Vejamos os envolvidos. César Maia, Sérgio Cabral, Eduardo Paes, Carlos Nuzman. Todos são políticos brasileiros e, como tais, não merecem confiança. Porque no DNA dos nossos políticos profissionais, o modo de operar é um só: utilizar o interesse público como plataforma, esquecê-lo ao chegar ao gabinete, e capitalizar. Capitalizar muito.

Alguém pode argumentar que Nuzman, presidente do COB e dos comitês organizadores do Pan 2007 e dos Jogos Olímpicos de 2016, é um dirigente esportivo. Não é. Nuzman foi um dirigente esportivo quando comandava o vôlei brasileiro. Uma vez no Comitê Olímpico, converteu-se em um político do esporte. Seu papel no escândalo é o mesmo dos outros.

É evidente que deve haver responsáveis entre as empreiteiras ligadas ao Encrencão. Odebrecht, OAS e, obviamente, a Delta. Delta do amigo do poder Fernando Cavendish, aquele do guardanapo na cabeça num restaurante parisiense, protagonista, ao lado do governador Cabral, de uma das cenas mais cafajestes da nossa recente história política. É preciso ser profissional para obter tal destaque, pois a concorrência é forte.

É necessário ter conhecimento técnico para tratar de projetos, equívocos, fissuras, riscos de desabamento. Não temos essa pretensão. Mas para falar de superfaturamento, obras apressadas, pressão política e chuva de dinheiro público durante o processo, basta ser curioso. O drama é que a curiosidade não será saciada. O plano é fazer mais este escândalo ser substituído e esquecido. Sem explicações, sem cobranças, sem culpados. Por mais que todos saibamos quem são.

O Estádio Olímpico João Havelange, nomenclatura apropriada, custou R$ 400 milhões para uma só missão: ajudar o Rio de Janeiro a ser sede das Olimpíadas. Se tudo se desintegrar menos de seis anos depois, não tem problema.

Talvez até já estivesse combinado.

A FAMÍLIA…

O FBI, polícia federal dos EUA, está investigando denúncias de corrupção na FIFA. Daryan Warner, filho mais velho do ex-presidente da Concacaf, Jack Warner, é a testemunha que trabalha com as autoridades americanas. Warner pai tem culpa no cartório e história para contar. A notícia foi divulgada ontem pela agência Reuters. Em seu site, o repórter Andrew Jennings informou que tem se comunicado com o FBI desde 2010. Vai esquentar.

… DO FUTEBOL

A investigação começou com as denúncias de suborno nas últimas eleições na FIFA. Jack Warner tentou comprar votos de dirigentes caribenhos a favor de Mohammed Bin Hammam, que planejava ser adversário de Joseph Blatter no pleito. De acordo com Jennings, a trilha de dinheiro chega à sede da FIFA, em Zurique. O FBI também está interessado no processo de escolha das sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022. A hora de Blatter pode estar próxima.



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