COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

ALTO

O vestiário do Cruzeiro no Mineirão transpirava as emoções que acompanham as grandes conquistas. Quando os repórteres entraram, perceberam o ambiente repleto do que não pode ser visto, nem descrito, apenas notado por quem tem sensibilidade.

O título da Copa Libertadores de 1997 tinha minutos de vida. Os responsáveis por ele, após a vitória por 1 x 0 sobre o Sporting Cristal, ainda não tinham real noção de seu tamanho. Colada na parede com fita crepe, uma folha de caderno preenchida com caneta de cor azul permanecia intocada, ainda que seu papel já estivesse cumprido. Eram recados de Paulo Autuori para os jogadores.

Lembretes táticos, aspectos que foram treinados e não poderiam ser esquecidos, mensagens de última hora reforçadas no momento de subir ao gramado. Mas o que mais chamou a atenção foram palavras escritas nos cantos da página, com evidentes intenções motivacionais: orgulho e coragem.

Num mundo que usa termos “boleiros”, para, de acordo com os entendidos, serem mais facilmente captados pelos jogadores, um treinador pedia orgulho e coragem em uma decisão. Foram duas as tentativas de um repórter de televisão, em início de carreira, para que Autuori falasse com mais elaboração sobre suas ideias e conceitos. No frenesi do título no vestiário lotado, ele sorriu e desconversou. Foi o primeiro contato daquele repórter com o técnico que o Vasco acaba de contratar. O suficiente para concluir que, assim como as palavras em destaque naquela folha de caderno, o sujeito que as escreveu era diferente da maioria.

“Esse mundo que gosta de técnico pop star julga a discrição de um cara como o Paulo, e isso o prejudica em algumas situações”, diz um dirigente que o conhece bem. “As pessoas têm essa mania horrível de dizer ‘ele não vibra’, em vez de observar a competência dele, como se aquilo fosse um teatro ou um circo”, completa. Obssessão de quem se imagina no direito de criticar a personalidade alheia e ignora o que realmente interessa no trabalho de um técnico de futebol.

Autuori lamentou o protagonismo que se confere aos treinadores, em sua entrevista de apresentação no Vasco. Extinguiu o linguajar “boleiro” no dia a dia e proibiu que o chamem de professor. Talvez não sejam as mudanças que a torcida deseja ouvir, mas é o método de um profissional que respeita o futebol de forma muito particular. Há os técnicos que usurpam o imponderável – que muitas vezes determina vencedores e vencidos – ao convertê-lo em mérito próprio. E há gente como Autuori, que não aceita os louros até mesmo do que se pode ponderar.

Neste aspecto, Autuori é muito parecido com Ricardo Gomes, hoje seu “chefe” no Vasco. “Não há um pingo de vaidade neles”, diz um dirigente que já trabalhou com ambos. O encontro dos dois transforma São Januário no endereço de um alto percentual do caráter existente no futebol brasileiro. Apesar da fase ruim, o Vasco está em mãos competentes. Mãos que não perdem tempo dando tapinhas nas próprias costas.

DON LEO

Messi está a dois gols de Maradona, na lista de artilheiros da seleção argentina. Com treze jogos a menos. Ainda há quem diga que Lionel deve atuações por seu país no nível das que faz por seu clube, mas esse tipo de crítica está desaparecendo. Há também os que cobram dele uma Copa do Mundo, como se Messi já não tivesse provado sua grandeza. Quando, e se, Messi ganhar uma Copa com a Argentina, provavelmente diminuirão a conquista.

MOÇA FEIA

A expulsão de ontem, no jogo entre Madureira e Botafogo, não foi a primeira da carreira de Seedorf. Ele havia sido expulso em 2006, pelo Milan, num jogo contra o Messina. Se fosse a primeira, não haveria problema algum. Problema é um jogo de futebol profissional ser realizado no estádio de Moça Bonita. Problema é um campeonato de futebol profissional ter uma arbitragem tão confusa.



  • Emerson Cruz

    Autuori terá um trabalho dificílimo, em 2013, tentar evitar que o Vasco volte a ser rebaixado no Brasileirão, trabalho que será ainda mais prejudicado por fazê-lo num clube hoje sem estrutura, que frequentemente atrasa salários, que por ser grande, provavelmente não terá uma torcida que se contente com uma classificação intermediária no principal campeonato que o clube irá disputar este ano. Tomara que eu esteja errado, mas não vejo muitas esperanças para os cruzmaltinos nesta temporada.

  • Lippi

    André, não sei se o Messi já está no mesmo patamar de Maradona e Pelé (ou se já passou – ou se irá passar), mas essa história de “ter que ganhar uma Copa” só existe pq ele é argentino. Se ele tivesse nascido, por exemplo, na Escócia, já saberiam que ele nunca ganharia uma Copa. E daí? Ainda acho que, mesmo sem ganhar nenhuma Copa, ele pode “superar” os outros em qualquer comparação no final da carreira.
    Abraço

  • Anna

    Paulo Autuori sempre foi meu técnico favorito. Nem sabia que ele torcia, no fundo, pro Vasco. Grata surpresa. Honestamente, espero que tudo dê certo e que reforços sejam contratados porque o prognóstico pro Brasileirão é sombrio…. Dá um doce alento ver Autuori e Ricardo Gomes juntos, mesmo! Perfeito, André!

  • Thiago

    Autuori é um baita treinador,tirou o Botafogo da fila em 95 com um time razoável e com a estrela de Túlio,foi campeão por Cruzeiro e São Paulo,é ídolo no Peru. Currículo pra lá de invejável. Mas o homem não é mágico. O time do Vasco,e dói dizer isso,é muito ruim,é carente de jogadores em determinadas posições,não tem um meia que pense o jogo,não encontrou um lateral direito que faça com que a torcida esqueça Fágner,os volantes não conseguem sair para o jogo,e os homens de frente sofrem com contusões. Se lhe jogadores com um mínimo de qualidade o time pode engrenar. Mas do jeito que está…sei não.

    Sobre o jogo do Botafogo,uma coisa ficou muito clara: O assistente foi avisado por um repórter,ou por outra pessoa que estava vendo o jogo pela TV,que Seedorf estava impedido na jogada que originou o pênalti. Só isso justifica ele demorar 1m38s para marcar o impedimento. Me fez lembrar o gol de Barcos pelo Palmeiras contra o Inter,que também teve interferência da TV e deu naquilo tudo. Então,qual a solução para o dilema? Oficializar ou banir?

    P.S: Quem era o repórter em começo de carreira no vestiário do Cruzeiro?

    AK: Eu. Um abraço.

    • Matheus

      Três coisas:

      01 – Autuori não é mágico, mas acredito que junto com o R.Gomes, no mínimo, dará ao pobre e coitado elenco do Vasco, um pouco mais de confiança. Mais vale um Eder Luis jogando do que Tenório e Leonardo machucados, porque C.Alberto e Bernardo não são vértices de nada.

      2 – Não será feio em nada para a carreira do Seedorf se as pessoas admitirem que, apesar da arbitragem exótica, ele errou.

      3 – Sério que você não sabia quem era o repórter? o texto “quase” deixa claro.

  • O vasco tem reunido muita gente boa, de uns anos pra cá, como o Juninho, que é um ídolo pra mim em muitos aspectos, o Rodrigo Caetano (ao que tudo indica, é com profissional), o Ricardo Gomes, e agora Renê Simões e Autuori.

    O problema é que, depois de algum tempo, estas boas pessoas se afastam, ao que parece, pela imunda administração do clube.

    Uma pena.

    Mas vamos continuar torcendo. Tomara que dessa vez seja diferente.

  • corinthiano

    O Vasco, de grão em grão, está enchendo o papo. Parabéns aos vascaínos e ao futebol brasileiro. Espero que esta “revolução” se perpetue, não dando espaço aos JJ e Euricos da vida.

  • Jean Lins

    Um time que quer se erguer ou reerguer não pode achar que a venda do seu maior Idolo hoje em atividade pode ser considerado normal, um time fraco igual ao Vasco que depois de muitos anos pensou grande e trouxe um baita de um treinador não pode colocar nas mãos desse tota a responsabilidade de um time sem ter reservas a altura, o Dedé não pode e nem poderiam cogitar sua saída no meio do ano fato que todos eu disse todos do Vasco ja estão dando como certo, Infelizmente perde o Vasco perde todos ou será que essa mesma administração ainda não se deu conta que desde a saída do Anderson Martins o Vasco nunca mais teve um zagueiro a altura para atuar ao lado do Dedé e sem o Dedé a defesa vira uma zona ? O Primeiro ponto que o Vasco deve se preocupar é com o rebaixamento temos que pensar que esse será o primeiro alerta, Autuori é um bom treinador mais não é milagreiro devemos levar isso em conta e com um elenco limitadissimo o Vasco deveria segurar o seu Idolo até o final da Copa /+/

  • Matheus

    Alguém também acha que o Seedorf errou, apesar do arbitragem bisonha, ou estou sozinho nesse barco?
    Me chamou a atenção uma declaração do Autuori na chegada: “Optei pela tradição. Hoje, quando entrei aqui, senti que não sou nada perto da grandeza do Vasco. Acreditei nas pessoas e na instituição, o Vasco é grande demais para se deixar levar por esse momento. Não considero um desafio, quero acabar com a imagem de arrogância dos treinadores. Nenhum profissional, por mais vitorioso que seja, pode se comparar a instituições”. Nada mais a declarar sobre ele. Vai dizer isso aos “pojetos”, “treinabilistas” e “trabalhadores”. Lembro quando o “trabalhador” saiu do Fluminense falando tudo e mais um pouco. Não é passar a mão na cabeça dos incompetentes, é ter a exata noção de que, apesar deles, as instituições Fluminense, Vasco, Flamengo, Corinthians, São Paulo, etc., são gigantescas. Seu tamanho não pode ser medido, pois não se mede a paixão de milhões de apaixonados, não se pode “moedificar” essa paixão (acabei de inventar esse termo, onde patenteio?. Não tem valor fixado. Podem até comprar e dizer quanto vale o patrimônio imóvel, mas aquele que se move nas arquibancadas, esse é imensurável. Jogadores e treinadores virão e passarão por todos os clubes. Alguns deles deixarão seu nome lá, outros deixarão apenas a saudade do dinheiro investido neles, mas a instituição permanecerá. Vejo alguns jornalistas que preveem que alguns clubes grandes passarão deixarão de ser chamados assim. garanto que jamais deixarão de ser. Passarão por invernos rigorosos, secas intermináveis, mas um único sopro de sua grandeza os trará de volta e os fará serem vistos como os gigantes que é são sempre foram.

    Não perco mais tempo falando dessa comparação Pelé x Messi x Maradona.São três épocas distintas, apenas nos números faz sentido olha-los juntos.
    Quanto a isso faço apenas uma observação: somos tão pachecos que nos referimos ao Messi lembrando que nunca ganhou uma Copa, mas quantos já compararam o Argentino a Neymar e este a Pelé?

  • LM_RJ

    Andre,
    qto a interdição do engenhão:
    Estranho interditar o engenhao por problemas construtivos logo agora (passados 5 anos e poucos meses de sua inauguração);

    Em primeiro lugar pq de acordo com o artigo 618 do Código Civil Brasileiro as edificações têm um período de garantia de cinco anos e, dentro desse prazo, a construtora é responsável por qualquer tipo de defeito ou vício apresentado. Ou seja o “excelentissimo” sr prefeito esperou passar o prazo onde a construtora de uma obra publica deveria refazer todos os defeitos de construção p/ botar a boca do trobone? estranho. irresponsavel. deveria o “excelentissimo” sr prefeito ser responsabilizado criminalmente isso sim

    em segundo lugar, boato que rola na net é esse:
    Interditaram o Engenhão pra pressionar Flamengo e Fluminense a aceitarem o contrato do Maracanã que estão oferecendo. (desfavoravel aos clubes e nebuloso ao extremo diga-se de passagem)

    Brasil-il-il-il

    • Ricardo Turqueti

      E de repente ficou BEM importante que chegue ao público quais seriam as condições e dados dos contratos do Maracanã oferecidos aos clubes… até onde eu sei, sendo o Maracanã público, estas informações também são, correto? Ou só, hm, tecnicamente correto mas na prática terrível de conseguir?

  • depois de ter acompanhado o (não) trabalho do Autuori no Grêmio em 2009, mudei muito meu conceito sobre ele. Já tinha achado estranho o fato de não conseguir fazer o São Paulo jogar a não ser nas finais da Libertadores em 2005, mas depois o cara sumiu, voltou, foi muito mal no Cruzeiro e sumiu logo de novo. A imagem que ele tinha, quando chegou a Porto Alegre, era ainda a do campeão do mundo de 2005 e do cara que tinha deixado uma boa imagem – e péssimos resultados – no Inter em 1999.

    pois foi essa imagem que ficou, ao final. Autuori teve tempo, dinheiro e estrutura para fazer um grande trabalho, mas acabou mudando tantas coisas em tão pouco tempo, inclusive na base tricolor, que os problemas persistiram por anos. E, logo depois, abandonou o trabalho antes de completar sete meses.

    e fala aqui um colorado, que na época comemorou todas as patacoadas deste senhor. Que o Vasco tenha melhor sorte…

  • Luiz Ribeiro

    Pena que não se pode dizer o mesmo com relação a carater, sobre o presidente do clube.

  • mauricio dias da fonseca junior

    vamos torcida que ama o vasco da gama fazer um abaixo assinado contra Roberto ,ele não pode fica no comando do vasco fora Roberto

  • mauricio dias da fonseca junior

    estar na hora limpa a casa são janoario estar muito sujo

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