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A Seleção Brasileira jamais perdeu um jogo para a Rússia.

O dado histórico explica a irritação dos russos após o empate desta segunda, em Londres.

O resultado inédito se materializava em Stamford Bridge, aos 44 minutos do segundo tempo. Até a jogada de Marcelo com Hulk, o bom passe de pé direito – direito! – e o cruzamento para Fred marcar mais um gol sob o comando de Scolari.

Placar de amistoso não costuma interessar (desde que você não jogue na seleção russa e esteja a segundos de vencer o Brasil pela primeira vez). Exceção feita a resultados altamente improváveis ou goleadas humilhantes, o que importa é o trabalho, a relação entre o que se planejou fazer e o que efetivamente se fez.

Por isso a diferença entre um empate com as luzes se apagando e uma derrota, de fato, não existe.

A análise da atuação da Seleção não deve levar em conta o placar do jogo. Quem o fizer muito provavelmente cometerá o erro de dar valor ao que não tem. O empate não significa nada.

O mesmo valeria para uma derrota casual. Se o Brasil amassasse a Rússia durante quase todo o tempo e perdesse o jogo num contra-ataque, o resultado seria uma nota de canto de página.

Por falar em amassar, foi exatamente isso que aconteceu nos primeiros 15 minutos. Só que quem aplicou a pressão foram os russos.

Os pachecóides, que não conhecem um jogador russo sequer e ainda vivem cantarolando “o brasileiro lá no estrangeiro, mostrou o futebol como é que é”, devem ter se assustado.

Mas o que se via em Londres era o encontro de um bom time europeu, em ritmo de competição, contra um grupo de jogadores brasileiros que ainda não são um time.

A Rússia disputa as eliminatórias mais difíceis do planeta para uma Copa do Mundo. A cada Mundial, seleções que deveriam jogar o torneio o assistem pela televisão, porque não há vagas suficientes.

A campanha dos russos, dirigidos por Fabio Capello, para estar no Brasil no ano que vem é impecável. E eles deveriam ter jogado na última rodada, não fosse o frio.

Já a Seleção Brasileira é um projeto em fase inicial, com um jogo na semana passada, alguns treinos e nada mais.

Essa foi a realidade exibida pelos primeiros minutos.

Quando a pressão inicial afrouxou, o Brasil se estabilizou porque é mais técnico e tem jogadores capazes de manter a posse. Neste aspecto, o desempenho do time de Scolari foi melhor do que contra a Itália.

Mas as boas notícias terminam aí. Times que ainda não existem não conseguem finalizar movimentos ofensivos, pois carecem dos automatismos necessários. A eles, restam o contra-ataque e as jogadas de bola parada.

Situação mais confortável para quem cede a posse ao adversário e recua para surpreender. Mas o Brasil tinha a bola e a necessidade de jogar, aproveitar o amistoso para se desenvolver, o que terminou por evidenciar seus defeitos.

É o que acontece com trabalhos que já começam atrasados.

A jogada do gol russo é verdadeiramente preocupante. Seis passes dentro da área brasileira e três conclusões. Camisas amarelas em modo de desespero, correndo para todos os lados, atirando-se no chão.

Nossa memória afetiva diz que o lance se deu na área errada. O futebol diz que não houve nada de anormal.

E o tempo é cada vez mais curto.



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