COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

O CARREGA-MALAS

Uma parte importante do espólio de Ricardo Teixeira na CBF deu o ar de sua graça anteontem, em Genebra. Foi um breve momento glorioso, talvez um resquício dos tempos em que a proximidade do rei alimentava a sensação de onipotência. Foi também uma manifestação de truculência, típica de banguelas que tentam mastigar biscoitos.

Talvez você já tenha ouvido falar de Alexandre da Silveira, o ex-secretário particular de Teixeira. Rápido currículo: Silveira era funcionário da empresa que fazia a manutenção do sistema de telefonia da CBF, no início da década de 90. Sua vida mudou no instante em que, enquanto consertava tomadas, atendeu ao telefone que ficava na mesa da secretária do então presidente. Era Teixeira do outro lado da linha, e o desempenho de Silveira em poucos minutos agradou tanto que lhe valeu um emprego na confederação.

O telefonista não demorou a se transformar em um apêndice do presidente, um faz tudo literal. Acordava antes, dormia depois, e entre um momento e outro não ficava a mais de um metro de Teixeira. Gozava de tanta confiança que interferia na agenda do chefe e administrava seu celular. E de tanto prestígio que recebia premiação como se trabalhasse na Seleção Brasileira.

Não são poucos os relatos do péssimo ambiente entre Silveira e os funcionários da CBF, especialmente os mais humildes. Produto da estatura de um assistente da presidência – que, de fato, é baixinho – e do tratamento que ele costuma dispensar a quem não pode lhe oferecer nada. Sua mais recente aparição ajuda a entender por quê.

Hoje Silveira abre a porta do carro para José Maria Marin. Sua permanência na confederação foi uma exigência de Teixeira, que o atual presidente ainda mantém. Desnecessário mencionar a quantidade e a sensibilidade das informações que Silveira possui, fruto de duas décadas de escolta – e de confidências – do cartola que mandava no futebol brasileiro. Ele também é o guardião da famosa simpatia do ex-presidente.

Na quinta-feira passada, Marin saía do Hotel Intercontinental, em Genebra, quando foi abordado por uma equipe da ESPN Brasil. O repórter André Plihal quis saber o que ele tinha a dizer sobre as gravações misteriosas que têm aparecido no YouTube. Enquanto aguardava seu carro, Marin repetiu várias vezes que só queria saber da Seleção Brasileira. A insistência de Plihal não o irritou, mas incomodou a figura impaciente que estava a seu lado.

“Puxa o carro”, Silveira determinou ao motorista. “Puxa, vai, passa por cima deles”, completou. A cena, gravada e levada ao ar, revela todos os envolvidos fazendo exatamente o que se espera deles. Um jornalista perguntando. Um dirigente tentando escapar. E um carrega-malas expondo-se ao ridículo.

Quando não está arrumando o guardanapo de Marin ou cuidando para que o chefe não escorregue, Silveira cuida dos negócios que os tempos de Teixeira lhe proporcionaram. Um deles é uma agência de compra e venda de veículos. Dizem que está rico. Há ricos que são tão pobres que só têm dinheiro.



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