PRAZO APERTADO



Se todos os amistosos da Seleção Brasileira fossem como o desta quinta, contra a Itália, mais gente se importaria com os destinos do time.

E se todos os amistosos entre países fossem como este Brasil x Itália, as discussões sobre clubes x seleções seriam um pouco mais equilibradas.

Foi um jogo bem interessante em Genebra, em parte porque é um clássico, porque há história, porque o futebol sobe de nível quando essas duas camisas se encontram.

E também porque o Brasil, ainda um rascunho, conseguiu aplicar um resultado surpreendente no primeiro tempo, contra um time em estágio muito avançado em termos de formação, conceitos e jogo.

A Itália estaria pronta se a Copa das Confederações começasse amanhã.

A reconstrução comandada por Cesare Prandelli foi bem sucedida no resultado, um vice-campeonato europeu, e no desempenho, um sistema que gosta mais da bola e que aproveita com sabedoria o que a geração atual de jogadores oferece.

Quem prestou atenção no comportamento dos italianos sem a bola viu um time que pressiona de forma coordenada, com identidade. Com a bola, gerou mais jogo do que o Brasil, porque, hoje, há equilíbrio técnico entre as duas seleções.

O maior sinal dos tempos, talvez, é perceber que o meio de campo da Itália teve mais controle do tempo (não falo de minutos, e sim de pausa e aceleração) e dos movimentos do que o setor correspondente do Brasil.

Outro sinal, para quem viu o primeiro ataque da partida, foi a finta de Giaccherini em David Luiz.

A maneira como a Itália se recuperou no jogo revela a personalidade de quem conhece o próprio potencial, algo que só vem com trabalho consistente.

Julio Cesar precisa ser mencionado como a figura que possibilitou a boa impressão que o time de Scolari deixou na primeira metade. Sem duas ou três defesas do goleiro brasileiro, com 0 x 0 no placar, estaríamos aqui tratando de outro jogo.

Mas os pragmáticos dirão que Julio fez o papel dele, os atacantes italianos não e o que importa é que o placar mostrava 2 x 0 para o Brasil no intervalo.

É uma maneira de ler.

Outra, mais serena e exigente, prefere esperar o fim do jogo e concluir que o 2 x 2 foi mais justo com o que se fez em campo.

Tivesse o Brasil vencido, a imagem deste bom amistoso teria sido o lance do segundo gol.

É necessário elogiar o movimento de Neymar, ao carregar a bola da direita para o meio, atrair a atenção dos defensores italianos na aproximação da entrada da área, liberando o corredor do lado direito para Oscar.

Sim, De Sciglio permitiu que o meia do Chelsea recebesse a bola livre para concluir – com a classe que o caracteriza – e ainda se jogou num carrinho atrasado.

Mas Neymar, que poderia ter acionado Oscar no início do contra-ataque, administrou com maestria cada passo da jogada. Da direita para o meio, e de volta para a direita. Bonito.

Como o Brasil não venceu, a imagem que fica é a do gol de empate.

O conforto de que Balotelli desfrutou para receber a bola, ajeitar o corpo e carregá-la até o ponto em que disparou seu chute não é condizente com o futebol atual.

Em que pese o fato de os volantes terem de voltar para interceptá-lo, Balotelli não foi incomodado em nenhum instante. Ele foi, sim, apenas observado.

No mais, Fred mostrou mais uma vez o quanto tem em comum com Dennis Rodman (quem o viu certamente entenderá a relação, pelo menos assim espero).

E a zaga do Brasil falhou ao sofrer o primeiro gol num escanteio.

O resultado importa pouco. Amistosos têm as peculiaridades que nos dão a impressão de que, após o 2 x 2, os italianos ficaram satisfeitos com a reação exibida. E os brasileiros, ao lembrarem do primeiro tempo, concluíram que o empate estava correto.

O que interessa é o prazo.

É curto para a Seleção Brasileira, em estágio semelhante ao dos estádios da Copa de 2014.



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