COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

SACRIFÍCIO

O potencial de dano da antiga diretoria do Flamengo já era bem conhecido. Do desastre administrativo que provocou a saída de Ronaldinho Gaúcho à conta de água milionária por causa de um vazamento na piscina, a turma da ex-vereadora lesou o clube de todas as maneiras imagináveis.

Incompetência e má intenção são uma união que não conhece constrangimentos. Enquanto declamava seu amor “à nação”, a ex-presidenta aparelhava seu gabinete na Câmara dos Vereadores com gente do clube que precisava ser recompensada pelo apoio. Foi capaz de virar as costas a Zico, na primeira dividida entre o maior nome da história rubro-negra e o obscuro subsolo do clube. E ainda insultou a capacidade da comissão técnica ao levar um dublê de ator, que bate em mulher, para falar aos jogadores.

A mais recente façanha da diretoria anterior se tornou conhecida na noite de sábado, quando a demissão de Dorival Júnior revelou a intenção da gestão atual de ajustar os vencimentos da comissão técnica do Flamengo à realidade do clube. Patrícia Amorim – ou quem quer que comandasse o Flamengo no lugar dela – conseguiu a proeza de transformar um salário de R$ 250 mil em algo ruim, desprezível, ofensivo até.

O que está em discussão aqui não é o valor do trabalho de um profissional. O futebol movimenta números tão astronômicos que seus parâmetros não devem ser comparados a outros mercados, dentro ou fora do esporte. E estamos tratando de um dos clubes que mais recebem dinheiro do contrato de televisão. Mas é estarrecedor que uma instituição que é notícia quando paga seus funcionários em dia tenha de reduzir em quase três vezes o salário de seu técnico, para chegar ao valor considerado razoável.

A megalomania – para usar um termo respeitoso – é de tal ordem que o episódio da dispensa de Dorival impôs um debate vergonhoso. De um lado da mesa, o clube, sem saída, oferecendo uma vultosa redução salarial ao treinador. Do outro, o técnico, contemplando a desvalorização de sua posição, vendo-se obrigado a não aceitar a proposta. O resultado só poderia ser o impasse e o retorno de Dorival ao mercado de trabaho.

Impasse que adquire contornos surreais quando se pensa no tamanho do salário que o Flamengo pretende pagar. Ao final da conversa, Dorival Júnior disse não a um quarto de milhão de reais. Por mês. Concordar seria assumir que o clube o pagava com números que não condiziam com seu merecimento. Prova de que a realidade não existe, e sim apenas a percepção que condiciona diferentes leituras. Quantas pessoas, neste mundo, podem recusar tal nível de remuneração? Três milhões de reais por ano. Que fique absolutamente claro: Dorival não tem culpa .

E ainda não chegamos ao pior. O pior se apresentará quando o próximo técnico do Flamengo – enquanto escrevo, o acerto com Jorginho parece apalavrado – assumir, adequado a “um novo momento”. É capaz que alguém pense que dirigir um dos maiores clubes do futebol brasileiro, hoje, significa fazer um sacrifício financeiro. Ou dar um passo atrás na carreira.

É inacreditável.

DUELO

Intrigante a situação de Ney Franco no São Paulo. É claro o embate entre o treinador e certas forças que atuam há tempos nos bastidores do time e do clube. Também é claro – e aí está o mais interessante – um respaldo superior em algumas declarações, como se Ney estivesse autorizado a se posicionar publicamente. Como acontece em todos os conflitos, haverá, cedo ou tarde, um vencedor. Ou vencedores. De que lado estão os melhores interesses do São Paulo? Com Ney Franco ou contra ele?

PROGRAMAÇÃO

A semana não tem jogos da Copa Libertadores, imprevisível e disputada, com times brasileiros em risco de não alcançar as oitavas de final. Também não tem jogos da Liga dos Campeões, encantadora e emocionante, com os melhores jogadores do mundo em ação. O que significa que o futebol estará quase restrito aos potentes campeonatos estaduais. Pelo menos a Seleção Brasileira joga na quinta.



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