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Dois jogões nesta terça, e mais dois classificados para as quartas de final da Liga dos Campeões.

Em Gelsenkirchen, o Galatasaray venceu o Schalke 04, de virada: 3 x 2.

Atuação corajosa dos turcos no campo do adversário, principalmente no primeiro tempo, quando construíram o placar de 2 x 1.

Ylmaz, artilheiro do torneio junto com Cristiano Ronaldo (8), marcou o gol crucial da partida. O segundo do Galatasaray obrigou o time alemão a fazer dois gols, por causa do empate em 1 x 1 na Turquia.

Primeira classificação do Galatasaray entre os 8 melhores da Europa desde 2000-01.

Em Barcelona, remontada épica dos catalães: 4 x 0 no Milan.

Tiremos logo da frente a obrigação de mencionar que, pela primeira vez na história da UCL, um time se classificou depois de perder o jogo de ida por 2 x 0.

Portanto, aí está: o Barcelona fez algo que ainda não tínhamos visto.

E fez do seu jeito.

Falou-se em “camisa”, duas semanas atrás, quando o Milan ganhou em San Siro.

Camisa? Onde estava a camisa do Milan durante o jogo no Camp Nou?

Jamais um jogo de futebol será decidido pelo “peso da camisa” de um dos times. Camisa pesada existe, sim, mas não explica resultados.

Falar em camisa é usar uma simbologia que evoca a tradição e o pedigree de um clube. Esse “conteúdo histórico” entra em campo para definir sua relevância e o respeito que ele merece. Com relação aos jogadores, a camisa é tão somente um componente psicológico.

Representar uma instituição gloriosa pode ser um reforço de confiança para um jogador, diante de uma partida importante. Pode ajudá-lo a se preparar e atuar.

Mas o que acontece em campo é e sempre será explicado pelo jogo. Não no sentido da partida de futebol em si, mas no sentido do potencial de cada time de jogar futebol.

Em Milão, o jogo do Milan, associado a uma atuação irreconhecível do Barcelona, produziu uma vitória por 2 x 0 para os italianos.

Nesta terça, a “camisa” milanista não significou nada. E o jogo do Milan significou pouco.

Por mais adjetivos que se encontre para descrever o que houve, a melhor definição é um retorno à normalidade. Ao recuperar sua forma de jogar, o Barcelona estabeleceu a diferença de capacidade entre os times.

O Milan se defendeu com disciplina e entrega semelhantes às do encontro de ida. Foi absolutamente dominado e levou 4 gols.

A resposta está naquilo que o Barcelona fez. Campo aberto, jogadores próximos, paciência. E muito, mas muito jogo.

O Barcelona transformou o campo de defesa italiano em seu território, avisou que a bola não sairia de lá (dado da Opta: apenas Xavi e Busquets trocaram 168 passes no campo de ataque. O Milan trocou 109 passes no campo do Barcelona) e usou o posicionamento para desarmar próximo à área adversária.

Dois gols foram construídos assim. Uma bola roubada por Iniesta e outra por Mascherano.

Imposição em bloco ao oponente, controle total das ações.

Lembro da frase de Xavi, que abriu a prévia que está dois posts abaixo. Houve um momento, logo depois do terceiro gol, que o Milan realmente ficou em dúvida.

Não em dúvida sobre o que fazer, mas em dúvida sobre o que ele era. A bola ficou por longos minutos nos pés catalães, sem que os jogadores italianos fizessem ideia de como solucionar aquela situação. Uma roda gigante de bobinho.

O Barcelona voltou ao básico. Xavi pensa, organiza e inicia os movimentos. Iniesta acrescenta bons argumentos e dá prosseguimento. Messi surge no momento oportuno e define.

Veste a camisa de melhor do mundo e faz dois gols necessários. Messi é o Pelé destes tempos (quietos, trolls, atenção ao que está escrito) e, como tal, faz o que este tipo de jogador faz.

Você, que viu Pelé, achava que ele resolveria os jogos para o Santos quando o time se via contra a parede?

O mesmo vale para Lionel Messi hoje.

Se este Barcelona tivesse sido eliminado com uma atuação pobre em seu estádio, talvez fosse a hora para decretar o fim de uma era.

Com o que fez, mesmo se levasse um gol trágico no final e perdesse a vaga, tal pensamento nem deveria ser considerado.

Pois Pep Guardiola, onde quer que ele tenha visto o jogo, certamente sentiu-se orgulhoso.

Foi como se ele estivesse ali.



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