OS LINKS DA LIGA



Dois jogões nesta terça, e mais dois classificados para as quartas de final da Liga dos Campeões.

Em Gelsenkirchen, o Galatasaray venceu o Schalke 04, de virada: 3 x 2.

Atuação corajosa dos turcos no campo do adversário, principalmente no primeiro tempo, quando construíram o placar de 2 x 1.

Ylmaz, artilheiro do torneio junto com Cristiano Ronaldo (8), marcou o gol crucial da partida. O segundo do Galatasaray obrigou o time alemão a fazer dois gols, por causa do empate em 1 x 1 na Turquia.

Primeira classificação do Galatasaray entre os 8 melhores da Europa desde 2000-01.

Em Barcelona, remontada épica dos catalães: 4 x 0 no Milan.

Tiremos logo da frente a obrigação de mencionar que, pela primeira vez na história da UCL, um time se classificou depois de perder o jogo de ida por 2 x 0.

Portanto, aí está: o Barcelona fez algo que ainda não tínhamos visto.

E fez do seu jeito.

Falou-se em “camisa”, duas semanas atrás, quando o Milan ganhou em San Siro.

Camisa? Onde estava a camisa do Milan durante o jogo no Camp Nou?

Jamais um jogo de futebol será decidido pelo “peso da camisa” de um dos times. Camisa pesada existe, sim, mas não explica resultados.

Falar em camisa é usar uma simbologia que evoca a tradição e o pedigree de um clube. Esse “conteúdo histórico” entra em campo para definir sua relevância e o respeito que ele merece. Com relação aos jogadores, a camisa é tão somente um componente psicológico.

Representar uma instituição gloriosa pode ser um reforço de confiança para um jogador, diante de uma partida importante. Pode ajudá-lo a se preparar e atuar.

Mas o que acontece em campo é e sempre será explicado pelo jogo. Não no sentido da partida de futebol em si, mas no sentido do potencial de cada time de jogar futebol.

Em Milão, o jogo do Milan, associado a uma atuação irreconhecível do Barcelona, produziu uma vitória por 2 x 0 para os italianos.

Nesta terça, a “camisa” milanista não significou nada. E o jogo do Milan significou pouco.

Por mais adjetivos que se encontre para descrever o que houve, a melhor definição é um retorno à normalidade. Ao recuperar sua forma de jogar, o Barcelona estabeleceu a diferença de capacidade entre os times.

O Milan se defendeu com disciplina e entrega semelhantes às do encontro de ida. Foi absolutamente dominado e levou 4 gols.

A resposta está naquilo que o Barcelona fez. Campo aberto, jogadores próximos, paciência. E muito, mas muito jogo.

O Barcelona transformou o campo de defesa italiano em seu território, avisou que a bola não sairia de lá (dado da Opta: apenas Xavi e Busquets trocaram 168 passes no campo de ataque. O Milan trocou 109 passes no campo do Barcelona) e usou o posicionamento para desarmar próximo à área adversária.

Dois gols foram construídos assim. Uma bola roubada por Iniesta e outra por Mascherano.

Imposição em bloco ao oponente, controle total das ações.

Lembro da frase de Xavi, que abriu a prévia que está dois posts abaixo. Houve um momento, logo depois do terceiro gol, que o Milan realmente ficou em dúvida.

Não em dúvida sobre o que fazer, mas em dúvida sobre o que ele era. A bola ficou por longos minutos nos pés catalães, sem que os jogadores italianos fizessem ideia de como solucionar aquela situação. Uma roda gigante de bobinho.

O Barcelona voltou ao básico. Xavi pensa, organiza e inicia os movimentos. Iniesta acrescenta bons argumentos e dá prosseguimento. Messi surge no momento oportuno e define.

Veste a camisa de melhor do mundo e faz dois gols necessários. Messi é o Pelé destes tempos (quietos, trolls, atenção ao que está escrito) e, como tal, faz o que este tipo de jogador faz.

Você, que viu Pelé, achava que ele resolveria os jogos para o Santos quando o time se via contra a parede?

O mesmo vale para Lionel Messi hoje.

Se este Barcelona tivesse sido eliminado com uma atuação pobre em seu estádio, talvez fosse a hora para decretar o fim de uma era.

Com o que fez, mesmo se levasse um gol trágico no final e perdesse a vaga, tal pensamento nem deveria ser considerado.

Pois Pep Guardiola, onde quer que ele tenha visto o jogo, certamente sentiu-se orgulhoso.

Foi como se ele estivesse ali.



  • Sergio

    Ótimo texto, André. É sempre um prazer ler o que você escreve.
    Eu só sugeriria uma correção: “Por mais adjetivos que se encontreM para descrever”

  • Thiago Boldrin de Almeida

    André,

    Todo mundo fala do Messi (com razão) quando fala de Barcelona. Você não acha que esse Barcelona é assim devido a inteligência do time estar nos pés do Xavi?

    Pra mim, ele é o único jogador no mundo que qualquer time tem que ser montado em volta dele, pois ele deixa o jogo fluir e o pensamento dele em si só pode deixar uma equipe organizada.

    O que você acha ? (sei que você não vai me responder mais não vale a pena tentar, hehehe)

    AK: Isso. O próprio time pensa assim. Um abraço.

    • Felipe Lima

      Taí uma questão: o Barcelona está preparando alguém para “assumir o posto” do Xavi? Ou buscaria no mercado?

      AK: Thiago Alcântara é uma possibilidade. Um abraço.

      • Sergio

        O Fàbregas, que só tem 25 anos, também seria um candidato ao meu ver, principalmente no curto/médio prazo. Foi líder técnico e capitão do Arsenal por algumas temporadas e, ainda levando-se em conta a identificação que tem com o Barcelona, tem tudo para assumir, cada vez mais, um papel de maior destaque conforme a necessidade e as oportunidades forem surgindo.

        • Renato Maia

          Concordo.

      • Matheus Brito

        AK, concordo e corroboro com muitas opiniões suas, mas Thiago não substituirá Xavi nem nessa vida nem em outra. Acho que o Fábregas cairia melhor.

        AK: Thiago tem mais características em comum com Xavi do que Fábregas. Um abraço.

        • Matheus

          Sim, ele tem características parecidas com as do Xavi, mas só parecidas. O Fábregas tem mais qualidade e com isso acho que se adaptaria mais à função. Mas espero que o Xavi jogue até os 40 nesse nível.

          • Felipe Lima

            Haja Centrun polivitamínico!!

        • Juliano

          Alguém sabe qual a nacionalidade do Thiago? É dupla?
          Qual seleção ele possivelmente representará no futuro?

          Fato é que, a Espanha, vai sofrer quando esta geração (Xavi-Iniesta) acabar.

          Abraço!

          • Juliano

            Pra mim mesmo… momento Wikipedia:

            “Thiago Alcântara do Nascimento, mais conhecido como Thiago, (San Pietro Vernotico, 11 de abril de 1991) é um futebolista nascido na Itália que tem cidadania espanhola e brasileira.”

            O cara é a globalização em pessoa.

            Já fora convocado pela seleção espanhola. Boa sorte!

      • Lembrando que o Thiago “já é” uma possibilidade, pois geralmente atua quando Xavi não está.

        (e o moleque não é ruim, não. Ok, não é o Xavi, mas queriam quem? Gerard? Lampard? Pirlo?!)

        😉

        • rodrigo

          Vocês estão comparando o Xavi de 32 anos com o Thiago de 22? Alguém de lempra do Xavi de 10 anos atrás?? Ele tem muito potencial sim. Falta maturidade e experiência.

          • Matheus

            Não estou comparando eles, odeio comparações entre jogadores, o que eu disse é que não acho que o Thiago tenha bola para ser e representar o que o Xavi é e representa para o Barça. Como dito no Blog, o sistema é montado para que Xavi pense e articule o jogo. Tudo passará também pelo entendimento entre ele (Thiago se for o caso) e Iniesta. Entendimento hoje que faz o Xavi e o Iniesta se tornarem o “XavIniesta”.

  • Anderson

    André, você escreve muito, já está em primeiro na lista de favoritos do meu browser, parabéns!

  • Carlos

    Concordo com os dois que comentaram: Ótimo texto e o Barcelona é o que é, em grande parte, pelo Xavi.

  • Gustavo

    É um alívio saber que o Barcelona do Guardiola ainda não acabou. Pelo visto ainda você terá de escrever muito a respeito, vai acabar reunindo material para um livro…

    Da minha parte, preciso dar um jeito de ver esses caras in loco no Camp Nou antes que seja tarde.

    • Matheus Brito

      Posso dizer que verei vários deles em ação contra a Nigéria aqui em Fortaleza.

    • Renato Maia

      Também preciso vê-los in loco.

  • Eduardo Mion

    André,
    achei que Milan ficou abatido ao ver seus dois principais pilares no jogo ruírem tão rápido. Tomar o gol antes dos 5 minutos (nem deu tempo do Barça ficar nervoso) e não marcar na única chance clara que teve (certo o Bertozzi, Diego Niang Souza) acabou com o psicológico do time. Achei que o time não teve a mesma intensidade do San Siro e deu as brechas que o Barça não teve no jogo de ida. Time jovem, compreensível. E loas ao Barcelona por saber usar esse fator.

    Mas os gols e as comemorações do Messi foram impressionantes. Se ele estava mesmo sem vontade nesses últimos tempos, acho que recuperou tudo hoje.

    • Matheus Brito

      Além disso o Barça jogou tudo o que não jogou em San Siro.

  • Dyl Blanco

    Essa vantagem psicológica, que intimida e desanima os adversários, se potencializa naquela pressão em cima da intermediária que o Barcelona exerce em períodos do jogo. É uma vantagem obtida através de uma método de jogo, abastecida por excelentes jogadores de meio campo, passadores por natureza e treino, bem diferente da intimidação exercida pelo Santos de Pelé, pelo Botafogo de Garrincha, pelo Flamengo de Zico, surpreendentes e imprevisíveis, capazes de mudar a maneira de jogar no calor da partida, criando em cima das deficiências do adversário. Essa era a beleza daqueles timaços, não sabíamos nunca a forma que jogariam, como superariam seus adversários. O Barcelona também supera, com muita competência, mas todos sabem como vai ser.

  • Thiago Mariz

    “Foi como se ele estivesse ali!” Exato! A pergunta agora é: o Barcelona voltará a jogar de maneira conservadora, como veio durante a maior a da temporada, ou irá voltar à sua essência? Foram 90 minutos de olhos brilhando ao rever aquilo que não via há alguns meses. Tomara que esse jogo não vá embora de novo para voltar em momentos de necessidade (e de extrema ansiedade por parte da torcida).

    Que saudade!

  • Matheus Brito

    Aconteceu tudo o que nos acostumamos a ver e o que não vinha acontecendo nos últimos jogos. A marcação pressão, descanso com a bola no pé, movimentação intensa, ausência de posições fixas, XavIniesta municiando um Messi ao melhor estilo Messi. Até o Villa jogou muita bola, Busquets muito bem na marcação e no apoio como meia/volante/meia-atacante ou seja lá como jogou. Uma avenida para o Dani Alves jogar. Lembro do post onde você falou da derrota do Barça em Milão. Muita gente falando que o Milan tinha mais tradição e mais camisa (como você bem lembrou nesse post). Lembro inclusive de ter citado o Milan comandado pelos holandeses como o último grande Milan. Não consigo entender como ainda há quem duvide da capacidade desse Barça. Do Messi, que a cada jogo quebra um record e se aproxima de outro. Obrigado deuses do Futebol por terem me dado a oportunidade de ver esse time jogar, já que outros grandes vocês me roubaram a oportunidade os colocando em campo antes de eu saber o que era uma bola.

  • AK,

    pra se livrar dos trolls definitivamente (ok, não é possível, concordo), você poderia ter exemplificado mais: CR7 no Real, Ibra no PSG, Neymar no Santos, Bale no Tottenham…

    Ah, mas citou Pelé, já sabe: HEREGE!!!!

    PS: minha opinião é a mesma do blog: Pelé é de outro mundo.

    Abraço!

  • Fábio Minghetti

    Fiquei com a sensação de que alguém falou na preleção: “Chega! Vamos fazer o que sempre deu certo?” Foi espetacular!

  • Emerson Cruz

    Espetacular: a melhor partida do Barcelona na temporada, sem dúvida! Mostrou mais uma vez que ainda é um dos melhores times da história do futebol.
    Camp Nou: outro aspecto que me chamou a atenção, é que ontem tivemos um Camp Nou vibrante, que cantou a todo tempo, algo que a torcida do Barcelona raramente faz.
    Roura: ontem, o interno, demonstrou algo inédito em seu trabalho até aqui, competência para extrair o máximo dos seus jogadores, foi muito bem ao resgatar uma maneira digamos guardiolística de jogar futebol.
    Futebol: com toda a diferença abissal, do ponto de vista técnico, entre as equipes, por muito pouco, mas muito pouco, poderíamos estar aqui refletindo sobre o lance esporádico de Niang que teria mudado toda a história. Ah, os detalhes…

  • Bruno – SP

    André, muito bem lembrado a questão da “camisa” do Milan. Duas semanas atrás disseram que a camisa do Milan “entortou” o varal. Avise que o Barcelona acabou de “desentortar” o varal. Torci muito para o Barcelona classificar. Sem dúvida alguma, Messi é o melhor jogador da atualidade e de sua época, enquanto Pelé foi o melhor jogador da sua época e de todos os tempos. Simples assim, sem comparações. Ao final da carreira de Messi vamos ter melhor condição de avaliar se ele se aproximou, igualou ou superou o Rei do Futebol. Neste momento, prefiro saborear suas incríveis atuações, gols, jogadas, dribles e etc…

  • José Silva

    André,

    Sou torcedor do Fluminense e desde os tempo de Telê Santana um apaixonado pelo São Paulo. Há muito tempo procuro alegrias no Futebol que façam SARAR a ferida que insiste em sangrar na minha alma desde aquela trágica derrota da Seleção Brasileira para a Itália em 1982 (eu tinha 15 anos). Já vi Brasil ganhar duas copas do mundo 1994 e 2002 e foram vitórias muito pobres para que amenizasse a ferida. Há muito procuro acompanhar os times que jogam um belo futebol. Hoje faço isso com o Barcelona, ver esse time jogar, exceção feita a partida de ida em Milão, mesmo aquelas que o Barcelona não atingiu seus objetivos, é um ENCANTO. E ontem eu tive o grande prazer de ter visto aquela partida de futebol, FANTÁSTICA. Hoje posso dizer que a ferida que tenho na alma desde 1982, se fechou um pouco mais.
    Parabéns pelos Textos, pré e pós jogo. Perfeitos.

    Abraços.

    AK: Obrigado. Compartilho suas sensações. Um abraço.

  • Anna

    Foi um jogo simplesmente sensacional que agradeço a Deus de ter visto! O Barça “reguadiolizou”!!! Messi arrebentou, mas Iniesta e Xavi também. O futebol bonito agradece!

  • Leandro Azevedo

    Falar de camisa pode ser um argumento quando joga um time tradicional contra um time sem tradição nenhuma… NUNCA seria o caso de Milan e Barcelona – as duas camisas tem um peso monstro ali. Argumento preguiçoso esse.

  • Juliano

    Que gol foi o primeiro! Troca de passes absurda, Messi acionado, em uma fração de tempo ele bateu no angulo… cercado por CINCO. No seu segundo gol também estava com a marcação em cima. Monstro!

    O olhar do PVC mostra como o Barça foi genial no posicionamento das suas feras para este jogo, com Villa enfiado e Messi flutuando. Acho ainda, que além de tudo que foi escrito aqui, no Juca e no PCV (leituras obrigatórias), as recentes derrotas (e a dúvida de todos sobre ‘o fim’) os motivaram. Taí o resultado, pobre Milan.

    O lance é aproveitar ser contemporâneo deste time, destes craques, e curtir o máximo. Teremos história para nossos netos.

    E uma pequena reflexão. Messi, Xavi, Iniesta, Cristiano. Monstros, não-brasileiros. Mesmo no Manchester, no próprio Milan, na Alemanha… não temos mais brasileiros como líderes, craques neste patamar. Romário, Rivaldo, Ronaldo, Kaká, Ronaldo Assis. Hoje, Lucas é o melhor brasileiro (ou, com mais destaque) no futebol europeu. E a tendência? É piorar?

    Abraço!

    • Ricardo Turqueti

      Juliano, acha aí um meia armador com menos de 22 anos no naipe destes que você citou… então, a tendência é piorar sim. Ou “parreirizar”, priorizar aspectos táticos, envolantear o time e defender primeiro.

      • Matheus

        Assizinho do Fortaleza kkkk

        • Marcelo Morais

          Nao me canso – nem me cansarei – de ver o 1o. gol. Antologico.
          Me lembrou os gols da selecao brasileira em seu primeiro jogo (Brasil 2 x 1 URSS) na longinqua copa de 1982.

  • Gustavo Soares

    O Barça jogou muito e tal, mas me impressionou a fragilidade do time do Milan ofensivamente. No início do segundo tempo os rubro-negros tiveram 3 ou quatro contra-ataques com igualdade de jogadores (3 contra 3, ou 4 contra 4) e desperdiçaram sem nem ao menos criar jogadas perigosas. O Niang é muito ruim. Faltava alguém de mais qualidade pra puxar os contra-ataques e um melhor posicionamento de seus atacantes, especialmente do mais efetivo o El-Sharawi, que esteve por várias vezes em baixo da saia, como diria o grande Silvio Luiz.

  • Fernando Alvirrubro

    Excelente texto, usar “peso de camisa” parece preguiça de analisar o jogo, além de desmerecer o trabalho dos jogadores, o Chelsea não têm tanto “peso” e eliminou o Barça, o Liverpool têm tanto peso quanto o Milan, e nem vaga na UCL consegue

  • Ricardo Turqueti

    André e amigos, belíssima análise, sobre o jogo em si tudo já foi dito e bem dito. Só um “a mais”: na coletiva do Piqué, um dia antes, dava pra ver a tempestade em formação, não? A raiva contida (um termo impublicável é melhor que o termo raiva pra descrever, mas enfim) de quem via os feitos e obras dos últimos cinco anos varridas pra baixo do tapete por conta de um jogo ruim… se o vestiário inteiro estivesse possuído como o Piqué estava, o Milan ia ver o que é bom pra tosse. E o time estava e o Milan viu a cara do Barcelona que a gente já conhece… e a gente viu que o Messi tem uma marcha extra pra jogo bom, também. Quando o bicho pega, ele passa uma sexta marcha e vai fazer gol e desequilibrar pelo meio mesmo, no meio de 8 camisas brancas, tem problema não. Sempre bom ser lembrado disso. Gênio mesmo, do naipe de um Federer, daqueles que passa pela terra um por geração se tivermos sorte.

    AK: Exato. Quanto às declarações do Piqué na véspera: foi o tipo de postura indignada que transmite um sentimento genuíno, bem diferente de momentos em que coisas parecidas são ditas, mas sem “alma”. Realmente refletiu o que se passava dentro do vestiário, uma vontade interna de voltar ser o que era. O que penso é que foram necessárias três derrotas, muitas críticas e um enorme risco de eliminação para produzir esse sentimento e a atuação que vimos ontem. Causa-me a impressão de que este time já não tem a capacidade de se manter motivado e em “alta temperatura” todo o tempo, uma das marcas do período de Guardiola. Creio que seja uma situação irreversível, pelo aspecto humano. E só há um jeito para recuperar esse modo de agir: renovação do elenco. O próprio Guardiola já declarou várias vezes que é necessária a chegada de gente nova para continuar “empurrando” o time. A questão é que a contratação de Neymar, por exemplo, já significaria a imposição de uma forma diferente de atuar. Um abraço.

    • Ricardo Turqueti

      André e amigos, acho que perder esse time até aceita, mas a repercussão, as manchetinhas que implicavam a prematura “morte do Barcelona”… essas devem ter doído mais que perder do Real Madrid. Então, eles resolveram afundar atirando, e voltar a propor o jogo, Jogar ao invés de “ser jogado”. Decisão de grupo. Dos caras. Com a qual o staff técnico teve de concordar, nas internas, sem expôr ninguém… pelo menos é a minha impressão/teoria da conspiração.
      E quando você coloca que a renovação do elenco é irreversível, concordo parcialmente. Xavi, Iniesta, Fabregas e, claro, Messi, estes não vão a lugar algum (que nem o Valdívia…). Então, quem vier, vem pra se encaixar. E no que pode soar como provocação… o Neymar daria um excelente Alexis de luxo! Mantém o time jogando parecido, a proposta mudaria pouco… se o Neymar se conformasse em não ser a maior estrela da companhia. Mas antes disso, pro Neymar sair de Santos teria que se assegurar que ele não perderia grana saindo. É, sério. Ele ganha MUITO sendo referência de jogador de sucesso no país com publicidade e quetais. Então… mas enfim, na janela de meio de ano essa vai ser uma grande questão, não nos precipitemos.
      Satisfação em conversar neste nível com você e com os comentaristas do blog!

      • Silva

        André, com a contratação do Neymar, não seria ele que teria que se adaptar ao estilo de jogar do Barcelona, senão estaria fora? Digo, ele é quem teria que se adaptar taticamente ao time (marcar saída de bola e ocupar determinados espaços). Já imaginou o Neymar no lugar de Pedro (não aguento mais Pedro e Sanches que não acertam um passe, não dominam uma bola com decência e Fábrega dormindo e retardando a dinâmica de jogo do Barcelona), com toda sua técnica, velocidade e poder de finalização?
        Abraços.

        AK: Em tese, é isso. Mas as personalidades e os estilos são distintos. E o status também. Um abraço.

  • RENATO77

    “Com o que fez, mesmo se levasse um gol trágico no final e perdesse a vaga, tal pensamento nem deveria ser considerado.”
    Mas seria, infelizmente seria…
    Nunca fui de acompanhar o futebol europeu. Quando o fazia, via coisas “comuns”..mas com griffe.
    O Barça dos ultimos anos mudou isso. Sempre que posso, assisto.
    E me espanto a cada jogo.
    É uma revolução. Acima de tudo, da tática e da técnica, é uma revolução pela eficiência.
    Espantoso. Os números assustam!

    O que mais me espanta é a longevidade do sucesso. O que me leva a crer que há, naqueles jogadores, uma superioridade de carater, na personalidade…no espírito esportivo.
    Os espanhois estão no topo(técnico e financeiro) já há alguns anos, e CONTINUAM querendo ser os melhores. O modo como marcam os adversários mostra isso.
    Nossos jogadores, os brasileiros, se contentam apenas com dinheiro, me refiro aos “top de linha”.
    A partir daí, não tem o espírito necessário para desenvolver o jogo coletivo.

    No Brasil, quem faz uso do jogo coletivo são times que tem jogadores medianos. Esses que tem levantado as principais taças…
    Nem isso faz com que os “craques” saiam das suas “zonas de conforto”…sejam elas aqui no Brasil ou num banco de reservas na Europa ganhando milhôes/ano.
    O futebol brasileiro não vive crise técnica, mas de carater…de personalidade.
    Abraço.

  • Thiago

    Ouvi alguns comentaristas dizerem que “se a bola que bateu na trave entrasse não seria 4×0,seria 4×1.” Será? Não pelo volume de jogo apresentado pelos times,o Barcelona foi muito superior ao Milan. Mas o time jogar sabendo que precisa fazer 4…bem,sei lá. Mas é fato que o quarto gol saiu porque o Milan teve que sair pro jogo e deu espaços,e dar espaço para um Barcelona inspirado é sentença de morte.

    Será que alguém reparou,no Pós Jogo,nos óculos uados por Daniel Alves? Cara,que horror!! cafona,desproporcional e antiquado. Cruz credo!!!

    • Matheus

      “Mas o time jogar sabendo que precisa fazer 4…” bom, o time entrou sabendo que precisava fazer 3, Missão quase tão dura quanto.

      • Thiago

        É verdade. Mas veja: virou para o segundo tempo precisando fazer mais um e não tomar nenhum. Pelo desenrolar do jogo,isso era questão de tempo. E se tivesse que fazer mais dois e não tomar nenhum,será que teria a mesma tranquilidade? E reitero: O quarto gol saiu quando o Milan,no desespero,partiu pra cima e deixou espaços.

    • Nilton

      Pior somente os cruzamentos dele para a área durante o jogo. Sendo que o Daniel foi o único jogador que não apresentou o futebol de 2011.

  • Massara

    Falar do Messi é chover no molhado. Gênio.

    Entre os humanos, me encanta sobremaneira o futebol do Xavi. Que sujeito inteligente.

    Iniesta também é um dos mais eficientes jogadores que já vi. Não importa que o marcador esteja a centímetros dele. Não há motivos para rifar a bola quanto se tem o seu controle absoluto.

    Como é bom ver o Barça jogar.

    Abs.

  • Edouard

    Ta aí. Se alguém duvidava da capacidade do Messi, num dia ele colocou o Milan no bolso e, no outro, elegeu um Papa argentino. Um abraço.

  • Rita

    Ontem foi um desses dias que eu desejei muito, mas muito ter folgado do trabalho para ver esse jogo.
    Mas, fazer o que?

    Contentei-me de ter visto o placar quando tava 3×0, depois ter visto os golaços do argentino e agora lendo seu texto.

    Salve o Barcelona!

  • Alexandre

    Recentemente não gostei de um post teu sobre o Super Bowl, em um ponto específico. Mas gosto dos teus textos, são ponderados, tem muito estudo, parabéns. Confesso que as comparações entre Pelé e Messi me agridem, principalmente porque há muita falta de conhecimento em relação á carreira de Pelé, mas até nesse ponto tu vai muito bem, foi perfeita a maneira que tu os “comparou”, digamos assim.

    Diferentemente do teu colega Mauro Cezar Pereira, que na minha visão, parece querer que todos engulam que Messi é, ou vai ser melhor que Pelé. Sempre que há uma boa atuação do argentino ele força e bate na mesma tecla. Já o vi dizer, desrespeitosamente, que Pelé deveria lustrar a coroa para Lionel, depois do mesmo fazer 4 gols contra o Valencia em 2012, se não me engano, o que além de ser um exagero absurdo, me parece realmente que ele quer forçar a barra. (sinta-se á vontade para moderar esse post e até cortar esta parte. Entendo que as críticas a colegas de profissão devem ser feitas diretamente aos mesmos, mas como ele não costuma respeitar opiniões contrárias e o assunto veio a calhar, tive de falar).

    Sobre o jogo: Quem viu o Barcelona de Guardiola, sabe que esta atuação contra o Milan ainda está longe das melhores no período, principalmente as da temporada 2010/11. Não houveram as maravilhosas triangulações, a posse de bola com uma objetividade incrível, tampouco o encanto que esse mesmo time, há alguns meses atrás, proporcionou ao mundo. Mas, houve um pouquinho do Xavi e seus passes milimétricos, um pouquinho do Iniesta agudo, do Villa preciso e MUITO, mas MUITO do genial Messi. E foi nesse muito que o Barcelona conseguiu a remontada. Messi é realmente genial, acho muito, mas muito difícil chegar a ser Pelé (este era realmente um ET), mas já é o melhor que vi jogar (ao lado de Zidane, porque eu era muito fã da classe e elegância do francês). Enfim, o maior time que eu já vi na vida ainda não voltou. Mas com essa escalação que foi mais parecida com a dos brilhantes tempos, com mais um pouco de Xavi, Iniesta e a “fome”, como disse Dani Alves, de jogar tudo o que sabe e com esse mesmo Messi, quem sabe eu volte a ver esse esquadrão desempenhar o mágico futebol que me encantou por completo.

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