COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

ACABAMENTO

A primeira ocorrência digna de registro no clássico do Morumbi foi um cartão vermelho, aos cinco minutos do segundo tempo. Valdivia exibiu sua conhecida capacidade de causar defeitos na mente são-paulina, até mesmo quando o jogador envolvido tem longa experiência e nenhum histórico com o chileno. O lance com Lucio foi normal. Ríspido, mas normal. Até o momento em que o zagueiro, irritado pela insistência de Valdivia enquanto ele estava caído, tentou agredi-lo. A cotovelada não atingiu o rosto, como sugeriu o gesto teatral do palmeirense, mas isso importa pouco. Não há dúvidas quanto à intenção de Lucio, nem quanto à infantilidade.

Até então, o jogo era como são tantos encontros do futebol atual: disputado, mas fraco. O Palmeiras tinha voltado do vestiário com mais ímpeto, mas sem nada para comemorar a não ser o fato de passar a jogar com um homem a mais. A superioridade numérica é um dos mais frequentes fatores de desequilíbrio, especialmente em jogos em que as capacidades técnicas e físicas dos times podem ser comparadas. No clássico, o principal impacto da expulsão foi ceder a bola ao Palmeiras.

Os dois principais jogadores do São Paulo estavam à beira do gramado, prestes a entrar, no momento em que Lucio deixou o campo. Ney Franco merece elogios por não ter desistido de utilizar Jadson e Osvaldo, mesmo com uma partida muito mais relevante na quinta-feira, em que estará em jogo a permanência do São Paulo na Copa Libertadores. Por causa deles, o time conseguiu criar algum perigo no tempo que restou.

O Palmeiras não vence o rival no Morumbi há onze longos anos e vinte jogos (Alex e o gol do chapéu, lembra?). A oportunidade que se apresentou neste domingo parecia sob encomenda para um time ameaçado por “torcedores” que só o prejudicam. Vencer teria sido importante não por causa da pressão dos delinquentes (que certamente chegariam à conclusão de que as xícaras voadoras de Buenos Aires cumpriram sua função), mas para conferir tranquilidade e confiança a um grupo de jogadores que não pode ser cobrado por seu desempenho na Libertadores.

Que o torcedor palmeirense comum, aquele que só quer o bem do time e sonha em vê-lo na Série A em 2014, consiga modificar o clima da relação com os jogadores, pois dela depende o sucesso da caminhada no Campeonato Brasileiro. Isso significa apoiar Valdivia, mesmo que a análise de custo e benefício seja amplamente desfavorável. O chileno não vai a lugar algum e o time é melhor com ele. A vitória prometida no clássico não foi entregue, mas não por falta de esforço.

Também não foi por falta de jogo, de volume, de produção. Foi por defeito de finalização. É uma questão técnica, mais preocupante em certos jogadores do que em outros, mas acima de tudo um problema do time. O domínio das ações em todo o segundo tempo evidenciou o que é necessário trabalhar. Em vez de levar o Palmeiras à vitória, foi a razão pela qual o resultado não veio.

CAMPEÃO

No caminho para o título da Taça Guanabara, o Botafogo superou a melhor campanha na semifinal e a desvantagem do empate na decisão. Méritos de um time que soube ser mais forte no momento mais importante, o que nunca acontece por acaso ou sorte. Bonito ver Clarence Seedorf, como sempre, correr e suar tal qual um desconhecido em começo de carreira. Orientar quem precisa de exemplo. E sorrir ao final pelo título conquistado em sua primeira decisão no futebol brasileiro. Em vez de jogar com o nome, o holandês amplia seu prestígio com profissionalismo. Legal ver Oswaldo de Oliveira abraçar seus jogadores e dizer “essa p… toda é nossa!”. Vibração de um técnico contido por natureza, criticado pelos que acham que devem cuidar das personalidades alheias. O torcedor botafoguense, tantas vezes levado a crer que seu time é melhor do que é, tem de comemorar com orgulho.



MaisRecentes

Vencedores



Continue Lendo

Etiquetas



Continue Lendo

Chefia



Continue Lendo