PRÉVIA DA LIGA (FCB x ACM)



“Nosso plano é marcar o primeiro gol e fazer com que eles tenham dúvidas”.

A frase é de Xavi, e não é necessário dizer sobre o que ele está falando ou quem são “eles”.

Veremos algo marcante nesta terça-feira, certamente.

Ou o Milan destronará o Barcelona nas oitavas de final da Liga dos Campeões, ou o Barcelona incluirá uma gigantesca virada no rol de suas façanhas.

Não é difícil imaginar qual será o comportamento do time italiano no Camp Nou.

O Milan tentará fazer um jogo semelhante ao de San Siro, com sacrifício e renúncia em primeiro lugar.

Construirá uma barreira bem recuada em seu campo, programada para conter o Barcelona sem cometer o suicídio de se afundar na própria área.

(Ilustração: pense no general Maximus em seu cavalo, ordenando as tropas romanas – “Hold the line!!” – a permanecer em sua posição, na primeira sequência de “Gladiador”.)

Os bons times italianos, quando querem, conseguem manter a última linha bem firme ao povoar a frente da área com mais jogadores, cedendo os corredores laterais ao oponente.

O objetivo é impedir as combinações pelo meio e direcionar os riscos para as jogadas pelos lados, cruzamentos com bom potencial – ainda mais contra times que não jogam pelo alto, como o Barcelona – para transformar zagueiros em heróis.

A intermediária densa facilita a tarefa de encaixotar Messi, como vimos no jogo de ida.

Mas há uma sensível diferença estratégica que provavelmente influenciará o plano de jogo do Milan: a partida começará com 2 x 0 a favor.

Uma coisa é dizer a um time que sabe e adora se defender que é necessário, também, marcar um gol (o que faz da atuação milanista em casa algo verdadeiramente belo).

Outra é avisá-lo que é permitido empatar o jogo.

E que é permitido perder por 1 x 0.

E que, também, é permitido perder por 2 x 0, ainda que este placar leve à prorrogação.

O Milan estará em seu elemento natural, em seu papel favorito: sofrer e vencer.

Talvez você se lembre que Massimiliano Allegri disse que seu time tentará fazer um gol em Barcelona, o que seria o fim do confronto. Mas, pense, há razão para isso?

Há motivos suficientes para arriscar e dar ao Barcelona o campo que ele tanto procura?

O que nos leva de volta à frase de Xavi sobre a dúvida.

Um gol catalão, abrindo o placar, em tese apresentaria um dilema ao Milan: e agora? Ficamos ou vamos?

Seria absoluta verdade se a diferença fosse de apenas um gol. Os italianos teriam de buscar a igualdade para evitar os pênaltis.

Mas a vantagem do Milan é duas vezes maior.

0 x 0? Tudo certo.

1 x 0? Hold the line.

E enquanto os catalães não tiverem outra alternativa a não ser continuar pressionando, o relógio estará a favor dos visitantes, que não terão de se preocupar com a duração das posses de bola do Barcelona. Só com o resultado delas.

A obrigação de marcar um segundo gol é o que torna a missão do Barça muito mais difícil. Até mesmo para o Barcelona de Guardiola em suas melhores noites.

Isto dito, Xavi e seus companheiros não têm opção. Será preciso reencontrar a maneira de jogar que os levou a tanta glória.

Isso quer dizer abrir o campo na horizontal, avançar com vários jogadores próximos, mover a bola com paciência e precisão, vencer a primeira linha de pressão do Milan para gerar desordem na última.

Posse como ferramenta de aplicação de uma ideia.

Dar a Xavi a tarefa de conceber os movimentos ofensivos, sem apressar o jogo na busca da salvação via Messi.

Criar, criar e criar.

Alguns sinais para prestar atenção:

Se o Barcelona se instalar no campo de ataque com posses longas e intensa movimentação, será um indício de que a “antiga” ideia de futebol foi recuperada. Primeiro passo.

Se Busquets aparecer bem, sem sobrecarga, o sistema de marcação no campo de ataque estará funcionando. Perigo para o Milan.

E se Messi se mover entre as linhas e for acionado frequentemente nas trocas de passes, veremos que o melhor jogador do mundo modificou sua atitude. Música para o Camp Nou.

A classificação do Barcelona não acontecerá se o jogo não apresentar tais características. E esse time revolucionário chegará ao fim de uma era sem jamais ter oferecido ao mundo uma virada histórica como a que pretende construir nesta terça.

De um jeito ou de outro, será incrível.



  • erik

    Só não acredito na virada do Barça amanhã pq caiu 1 pouco a intensidade do jogo catalão, em relação ao que apresentaram em 2011.

  • Thiago Mariz

    Como eu torço pra que essa movimentação aconteça, que o jogo morno do fim de semana (nova mornidão) contra o La Coruña tenha sido simplesmente uma isca para o Milan. Como eu torço pra que, mesmo que não se mantenha jogando da forma como você falou, ao menos nessa eles se coloquem assim em campo. Como torço pra ver os jogadores mais próximos de novo e a marcação eficaz desde o campo de defesa do oponente.

    Mas como isso me parece impossível de acontecer amanhã…

    • Thiago Mariz

      O impossível aconteceu!

      Barça! Barça!

      Guardiola voltou!

  • Ao ler “… que não terão de se preocupar com a duração das posses de bola do Barcelona. Só com o resultado delas.”, lembrei da matéria do ESPN.com.br que li hoje.

    Ou seja: se o Barça continuar sendo “como está” (e não “o que foi”), já era.

    Abraço!

    PS: A lembrança da cena de Gladiador foi ótima.

  • [OFF TOPIC]

    Falando em futebol-arte… a meu ver, isso não tem discussão. Ou tem?

    Abraço!

    • Thiago Mariz

      Cara, um comentário feito num evento do Rio de Janeiro já é algo duvidoso.

      Eu não entro no mérito de quem foi melhor, pois não tenho opinião formada sobre isso. Mas só porque Beckenbauer disse, não me parece que encerraria qualquer discussão. Afinal, Pelé está aí com as pérolas dele pra mostrar que jogador, muitas vezes, fala melhor jogando bola mesmo.

      • Hahahaha, que maldade…

        É que eu acho mesmo que a única seleção que fez “frente” ao Brasil’70 foi o Brasil’58. A Espanha atual é ótima, mas está um patamar abaixo, como Hungria’54 e Holanda’74.

        (e poderia incluir mais uma ou duas, mas só essas me vêm à mente agora – Brasil’82? Inglaterra’70?! Uruguai’30?!? Dinamarca’86?!?!)

        Abraço!

        • Thiago Mariz

          É interessante a discussão. Não acompanhei nenhuma dessas seleções, conheço apenas aqueles lances conhecidos. Acho que só após alguns anos teremos uma discussão um pouco menos enviesada. A história ainda está sendo feita. Agora, em termos de beleza, de fato, a Espanha não é a melhor. Não é tão bela como o próprio Barcelona.

  • Mauricio Guitzel

    Este jogo também me intriga meu caro André,

    E por isso o futebol é tão sensacional, estamos todos desacreditados quanto ao Barcelona, mas de repente o Barça faz um gol no começo e o prognostico do jogo se altera completamente.

  • Natanael

    A expectativa é de um grande jogo,vamos torcer para que seja,independentemente do resultado,abraço

  • Daniel Levis

    Ouvi pela primeira este ano a frase de Danny Blanchflower: “The game is all about glory”.
    Hoje é dia de glória em Barcelona.

  • Anna

    Eu acredito no Barça e no Xavi. Além do Messi, claro. A comparação com o Gladiador é muito boa!

  • Ainda bem que o Milan não pôde inscrever o balotelli, imaginen só!!!

    Ia fazer a festa!!!

  • Marcelo Morais

    O tal primeiro gol saiu logo no comeco do jogo. Resta saber agora se o ACM vai ter as tais duvidas. aguardemos…

  • Marcelo Morais

    Pois eh… E o atual time do FCB derruba mais uma marca historica.
    Eh a primeira vez que uma vantagem de 2 x 0 eh revertida na UCL, correto?

    AK: Exato. Um abraço.

  • Juliano

    E o Barça, com o moral baixo após as derrotas para o rival Real, e a derrota no San Siro, ressurge e mostra sua grandeza. As derrotas os motivaram. Agora, vamos de novo… aguentar essa máquina!

    Uma pena o Milan cair para o Barça nas oitavas. Se caísse em outro matchup teria melhor sorte, e poderia cair mais pra frente.

    Veremos do que esse Barça AINDA é capaz… go!

    Abraço!

MaisRecentes

A vida anda rápido



Continue Lendo

Renovado



Continue Lendo

Troféu



Continue Lendo