CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

OPORTUNIDADE

O jogo de ontem pode ter sido apenas o primeiro. O primeiro com o Pacaembu em silêncio nesta Copa Libertadores. O primeiro de um aprendizado do qual o time – não o clube – não pode fugir.

A Conmebol tem 60 dias para decidir definitivamente como o Corinthians será punido pela tragédia de Oruro. Pode ser amanhã, na semana que vem ou no fim de abril. Enquanto o julgamento não acontecer, o Pacaembu ficará vazio nos jogos do campeão da América. E supondo que o veredicto será um veto à entrada do torcedor por todo o torneio, uma hipótese, o jogo contra o Millonarios terá sido apenas o primeiro.

Pessoas bem informadas sobre a dinâmica das questões disciplinares na Conmebol apostam que a punição não será longa, ainda que a entidade tenha um tribunal recém-criado e novas normas para aplicar. Mais importante do que qualquer conjuntura, uma pessoa morreu de forma chocante e estúpida. Não há como prever a pena.

Cenários. Pensemos, por um instante, em portões fechados até o fim da participação do Corinthians na Libertadores 2013. Avancemos um pouco e imaginemos uma eventual final com o Corinthians em campo. Mais: um possível segundo jogo, o da taça, no Pacaembu sem torcida. A Conmebol faria isso?

Gasta-se muito mais tinta e saliva abordando a defesa do clube, a necessidade de um desfecho o quanto antes, as posições controversas de uma diretoria que parece estar em má fase. Fala-se pouco no desafio que se apresenta a Tite e aos jogadores. Um desafio para o qual não há manual.

Na hipótese de vida prolongada sem companhia nos jogos, o time do Corinthians tem dois caminhos. Um é sucumbir. Sentir-se asfixiado, anêmico. O outro é elevar-se, transformar solidão em combustível, encontrar força na arquibancada vazia.

Jogar por quem não pode entrar no estádio é um objetivo fácil de identificar. Um óbvio mecanismo de motivação. Talvez não seja o melhor. Sozinho no Pacaembu, o Corinthians terá de jogar por si.

Em “titês”: oportunidade.

ANATOMIA

Há muito tempo não se via uma entrada tão perversa quanto a que Ronaldinho Gaúcho sofreu no jogo contra o Arsenal. Em quantidade de violência, irresponsabilidade e risco, a foto consegue ser ainda mais perturbadora do que o vídeo. O árbitro Martin Vazquez não mostrou cartão ao argentino Braghieri, apesar de estar perfeitamente posicionado. Custa crer que Ronaldinho não tenha se machucado com gravidade. Momento assustador.

BIOLOGIA

O mesmo tipo de falta de caráter que levou aos clássicos nas rodadas finais do Campeonato Brasileiro agora serve para que se volte atrás. A ideia de que um time não faria corpo mole contra um rival foi derrotada pela possibilidade de prejuízo intencional a um terceiro. E pelas desavergonhadas desculpas a respeito de segurança e estádios. Chega-se à triste conclusão de que nossas fraquezas venceram. E agora, no que se deve acreditar?



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