COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!

POSIÇÃO LEGAL

É equivocada a leitura de que o Corinthians pretendeu ameaçar a Conmebol, ao considerar abandonar a Copa Libertadores caso seu recurso não seja aceito. É igualmente errado classificar a opção como um blefe. A possibilidade de deixar de disputar o torneio foi cogitada na manhã de sexta-feira passada, e dividiu os participantes da reunião em que se decidiu apresentar o recurso à confederação. Há quem a defenda até agora.

Durante o dia, o Corinthians preparou a rota de saída da Libertadores. Além das consultas legais e comerciais, nomes de torcedores corintianos ilustres foram ventilados para receber um convite: escrever o manifesto em que o clube anunciaria sua decisão de renunciar à competição. Não apenas em 2013, mas para sempre. Os argumentos para a medida radical residem na indignação que domina o Parque São Jorge: de que o Corinthians foi punido, sozinho, pela necessidade da Conmebol de apresentar um culpado, ignorando os demais envolvidos.

Quando a notícia foi publicada pelo site dos canais Espn, na tarde de sábado, todas as providências para a defesa do clube já tinham sido tomadas havia muito tempo, do recurso propriamente dito às conversas do presidente Mário Gobbi com dirigentes da Conmebol e da CBF. Em nenhum momento o tom se elevou. Contam no clube que a pressão para o rompimento – que aumentou consideravelmente após a divulgação da informação – foi interna, direcionada a Gobbi, não ao prédio em Assunção.

O efeito foi o oposto. À noite, por intermédio de sua assessoria de imprensa, o presidente corintiano se manifestou negando a possibilidade de deixar a Libertadores. A decisão livrou o Corinthians de fazer um protesto depreciado, atrasado, cuja essência teria se perdido no momento em que a Conmebol negasse a defesa do clube, resposta que pode ser conhecida hoje.

A hora de se posicionar passou. Se quisesse se insurgir contra todos os defeitos da Copa Libertadores – que são muitos, alguns diretamente ligados à tragédia de Oruro – o Corinthians deveria tê-lo feito antes de entrar em campo. Como campeão do continente e do mundo, talvez como representante de ideias compartilhadas por outros clubes, com a força de sua representatividade e o peso de seu nome. O significado da renúncia não seria questionado. Abandonar o torneio após um possível recurso frustrado seria apenas isso.

No clube, há quem se recuse a aceitar que o Corinthians tem responsabilidade sobre o que houve em Oruro, apesar de tantas evidências. Na mídia e na opinião pública, há quem não consiga diferenciar responsabilidade e culpa. E acima de tudo, parece impossível levar o debate para o território do exemplo, da humanidade, do que o esporte deve ser. Quem disparou o sinalizador que matou Kevin Espada é culpado, tem de se ver com a lei. Na chamada esfera esportiva, as responsabilidades indiretas no episódio precisam ser verificadas, aceitas e penalizadas.

A punição ao Corinthians não deveria ser a única. O clube não deveria contestá-la.

TAURINA

A Conmebol deve ter recebido, e consumido, um carregamento de bebidas energéticas. Em vinte e quatro horas, puniu dois clubes brasileiros (Corinthians e São Paulo) com a mão pesada. Estranho que o Tigre, que não voltou ao gramado para o segundo tempo na final da Copa Sul-Americana, tenha sido apenas multado.

PALESTRA

Guillem Balagué, jornalista espanhol bem informado, publicou que jogadores do Real Madrid já entraram em contato com o próximo treinador do clube. O recado explicou como as coisas devem ser feitas para que seu destino não seja o mesmo de José Mourinho. Por surreal que pareça, mostra a que ponto chegaram as coisas.

DIFERENTE

Mais uma boa partida de Jadson, na vitória do São Paulo sobre o Linense. Sempre tentando a jogada mais inteligente, mesmo que seja a mais difícil. A capacidade de tratar o jogo com esse olhar é não é comum.



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