ESTUPIDEZ QUE MATA



Um menino de 14 anos morreu ontem, em Oruro, dentro do estádio em que San Jose e Corinthians jogaram pela Copa Libertadores.

Um sinalizador atingiu sua cabeça.

Para a família de Kevin Douglas Beltran Espada, não resta outra alternativa a não ser lidar com a dor e o luto que não podem ser traduzidos em palavras.

Mas o jogo não foi interrompido, a Conmebol não se manifestou, a morte foi tratada como um evento corriqueiro.

Chegamos a esse ponto.

Não. A vida não continua quando um garoto perde a dele durante um jogo de futebol.

De acordo com as informações disponíveis, não se tratava de alguém que foi ao estádio como quem vai para a guerra, disposto a matar ou morrer, como fazem tantos imbecis pelo mundo.

Não que mortes assim sejam menos horríveis. Elas apenas têm uma explicação um pouco menos revoltante.

Kevin Espada foi vítima de um sinalizador, que aparentemente partiu de torcedores do Corinthians, detidos pela polícia boliviana em Oruro.

À distância, o que se pode dizer é que as ações devem ser investigadas, as responsabilidades apuradas, os direitos e as leis respeitados.

Independentemente dos processos e dos detalhes, uma pergunta é evidente: qual é o objetivo de atirar um sinalizador na direção de um grupo de pessoas?

Não há nenhum motivo para que um caso como esse seja tratado de maneira diferente porque aconteceu dentro de um estádio de futebol.

As circunstâncias só o tornam mais estúpido.

O que está na origem dessas atrocidades é a estupidez, em seu aspecto mais cruel.

Perdemos a capacidade de detectá-la.



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