CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

DORES DA PAIXÃO

“Minha filha ficará triste quando eu contar. Ela adorava o Pirata.”

As frases fazem parte de uma troca de e-mails, no final da tarde da última sexta-feira, pouco depois do anúncio da saída de Barcos do Palmeiras. No outro teclado, um amigo, palmeirense desses que não se limitam a torcer. Sócio, benfeitor, futuro conselheiro, talvez. Em pauta, um dos aspectos menos abordados – e mais importantes – da controversa negociação com o Grêmio.

Quem mais sofreu por causa da troca foi justamente a população de torcedores que não têm condições, ou interesse, de analisar as circunstâncias, os motivos, os acertos e os erros. Para esse tipo de palmeirenses, não há razões ou atenuantes para ver Barcos com outra camisa. A situação financeira do clube não importa. As compensações, ainda nebulosas, também não.

A relação das crianças com o futebol é baseada na pureza de sentimentos. É um mundo descoberto de repente, por intermédio dos pais, onde só existe emoção. E é um mundo que, antes de ter nome ou distintivo, tem rosto. Identificados os responsáveis por tantas sensações novas, o caminho se estabelece. A conexão necessariamente passa por eles.

Barcos jogou um ano no Palmeiras. Sessenta e uma partidas, no total. É pouco para considerá-lo um ídolo, ainda que sua presença tenha sido crucial na campanha na Copa do Brasil do ano passado, momento que resgatou por algum tempo o orgulho de torcer, de exibir a camisa. Mas essa é uma leitura adulta. Para as crianças, ele era o Pirata. De certa forma, era o Palmeiras. E bastava.

Não há como pedir a elas a compreensão de que as coisas têm fim, que jogadores mudam de clube com frequência, que o fato de Barcos estar em outro lugar não significa que ele as abandonou. O Pirata foi embora, e isso é inexplicavelmente triste.

Também não há como convencê-las de que essa tristeza pode ser o preço por algo melhor no futuro, e que outros jogadores surgirão para fazê-las sorrir. Elas são leais, honestas, como todos nós deveríamos ser.

FAÇA O QUE EU DIGO

Fábio Koff tem sido uma das principais referências de Paulo Nobre, transmitindo experiência a um dirigente esportivo que não a tem. Natural que se busque aconselhamento com quem conhece o ambiente, sabe quais caminhos devem ser perseguidos e, principalmente, onde estão as armadilhas. Mas o novo presidente do Palmeiras pareceu ter sido conduzido pelo gremista na recente transação entre os clubes. Faz parte do aprendizado prático.

FAÇA O QUE EU FAÇO

O Barcelona arma uma pressão de campo inteiro, via Daniel Alves e outros intermediários, sobre Neymar. O plano é convencer o astro santista a desistir da ideia de pegar o avião apenas depois da Copa do Mundo. A estreia de Lucas na Liga dos Campeões, na vitória do PSG em Valencia, trabalha como aliada de última hora. O ex-são paulino está “vivendo o sonho”, jogando bem e recebendo elogios internacionais. Pode ser o estímulo que Neymar não tinha.



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