COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

GPS DE SÉRIE

Enquanto a jogada do ataque do Fluminense se desenrolava pelo lado esquerdo, Fred estava na grande área, fingindo-se de morto. Na órbita da marca penal, seu território favorito, levou a mão esquerda ao rosto, como se algo o incomodasse. Talvez tenha sido apenas para limpar o suor, talvez tenha sido mais um componente do disfarce. Um jogador vascaíno aproximou-se. Com o braço esquerdo, tentou manter Fred no lugar onde estava. O que se provou inútil pois o atacante do Fluminense não pretendia se mexer. Seus movimentos só se iniciaram quando Carlinhos terminou de lidar com Nei. Dois passos à frente, um para trás, e a bola o encontrou praticamente no mesmo ponto em que a marcação do Vasco o havia abandonado. Gol.

Ou melhor, mais um gol. Mais um gol que nasceu da noção de espaço e do posicionamento dos outros jogadores, capacidade necessária para a sobrevivência de um camisa 9 clássico, e que provavelmente não pode ser ensinada. Ou se tem, ou não. Aprimorá-la, aprender a usá-la da maneira mais letal, é possível. Depende de bons exemplos e senso de profissionalismo. Mas descobri-la no decorrer da carreira, como um presente providencial, é querer transformar em enólogo alguém cujo olfato é ruim. Não acontece.

Quando Fred surgiu no América Mineiro, uma espécie de pacto com o gol ficou evidente. É o que se pode dizer de um atacante que balança a rede com 3 segundos de jogo, como ele fez numa edição da Copa São Paulo de futebol júnior. Houve lances em que a impressão era de que a ordem natural das coisas tinha se invertido, a bola é que tocava nele antes de entrar. A projeção nacional veio com a camisa do Cruzeiro e gols que geraram o interesse dos franceses. Independentemente da camisa, o talento para estar no lugar certo o acompanhou.

Tente se lembrar do único gol de Fred em Copas do Mundo. Aconteceu no jogo contra a Austrália, em 2006, em Munique. Robinho chutou cruzado, a bola bateu na trave e se apresentou a Fred, a um metro da linha. Ele tinha entrado em campo aos 42 minutos do segundo tempo, o gol veio aos 44. No amistoso contra a Inglaterra, na semana passada, marcou pela Seleção em seu segundo toque na bola. Essas são ocorrências corriqueiras em sua trajetória, acontecem há tanto tempo que parece que Fred tem bem mais do que 29 anos.

Ótimo chute com as duas pernas, excelente cabeceio, fenomenal posicionamento. Arsenal que permitirá a Fred aumentar sua coleção de gols e prolongar a carreira, se suas condições físicas não o traírem. A passagem pelo Fluminense tem sido marcada exatamente pela diferença que ele é capaz de fazer. Em campo, Fred não é apenas confiável. É alguém em quem se pode apostar.

A quantidade de ocasiões em que ele aparece livre pode sugerir falhas recorrentes das defesas adversárias, sejam elas de atenção ou de memória. Situações que dizem mais sobre seus hábitos dentro da área. Fred parece inofensivo, se move sem sair do lugar, só é detectado quando é tarde. Como o gol de empate no clássico de sábado, já vimos muitos. E veremos mais.

DOIS TOQUES

MORDAÇA

Membros da antiga diretoria do Palmeiras deveriam se abster de fazer declarações públicas por, no mínimo, um ano. Se não for por senso de ridículo, que seja por amor ao clube. Entre outros motivos, o Palmeiras está na atual situação por causa do “quanto pior, melhor” que domina o ambiente. Os responsáveis pelo rebaixamento poderiam optar pelo silêncio até o time voltar para a Série A.

GIGANTES

O Real Madrid fez um bom aquecimento para a Liga dos Campeões da Uefa, que volta neste final de Carnaval. Contra o Sevilla, Cristiano Ronaldo marcou três gols que certamente assustaram seu ex-clube, o Manchester United, adversário desta quarta-feira. O Barcelona só enfrentará o Milan no dia 20, mas já mandou um recado de seis gols ao atropelar o Getafe. O primeiro foi obra de um passe escandaloso de Andrés Iniesta.



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