COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

BOLA NO SANGUE

Num esporte que passa de pai para filho, relações familiares se cruzam com os destinos de times, sonhos e troféus. Nos últimos anos, o Super Bowl parece ter sido dirigido no sentido de apresentar o jogo como metáfora da vida.

Em 2010, Peyton Manning enfrentou o New Orleans Saints, time que seu pai defendeu e pelo qual torce um de seus irmãos. Perdeu.

Em 2012, Eli Manning disputou o título na cidade em que Peyton era ídolo, contra o time de Tom Brady, rival da família nos troféus e nas estatísticas. Venceu.

O Super Bowl XLVII, neste domingo, não terá laços familiares dentro do campo, mas a temporada conspirou para um evento inédito: John e Jim Harbaugh são os primeiros irmãos a se enfrentarem no grande jogo, como técnicos.

Se houvesse problemas entre eles, o tema seria altamente sensível na semana da decisão. A NFL organiza encontros diários entre os times e a mídia, de terça a sexta-feira. São sessões longas e concorridas, às quais os jogadores e técnicos têm obrigação de comparecer. A Liga garante exposição máxima em seu momento mais importante, ao submeter as estrelas à repetição de entrevistas. E diferentemente do que se vê no futebol brasileiro, por exemplo, é raro um atleta ou treinador se negar a comentar um assunto.

Imagine dois irmãos bombardeados por perguntas relativas a questões pessoais que não gostariam de relembrar. Conflitos que não foram explorados porque não existem. Jim e John se relacionam – com o perdão da redundância – como irmãos. Sobreviventes em uma liga que não perdoa o fracasso ou a falta de sorte, costumam trocar informações sobre adversários. É como se um fosse assistente do outro (situação que gostariam de viver um dia), mas em times diferentes.

Eles trouxeram a família para o que, desde que Baltimore Ravens e San Francisco 49ers ganharam o direito de estar aqui, vem sendo chamado de “HarBowl”. Os pais, alguns tios e até o avô, Joe, de 97 anos, estavam presentes à entrevista coletiva que, pela primeira vez, reuniu dois treinadores. Normalmente, na antevéspera do jogo, cada técnico fala em seu hotel.

Jack e Jackie, os pais, ouviram dos filhos um pedido impossível de atender: aproveitem o momento, curtam o jogo. Não há como. Já sofrem antecipadamente por quem perderá, de forma mais intensa do que jamais serão capazes de comemorar a vitória do outro. Seu dia mais orgulhoso será marcado por sentimentos misturados, assim como todas as lembranças que guardarão deste domingo.

O final do jogo reserva um momento especial. O protocolo da NFL manda que os técnicos se encontrem no gramado para um aperto de mão. O Super Bowl XLVII pode terminar com um abraço, talvez com alguma emoção não contida. Uma cena que simbolizaria um encontro inédito, um retrato de como devemos aprender a lidar com os fatos do esporte e da vida.

Na infância, John e Jim Harbaugh dividiram um quarto. Na adolescência, dividiram ambições. Na profissão, dividem experiências. No Super Bowl, não poderão dividir o troféu.

POLÊMICO

O fim da carreira de Ray Lewis, linebacker do Baltimore Ravens, é outra história que será contada amanhã. A trajetória de 17 anos de um dos maiores jogadores defensivos da NFL se encerrará no Super Bowl, por opção própria. Lewis, envolvido num caso de duplo homicídio acontecido em 2000 e até hoje não solucionado, se vê diante de outra controvérsia. O dono de uma empresa de suplementos afirma que lhe forneceu substâncias dopantes para acelerar a recuperação de uma cirurgia no tríceps. A operação se deu em outubro, Lewis estava em campo menos de três meses depois. Ele teria usado um produto feito com extrato de chifre de veado (é sério), que contém alta concentração de uma substância (IGF-1) que atua de forma semelhante ao hormônio do crescimento. O IGF-1 é proibido pela NFL, mas a liga não aplica nenhum teste que o detecte.



  • anna

    O jogo sera sensacional! Boa transmissao a todos!

  • Willian Ifanger

    Realmente, o encontro dos dois irmãos ao final do jogo deverá ser o momento mais emocionante do Superbowl.

    Bom jogo pra vocês.

  • João

    Oi Andre,

    Tem uma situação curiosa acontecendo no seu blog.
    Eu só consigo visualizar seus posts novos acessando os Links diretamente (quando vc coloca no Twitter)
    Se eu acesso o seu blog pelo endereço dele (http://blogs.lancenet.com.br/andrekfouri/) o mais recente que eu vejo é seu texto “divisor”, de 25/12.
    Pensei em problemas de cache do meu browser, mas isso acontece em diversos browsers de diversos dispositivos (computador de casa, do trabalho, iPad, etc)
    Sabe se está com a
    Fim problema?

    Abraços

    • Gustavo Cintra

      Comigo está acontecendo a mesma coisa ! Acghei que era problema no meu Ipad. Ufa !

      • Anna

        Tb não consigo acessar, só pelo celular e agora pelo link do Twitter do André. O último post é o de 25 de dezembro pelo notebook.

        • Marcelo

          Aqui so resolvi atualizando os navegadores…

  • Emerson

    Quando vejo o espetáculo que são as finais de eventos como as do Super Bowl, NBA, Uefa Champions League, dentre outras, me lembro bastante dos dirigentes esportivos brasileiros…

  • Fabio

    André, estou com o mesmo problema descrito acima pelo João.

  • “Na infância, John e Jim Harbaugh dividiram um quarto. Na adolescência, dividiram ambições. Na profissão, dividem experiências. No Super Bowl, não poderão dividir o troféu”.

    André, você é um artista, cara! É o Millor Fernandes do jornalismo esportivo! Herdeiro direto de Armando Nogueira na forma literária de tratar o esporte.

    parabéns!

  • leo

    não sei porque a midia brasileira sobretudo a espn “brasil” da tanto espaço a esse esporte idiota ,perigoso , esporte american idiot . enquanto os americanos estão se lixando para o que acontece aqui ,nos escravos do imperio vamos cobrir um evento que nada tem haver conosco qe que mostra o isolacionismo americano, ate quando vamos ser capachos?

    • daniel

      Como diria o Chaves:

      Qui burro… dá zero pra ele.

    • Matias

      Pena de você, amigo. Fale o que quiser do pessoal dos EUA, mas eles sabem organizar um evento. Futebol americano só é famoso no país deles e ainda assim é o evento esportivo anual mais visto do mundo. Eles, como ninguém, sabem capitalizar a paixao nacional pelo esporte. Muito diferente do nosso brasileirao ou da “gloriosa” libertadores, cujos mandatários parecem fazer de tudo pra manter no amadorismo.

      Ainda mais, o futebol americano é tao perigoso quanto rugby ou até o próprio futebol. Se voce parar pra assistir ao jogo, nem que por 15 minutos vai perceber que existem regras. E diferentemente do nosso tao amado futebol, o futebol americano nao tem regras interpretativas. Ou está certo ou está errado. Parando pra analisar é até mais seguro jogar futebol americano.

      • Ricardo

        Futebol americano um esporte seguro? Fala serio. Um esporte que causa demencia nao pode ser considerado seguro. Glamoroso, bonito, bem organizado, tudo bem. Seguro – NUNCA!
        Tanto e que o proprio presidente dos EUA nao gostaria que seus filho praticasse esse esporte. Eu mesmo fui a uma conferencia sobre “Brain injuries” em Nova York e o proprio ex-capitao do NY Giants, Harry Carson, que era um dos membros do painel, declarou que nao PERMITIRIA seu filho jogar futebol americano porque ele sabe da situacao da saude de varios de seus ex-colegas de profissao.
        Futebol americano e tao selvagem como box e UFC.

        • Julio

          Você sempre tem a opção de não se envolver com o esporte.

  • Marcel de Souza

    Se a substância é proibida, mas não há testes para detectá-la, tem como um atleta ser pego e punido por seu uso? Fiquei curioso com esse detalhe.

    AK: Sem teste, é quase impossível. E a carreira dele acabou ontem. Um abraço.

    • Ricardo

      Ray Lewis e um lixo. Esteve envolvido em um caso de assassinato e usou de seu status (como muitos fazem no Brasil) para se safar e ainda ajudar a seus amigos criminosos que estao soltos ate hoje.
      Depois vem essa imagem de homem religioso e tal. Um hipocrita. Um lixo.

      • Julio

        Claro, e você claramente tem o direito de julgar uma pessoa sem conhecer a verdade. Você é um cara legal e nada hipocrita.

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