CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

MUITO COL

No ano passado, Ronaldo foi convidado para participar de um programa de televisão. Sua resposta negativa baseou-se na linha de perguntas com as quais ele certamente teria de lidar, situação que poderia gerar certo incômodo. “Sabe o que é… ele é muito jornalista”, disse um dos maiores atacantes da História, hoje empresário dos negócios do esporte e membro do Comitê Organizador Local da Copa de 2014.

Se por um lado é difícil compreender o que significa alguém ser “muito jornalista” (talvez tenha a ver com fato de os “pouco jornalistas” serem numerosos), é simples entender a decisão de Ronaldo. Aos olhos dele, expôr-se na televisão é uma oportunidade de tratar apenas do que é interessante, conforme o momento e as conjunturas. Interessante para ele, claro. Qualquer abordagem que desvie dessa rota, digamos, mercadológica, não é conveniente. É por isso que certas figuras públicas preferem ambientes que tenham sido preparados por seus estafes. Ou que, tamanha a dose de camaradagem envolvida, dispensem tal preocupação.

De qualquer forma, é um direito. E a partir do instante em que um ex-jogador do quilate de Ronaldo passa a atuar no mundo corporativo, é natural que se comporte de acordo com o que é bom para os negócios. O que se deveria evitar são os papéis conflitantes, e as declarações que mais parecem atuações ensaiadas, como as que Ronaldo ofereceu no evento de divulgação do pôster do Mundial do Brasil.

Ronaldo é uma pessoa inteligente. Ao dizer que é hora “de todos se unirem, inclusive a imprensa” pelo sucesso da Copa, ele revela desconhecer as atribuições e obrigações de jornalistas diante de qualquer assunto. Em se tratando de um evento baseado na utilização de recursos públicos em grande escala, tais obrigações se acentuam. Ontem, no Rio, Ronaldo soou como José Maria Marin. A comparação é ruim para ele.

“O povo brasileiro precisa de alegria” foi o ponto mais baixo. Ronaldo é capaz de fazer uma lista de prioridades mais urgentes.

NOVIDADE

A reportagem da France Football (parceira da Fifa, veja só, no prêmio “Bola de Ouro”) sobre o processo de eleição do Catar para sede da Copa de 2022 apresentou os suspeitos usuais e uma surpresa: Michel Platini, que nega seu envolvimento na feira de votos. De olho na Fifa, o presidente da Uefa costuma dizer “Eu sou o futebol. Ele, a política”, sobre Joseph Blatter. A história pode chamuscá-lo. Pelo jeito, ninguém liga para o futebol.

PIRÂMIDE

Enquanto não houver controle independente sobre as entidades esportivas, esquemas como o da Copa do Catar continuarão a ser tramados. O modelo de organização de grandes competições foi idealizado e posto em prática de modo a captar e distribuir dinheiro. É simples assim. Um esquema replicado de cima para baixo, nas associações nacionais e federações, com valores diferentes mas o mesmo objetivo. Ninguém larga o osso, por que será?



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