NÓ TÁTICO



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Este é Colin Kaepernick, quarterback do San Francisco 49ers, na capa da “ESPN The Magazine”.

Ele está em seu segundo ano na NFL, ganhou a posição durante a temporada e fará o terceiro jogo de playoff de sua carreira no domingo, no Super Bowl.

Mas Kaepernick é mais do que um quarterback sortudo por receber sua oportunidade no momento em que o titular do time, Alex Smith, sofreu uma concussão.

Ele é a razão do sucesso de uma novidade tática na NFL, algo que não acontecia há muitos anos.

A “pistol offense” dos 49ers tem deixado defesas confusas e desorientadas, numa liga em que o estudo de vídeo de adversários é uma obrigação quase neurótica.

O sistema, baseado numa formação diferente em que o quarterback fica mais perto da linha de scrimmage, e o running back se posiciona atrás dele, foi criado por um técnico da Universidade de Nevada, em 2004.

A ideia é dar ao quarterback o controle total do movimento de ataque, com opções a cada vez em que recebe a bola, em vez de apenas executar a jogada combinada.

A proximidade da linha ofensiva permite que o quarterback leia o comportamento da defesa e tome a melhor decisão. O passe, o jogo corrido com o running back ou correr com a bola ele mesmo.

O San Francisco 49ers de 2012 não é o primeiro time a utilizar a “pistol offense” (o Washington Redskins, que também tem em RG3 um quarterback móvel, é adepto), um sistema que serve como recurso para momentos em que o quarterback, por lesão, enfrenta dificuldades de locomoção.

Mas os conceitos empregados só têm sucesso quando as capacidades de lançar e correr estão reunidas na mesma pessoa.

Esta pessoa é Colin Kaepernick.

Seu braço direito é confiável e, apesar do 1m93, ele é extremamente ágil e rápido.

Acima de tudo, tem um admirável QI de jogo, qualidade indispensável para processar tantas informações depois do snap da bola e escolher a opção certa.

Como nada acontece por acaso, Kaepernick jogou na Universidade de Nevada, escola em que a “pistol offense” foi inventada.

O fato de conhecer o sistema certamente o ajudou a se manter como titular e trazer os 49ers a Nova Orleans.

Há quem diga que é preciso ver mais para formar uma opinião sobre Kaepernick, que tem apenas 16 jogos em sua carreira profissional.

Mas Jerry Rice, o maior receiver de todos os tempos, me disse hoje que está convencido. “Ele tem um bom braço, compostura em campo e corre muito. Na nossa tradição de quarterbacks, com caras como Joe Montana e Steve Young, eu entendo que ele é uma mistura desses jogadores. E é mais forte e mais rápido”, afirmou.

Nestes playoffs, Kaepernick derrotou o Green Bay Packers correndo com a bola. Na semana seguinte, virou a chavinha para o jogo corrido para vencer o Atlanta Falcons. Os jogadores de San Francisco comentam sobre a confusão provocada nas defesas adversárias, especialmente aquelas que ainda não se depararam com esse tipo de ataque.

Independentemente do resultado do jogo, será muito interessante ver o que a defesa do Baltimore Ravens, liderada por Ray Lewis, fará para conter Kaepernick e a “pistol offense”.

É fascinante que uma novidade tática tenha tamanho impacto numa liga como a NFL.



  • Hey André!

    Na verdade, novidades táticas têm impacto em qualquer lugar.

    Abraço!

  • Emerson

    Acho os 49ers favoritos. A franquia de São Francisco certamente foi a que mais poder demonstrou dentre todas na NFL. Só não cravo, no entanto, uma passeio sobre os Ravens, porque este time de Baltimore parece estar iluminado, que o digam os então favoritos Broncos e (o meu) Patriots…

  • André,

    Bacana, sempre trazendo coisas novas para nós.

    Qual seu palpite para o jogo? E qual sua torcida?

    Abraço!

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