COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

BORDA RECHEADA

Durou mais de três horas a reunião do Comitê Executivo da Conmebol, que se eximiu de aplicar as punições devidas aos responsáveis por abortar a final da Copa Sul-Americana. Os melhores garotos-propaganda que um fabricante de tinturas acaju (nada contra, apenas uma constatação) poderia encontrar decidiram transferir a missão para outras pessoas, em outro momento.

Leóz, Grondona, Marin… os grandes líderes do futebol no continente se reuniram em Assunção (PAR) e aumentaram a fama da Pizzaria Conmebol. As ocorrências de São Paulo x Tigre serão analisadas em janeiro, com a Copa Libertadores de 2013 quase em andamento, o que impede a aplicação das sanções previstas em regulamento, como interdição de estádios ou até a exclusão de clubes de competições. A decisão que não terminou irritou profundamente a confederação, mas, ao que parece, não a ponto de estimular qualquer atitude.

O São Paulo gostou da não-decisão. O Morumbi está liberado para receber o jogo de ida da primeira fase da Libertadores, contra o Bolívar, provavelmente no dia 23/1. O Tigre certamente gostou mais, já que sua inclusão na tabela do torneio acaba com a possibilidade de punição por W.O. As diretorias dos dois clubes se encontraram no Paraguai e decidiram deixar o episódio no passado.

Ao contrário da final da Copa Sul-Americana, o jogo de bastidores entre São Paulo e Tigre nem começou. O clube argentino não se sentiu constrangido ao pedir a anulação do título são-paulino, formalidade que já nasceu morta. O clube brasileiro levou à reunião uma defesa baseada em acusações que não conhece, documento que não foi apreciado pelos membros do Comitê Executivo. Eles simplesmente resolveram não iriam resolver nada.

Por mais aborrecida que seja a aplicação do Direito a episódios esportivos, o que a Conmebol concebeu nesta semana deixará juristas de cabelos em pé. Um tribunal – denominado Comissão Disciplinar – foi formado para discutir fatos anteriores à sua instalação. Um desrespeito aos princípios mais básicos da matéria. Uma nova era na arte de simular providências.

Quando a tal comissão finalmente se ocupar do que aconteceu no Morumbi, os ingressos para São Paulo x Bolívar já estarão vendidos, e o Tigre estará se preparando para enfrentar o Deportivo Anzoátegui. Restará aos auditores (um deles será Caio Cesar Vieira Rocha, vice-presidente do Pleno do STJD) determinar multas aos clubes. Ou não fazer nada, o que não é muito diferente.

Como produto da noite de 12 de dezembro, espera-se que a Conmebol coloque no papel as obrigações dos clubes no que se refere ao tratamento de adversários. Envio de ingressos, treinamento na véspera de jogos e aquecimento no gramado. Transgressões devem resultar em multas pesadas. A confederação se diz preocupada com o clima de vida ou morte em jogos de futebol na América do Sul.

Clima que ela ajudou a criar, e, ao deixar de tratar a final da última Copa Sul-Americana com a seriedade que o episódio merece, só faz estimular.

CRUEL

Se o sorteio da Copa Libertadores 2013 foi maldoso com um clube brasileiro, esse clube é o Grêmio. Iniciar a temporada com um jogo nas alturas de Quito não é o que se recomenda para ninguém. A partida contra a LDU (que não é boa como já foi, mas não é boba) deve alterar os planos da pré-temporada gremista, para que um dos principais objetivos do ano não se complique logo no início. Se tudo der certo, uma vaga no mesmo grupo do Fluminense aguarda o time gaúcho. Libertadores fácil não existe, mas também não precisa começar assim.

SÉRIO?

Como explicar o fato de Arnaldo Tirone anunciar a permanência de Barcos no Palmeiras, e ser desmentido pelos assessores do jogador minutos depois? De duas, uma: ou o presidente do Palmeiras foi vítima de sabotagem ou tentou constranger o atacante. Seja qual for a resposta, é inacreditável. Simplesmente inacreditável.



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