COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

2012

Na noite de 23 de maio de 2012, aos 18 minutos do segundo tempo no Pacaembu, os dedos da mão esquerda de Cássio impediram o que fatalmente seria mais um momento devastador para o Corinthians na Copa Libertadores.

Ao resvalar na bola chutada pelo vascaíno Diego Souza, e desviar seu rumo por gigantescos centímetros, o goleiro preservou o 0 x 0 e manteve seu time no jogo. Quase 25 minutos depois, Paulinho, de cabeça, fez o gol que impulsionou o Corinthians para o título continental.

Na manhã de 16 de dezembro de 2012, aos 39 minutos do primeiro tempo, os dedos de Cássio – agora da mão direita – voltaram a decidir. O chute do nigeriano Victor Moses não foi rasteiro como o de Diego Souza, mas foi igualmente desviado para escanteio. No segundo tempo, Paolo Guerrero, de cabeça, fez o gol que deu ao Corinthians o título mundial.

Defesa de Cássio com as pontas dos dedos, gol de Paulo (ok, Paolo) de cabeça. Combinação que o corintiano, campeão sulamericano e bicampeão mundial, conhece bem.

O Corinthians e seus milhões de torcedores – no Brasil, no Japão, no planeta Terra e no resto da Via Láctea – jamais esquecerão do ano de 2012. Doze é o número da camisa da torcida que lota estádios para ver seu time. Em São Paulo, em Toyota, em Yokohama. É o número do dia, do mês e do ano da estreia do time no Mundial de Clubes da Fifa. É o número de anos que separam os dois títulos mundiais do Corinthians. É o número da camisa de Cássio.

A maior honra do futebol de clubes foi conquistada no aniversário de 22 anos do primeiro título brasileiro do alvinegro, em 16 de dezembro de 1990, no Morumbi. Naquela tarde, como na manhã de ontem, o adversário também era superior em termos técnicos e individuais. Também foi inferior em todos os aspectos pelos quais se pode analisar um jogo de futebol. Também perdeu por 1 x 0, com um gol no segundo tempo.

Naquela época, o Corinthians não tinha organização, estrutura, patrimônio. Tinha apenas uma camisa que entorta varais e uma relação umbilical impressionante com a arquibancada. Forças que o carregaram por décadas, que o tornaram temido, que agora se juntam a uma gestão que permite sonhar com o impossível. Teu passado é uma bandeira; teu presente, uma lição.

A maneira como este Corinthians comandado por Tite vence e conquista reflete o crescimento do clube. É um time, no sentido literal da palavra. Atua coletivamente nas duas dimensões do jogo, utiliza as virtudes individuais para desequilibrar encontros. É quente, sério, forte, inteligente, orgulhoso.

O ano de 2012 foi mesmo o ano da libertação. Não há melhor termo. O Corinthians descobriu que querer é poder, que é dono de suas vontades e de seu tamanho, que determina seus limites. Como sempre, o caminho foi mostrado por quem lhe tem no coração, ao cruzar o planeta e se fazer ver, ouvir e sentir no Japão.

O ano de 2012 não vai terminar. Mas se as profecias apocalípticas estiverem corretas e o mundo acabar em breve, os corintianos não reclamarão. A ordem das coisas no futebol ficará como deve, com o Corinthians no topo.

INVASÃO, SIM

Constrangedoras as tentativas de diminuir a dimensão e o significado da presença da torcida do Corinthians nesta edição do Mundial de Clubes. Depoimentos de quem esteve nas anteriores, no formato atual ou na época da Copa Intercontinental (igualmente importante, lógico), atestam a inédita magnitude do deslocamento que seu observou em Toyota e Yokohama. A questão é que tais depoimentos nem seriam necessários, uma vez que as imagens e os sons são tão claros. Comparações entre públicos totais em estádios não refletem o que é mais importante e não respondem as perguntas principais: quando foi que se viu, nesse tipo de jogo, um estádio tomado por torcedores de um time brasileiro, antes da semana que passou? Em que outro momento se viu e ouviu um estádio japonês como se ele fosse brasileiro? Opiniões não deveriam tentar desmentir fatos.



MaisRecentes

Perversidades



Continue Lendo

Arturito



Continue Lendo

Terceirão



Continue Lendo