COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

MENTE SÃ

Os jogadores do Corinthians não se surpreenderam ao conquistar a Copa Libertadores. Nas comemorações no gramado do Pacaembu naquela noite de 4 de julho, não se viu nenhum corintiano reagindo de maneira apoteótica, como se não acreditasse no que estava acontecendo. Alegria, êxtase, até lágrimas. Mas longe do arrebatamento que é fruto de uma emoção inesperada.

A resposta contida a um título imensurável não deve ser creditada ao profissionalismo, ou à ausência de envolvimento emocional com a conquista. Apenas revelou a forma como o time se preparou para decidir o torneio, como pensava a respeito do adversário, o Boca Juniors, e como acumulou confiança após empatar o primeiro jogo em Buenos Aires.

O Corinthians – jogadores e comissão técnica – queria enfrentar o time argentino na decisão. Apesar do histórico imponente de troféus erguidos, muitos deles em solo brasileiro, o estilo de jogo do Boca era o preferido por uma questão de encaixe. A Universidad de Chile, oponente dos argentinos nas semifinais, praticava um jogo coletivo que sugeria muitas dificuldades. O Boca interpretava um futebol mais pausado, com Román Riquelme envolvido em todos os movimentos, sob medida para o sistema defensivo corintiano.

O empate na Bombonera foi a peça que faltava para convencer os jogadores de que o título seria conquistado no Pacaembu. Pelo resultado, que não obrigaria o time a se recuperar no placar agregado e correr mais riscos em casa, e pela comprovação, em campo, de que era perfeitamente possível conter o Boca Juniors. Na chamada “noite da libertação”, Cássio fez apenas uma defesa.

Um dos aspectos mais interessantes de uma final de Mundial de Clubes é a questão psicológica. O jogo é um evento ímpar, especialmente para os times sulamericanos. Há o contexto de Davi e Golias, um adversário que só se vê pela televisão, e os vários problemas gerados por um confronto inédito. Quando mundos diferentes se chocam, não existe parâmetro, experiência ou lição de casa que permita antecipar como as coisas acontecerão. A partida transcorre na tentativa e erro.

Claro que a análise do oponente ajuda uma equipe a se preparar para o tipo de jogo que enfrentará. Mas o encontro com jogadores de fama internacional pode ser uma distração, como ficou evidente no comportamento de alguns santistas diante do Barcelona, no ano passado. O Internacional, em 2006 contra os catalães, e o São Paulo, ao enfrentar o Liverpool no ano anterior, mostraram a atitude correta e – não por coincidência – voltaram campeões.

O Corinthians terá de resolver muitos problemas neste domingo, em Yokohama. Lidará com um time mais valioso e mais talentoso em termos individuais. Lidará com a própria maneira de encarar uma situação especial. E com os efeitos do desconhecido.

A favor, a capacidade de um grupo que se entende e se fortalece, o currículo de jogadores importantes e o notável apoio que virá das cadeiras do estádio. Se o time se comportar como fez no Pacaembu no dia 4 de julho, estará um pouco mais perto de seu sonho.

TESE

É indiscutível que o Chelsea, em momento bom ou ruim, é o favorito para ser campeão mundial. Favoritismo supõe teoria e, neste campo, a balança pende para o representante europeu. Mas poderia ser muito pior. Dos quatro semifinalistas da última edição da Liga dos Campeões, os outros três seriam adversários mais assustadores para o Corinthians. O campeão da América está mais distante do Real Madrid, do Bayern e principalmente do Barcelona do que do Chelsea. As chances seriam menores.

MAIS TESE

Fatores que podem pesar a favor do Corinthians: a diferença de entrega do jogador brasileiro nesse tipo de jogo, em comparação com o jogador europeu. O conhecido impacto do fuso horário no desempenho físico do time europeu, que sempre chega ao Japão mais tarde, no segundo jogo. E divisão de responsabilidade, maior para os ingleses.



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