CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

MORNO

Apocalipse, 3:16.

“Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca”.

Tite, católico praticante, certamente conhece o trecho da Bíblia. Há de ter lembrado dele durante o segundo tempo da estreia do Corinthians no Mundial de Clubes, ao ver o time aceitar com placidez a presença de egípcios em seu campo.

É necessário retroceder para contragolpear. As linhas de pressão têm de estar recuadas para que o oponente avance. A essência do plano é controlar os movimentos do adversário, levando-o a crer que é ele quem comanda as ações. Contra-ataque é surpresa, indução ao erro, punição. O primeiro passo deve ser dado para trás.

O Corinthians o deu. Conseguiu, no primeiro tempo, o gol que aumentou consideravelmente a perspectiva de uma vitória sossegada. Na tese aplicada várias vezes por esse mesmo time, a segunda parte do jogo seria dedicada a uma das armadilhas mais antigas do futebol: convidar o Al Ahly a buscar o empate e aproveitar o campo que quem ataca fatalmente oferece.

Executar apenas metade da ideia significa ficar encaixotado na defesa, sob constante agressão. Há aspectos táticos (sistema de marcação), técnicos (saída de bola) e físicos (intensidade) envolvidos nesta falha coletiva. O Corinthians só não pecou na tarefa de se defender. O bloqueio diante da área impediu a entrada dos egípcios, que recorreram aos chutes de fora. O gol de Cássio não foi seriamente ameaçado.

Mas a transição para o ataque foi defeituosa e, acima de tudo, o time perdeu a rotação que o caracteriza. Foi brando, morno. A queda de temperatura só não é mais preocupante do que suas razões. Se foi um resultado do momento físico dos jogadores, voltará a acontecer na decisão. Mas essa possibilidade é improvável, uma vez que o Corinthians se preparou adequadamente para o torneio.

Deve ter sido o efeito da “fobia da estreia” contra um time inferior, quando a responsabilidade de vencer – e bem – compromete o que foi combinado. A postura do adversário, em situação oposta, aumenta a dificuldade.

O domingo tende a ser melhor.

POSSE

A imagem da torcida do Corinthians se apoderando do estádio em Toyota já era esperada, mas não deixou de ser impressionante. O deslocamento de corintianos para o Japão produziu uma cena inédita e histórica. Algo que não se vê, por exemplo, em jogos da Seleção. Não importa quantos eram, quantos foram ou quantos já estavam lá. As cenas e os sons anexaram o estádio ao território brasileiro. Ou melhor, ao território corintiano.

POSE

A imprensa britânica “gostou” da atuação do Corinthians e entrou em modo de deboche. Há quem entenda e tenha anunciado que a final será um passeio para o Chelsea, se o time inglês chegar. Rafa Benítez não é um treinador que dispensa a análise de adversários, ao contrário. Mas se os jogadores entrarem no oba oba, o Corinthians ganhará um reforço para a decisão. No jogo contra o Monterrey, saberemos se o Chelsea fez a lição de casa.



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