VERGONHA SULAMERICANA



Eu gostaria de falar de futebol.

Por exemplo, a ajeitada de Lucas na bola, com o lado externo do pé direito, no lance do primeiro gol.

Ou a forma como o São Paulo estabeleceu a verdade em campo, contra um time inferior.

Também gostaria de falar sobre momentos.

Por exemplo, o gesto de Rogério Ceni ao ceder a Lucas a satisfação de erguer a taça.

Mas não posso.

Não sem antes tratar de mais uma vergonha do futebol sulamericano, mais uma vergonha da Conmebol, mais uma vergonha num encontro entre brasileiros e argentinos.

Algo que faz surgir o que há de mais feio, em comportamentos e análises. E suja o que deveria ser protegido e preservado – o futebol.

Tudo acaba sendo direcionado para a mesma lata de lixo: “entre Brasil e Argentina é assim mesmo”. Diagnóstico miserável para um problema em que todos têm culpa.

Ônibus apedrejados, vestiários sem água, aquecimentos proibidos, ingressos negados, provocações entre dirigentes, brigas entre jogadores. E agora temos uma decisão pela metade.

Coisas que só acontecem porque quem faz acha que “faz parte”,  que “eles merecem”, e sabe que nada acontecerá.

E quem tem condição e obrigação de impedir, se omite.

O que houve ontem no Morumbi não começou na semana passada, na Bombonera. Começou há décadas, e permanece emporcalhando jogos de futebol porque somos assim.

Lá e aqui.

Aplicamos o princípio da reciprocidade quando somos mal tratados na casa do adversário, sem perceber que nos rebaixamos ao nível rasteiro que não deveríamos nem cogitar.

Brasileiros e argentinos. Argentinos e brasileiros. Entre nós, é assim mesmo.

No geral, no “placar agregado” da História, todos têm culpa. O jogo está empatado.

Ontem, o que pude apurar:

Os jogadores do Tigre, descontrolados como foi fácil de perceber no final do primeiro tempo, passaram pelo túnel quebrando tudo. Eram muitos, titulares e reservas.

Houve, sim, tentativa de invasão do vestiário do São Paulo, que no momento era protegido por três seguranças.

Apanharam bem.

Outros seguranças chegaram, o que obviamente aumentou a proporção da briga.

A Polícia Militar foi chamada e acabou com o conflito na base da força.

É óbvio que gente se machucou dos dois lados. Ou enquanto brigava entre si, ou quando a polícia aplicou a solução.

Jogadores e dirigentes do Tigre dizem que foram ameaçados por um revólver, alegação que deveria ser o ponto central de uma investigação séria – e utópica – sobre os fatos.

Se o Tigre veio para jogar bola ou arrumar confusão (acredito na segunda hipótese), importa menos. Não foi a primeira vez, não será a última, e não justifica que o jogo não tenha terminado.

Se o São Paulo entrou na pilha e permitiu uma escalada de problemas extracampo (acredito que sim), também importa menos. Também não justifica que o time argentino não tenha voltado para o segundo tempo.

A não ser, é óbvio, que alguém – segurança ou policial – tenha apontado uma arma para um membro da delegação do Tigre.

Se isso aconteceu (não acredito, mas não duvido), é gravíssimo.

Mas se o time argentino percebeu que levaria uma goleada e encontrou um meio de melar o jogo (hipótese que não pode ser descartada), também é grave.

Em lugares sérios, a verdade tomaria o lugar das versões e os envolvidos seriam punidos. Por aqui, na América do Sul, jamais conheceremos a verdade e as punições, se houver, serão do tipo faz de conta.

É possível que São Paulo e Tigre se encontrem na Copa Libertadores do ano que vem, talvez até no mesmo grupo. A Conmebol é capaz dessas coisas.

E vamos tocando a vida, permitindo que episódios como o de ontem ofusquem a noite em que Lucas fez uma jogada de Muller e marcou um gol de título.

E depois levantou a taça, por gentileza de seu capitão, em seu jogo de despedida.

No intervalo de uma final que não terminou.

 



  • Gustavo

    Concordo que fica difícil falar do lado bom do futebol depois de um espetáculo deplorável como aquele. Mas acho que já é tempo de reconhecer a incrível trajetória de um profissional menos reconhecido do que merecia.

    Ele foi campeão mineiro com o Ipatinga, ganhou a Copa do Brasil com um Flamengo que vivia longo jejum de títulos nacionais, ultrapassou o recorde de vitórias consecutivas que deu ao Atlético (PR) o apelido de Furacão, ganhou a série B com o Coritiba e trouxe o São Paulo de volta ao podium internacional depois de longa abstinência. Tudo isso com idade de principiante no professorado.

    Sem alarde, sem badalação, sem mídia e sem marketing pessoal, mais parece o Rivaldo de agasalhos.

    Abraço.

    • Roberto

      Cara, sensacional o seu comentário.

      Eu gosto muito do Ney Franco tbem. Pelo jeito simples dele (não sei se vc se lembra dele cantando no programa do Galvão) e obviamente pelos resultados rápidos que obteve no SPFC. É um técnico consistente e vitorioso.

      Ano que vem ele tem outro desafio grande. Vai ter que arrumar o time sem um dos melhores jogadores do Brasil. Estou curioso pra ver o resultado.

  • Bruce

    André, mas o que vc acha que deveria ter sido feito? Apontar que todos erraram é fácil. Difícil é citar soluções plausíveis. Imagine que em vez da pedra vc fosse o telhado: o que faria pra evitar a confusão no jogo de ontem?

    Podemos especular muita coisa, mas nada tira do Tigre a imagem de time violento e covarde, que em momento algum jogou futebol.

    Pedir que são-paulinos continuassem apanhando e tratando argentinos a pão-de-ló é bonito, e fácil pra quem está de fora.

    AK: Isso. E assim as coisas continuam iguais. Um abraço.

    • Roberto

      André, vc que é do meio deve ter algumas idéias: Qdo um time resolve partir pra agressão física insistentemente, como deve proceder o outro time? O “qdo um não quer dois não brigam” é meio óbvio, mas foi isso que o SPFC fez ao se trancar no vestiário, não? Tbem desceu rapidamente pra evitar um conflito maior em campo. Depois que foi até onde foi (com jogadores cercando os seguranças pra entrar no vestiário do SPFC) dava pra fazer algo diferente do que deixar a PM resolver o conflito?

      É muito difícil imaginar que o Tigre foi uma vitima passiva. A partir do momento que geraram o conflito a conclusão do mesmo era meio óbvia (gente machucada). Se fizeram isso sem pensar são um bando de amadores (nenhum time sério deixaria seus jogadores chegarem até esse ponto), se fizeram de maneira premeditada a única motivação aparente é o cancelamento do jogo que perdiam. A segunda hipótese me parece mais plausível, apesar de colocar o time em um patamar de “maldade” absurdo.

      AK: Não creio que o time do São Paulo tenha feito algo errado. Um abraço.

  • David

    Perfeito.

    O pior de tudo eh que quem iniciou toda a confusao (Tigre), foi tambem quem no final resolveu apelar. E soh conseguem isso porque sao pequenos. Eh obvio que um Boca Juniors ou River Plate com tanto a perder, pela grandeza de sua reputacao, nunca fariam o mesmo. Eh como o terrorista kamikazi que nao da valor a propria vida na hora de afetar a dos outros.

    Ao envergonhar todo um continente por fazer uma final acabar no meio, eles nao perdem nada. Pra falar a verdade, ganharam mais publicidade em 24 hrs do que nos mais de 100 anos de sua historia.

    Outra nota triste foi a atitude da Fox Desportes, que eh o canal oficial de futebol sulamericano tambem aqui nos EUA. Enquando a Fox Brasileira foi elogiada por procurar informacoes e mostrar os dois lados, essa Fox internacional, comandada por reporteres e comentaristas argentinos, simplesmente nao mostrou a comemoracao do titulo pra soh ficar dando tons gramaticas as alegacoes do time argentino, deu discursos distorcidos e parciais contra arrogancia e prepotencia Brasileira dizendo que nao sabem perder e que quiseram ganhar na forca bruta, como se nao tivessem apanhado o jogo todo e mesmo assim abrido 2-0 no placar e na bola. Uma vergonha. Nao se viu uma entrevista com membro brasileiro sequer durante a transmissao. Enfim, alem de toda a confusao armada pelo Tigre, seus compatriotas armaram outra de suas inconsequentes e anti-eticas atitudes, fazendo-se transmitir pelo mundo fatos distorcidos que fardassem os Brasileiros de completos e UNICOS viloes. Nao exagero em uma palavra. A propaganda da transmissao foi de se fazer dos Brasileiros os unicos culpados pela vergonhosa final da copa sulamericana. Inacreditavel e inaceitavel.

  • Fernando

    Ótimo texto, André. Um oásis no meio de tanta bobagem escrita e falada desde ontem. Ninguém ganhou com a confusão, ninguém. Ouvindo as declarações dos jogadores do Tigre, fica evidente que eles contavam com a anulação da partida. Ficaram surpresos e extremamente decepcionados com a declaração do SPFC como campeão. Assumiram que um novo jogo seria marcado e se deram mal. Mas como não tinham nada a perder, fica por isso mesmo. Desrespeito com 70 mil pessoas, entre elas centenas de argentinos que saíram de seu país para acompanhar 45 minutos de catimba pura. Triste noite para meu filho de 11 anos, que esta acostumado ao Morumbi, mas não a cenas de violência policial, invasão de campo (que absurdo, não via isso desde a Libertadores de 93), jogo interrompido. Uma pena, tinha tudo para ser uma noite de festa.

  • Fabio

    Andre,
    Otima abordagem, sou são-paulino, estive no Morumbi e sai decepicionado. Perdemos a oportunidade de dar Olé por mais 45 minutos e enfiar 8 neles. Como esportista, é isso que queremos ver do nosso time numa final.
    A impressão que eu tenho, é que eles não vieram jogar futebol e o São Paulo (clube como um todo) estava com os animos acirrados desde a Argentina (refletiu na questão do gramado, aquecimento etc.). Sinceramente até ai tudo bem. Seria muito melhor uma organização de Champions, mas não temos, quem sabe um dia.

    Outros fatos tem que ser investigados por saem da normalidade até do histórico sulamericano. E a investigação tem que ser feita, se não pelo São Paulo, ou pela policia, pela imprensa.

    Revólver – Vocês estão todo dia no CT e em todos os jogos no Morumbi e fora. Vocês viajam junto com a delegação. Alguma vez um segurança do São Paulo esteve armado ?
    O porte de arma por seguranças tem que ser registrado, é fácil apurar.

    Local da briga – A briga se deu na porta do vestiário do São Paulo que eles tentaram invandir. Entertanto eles desceram pelo tunel B, e teriam que passar pelo saguão ou pelo vestiário do juiz para chegar lá. Normalmente estes lugares estão cheio de jornalistas e curiosos. Estabelecer qual foi a dinamica é importante para determinar a motivação da ação da policia.

    Para encerrar.

    Você trabalha na ESPN, uma empresa que tem filial na Argentina e outros paises. Seria o ideal uma investigação que incluisse um jornalista argentino, um brasileiro e pelo menos mais um de país terceiro (que esteviveram presentes ontem). Sem isso, qualquer coisa que for escrita por um lado ou outro será jogada na vala do nacionalismo barato.

    Da uma olhada no portal Olé, pra ver o nível dos comentários de lado a lado.

    AK: Nunca vi segurança armado. O que não garante nada. A investigação deve(ria) ser feita pela Conmebol, que é quem organiza o torneio. Jornalistas devem publicar o que sabem/descobrem. Um abraço.

  • Roberto

    André,

    Excelente texto. Realmente não existem fontes confiáveis para os fatos, mas parece mesmo que o conflito aconteceu e que a PM teve que se envolver para acabar com esse conflito.

    Se acreditarmos que o conflito havia escalado muito (parece que foi o caso, até com utilização de pedaços de banco e o que mais tinham à mão) minha dúvida é por que nessa situação uma arma ter surgido é tão grave. Se um PM tem sua integridade física ameaçada por um indivíduo com um pedaço do banco na mão, não deveria sacar sua arma? Não tenho certeza como é o procedimento padrão nesse caso (posso estar bem errado).

  • Marcel de Souza

    Se de fato o Tigre não tivesse motivos para se recursar a volta, eles deviam tomar um punição exemplar, do tipo perder a vaga em competições internacionais por alguns anos e outras coisas piores. Me parece que o São Paulo também merece algum tipo de punição.

    O fato é que o que deveria ser uma festa, uma volta às conquistas depois de tanto tempo, vai acabar ficando marcado pela palhaçada que aconteceu. Uma pena!!

  • Joao

    Andre,

    Sobre o final do episódio, nao sei como poderia ser resolvido sem força bruta. Como voce mesmo relatou, pelo visto a confusão parecia uma batalha medieval dentro do vestiario, porque os jogadores do Tigre queriam invadir o do SPFC….. Não posso condenar a policia por eventualmente ter que mostrar uma arma para controlar a situação, visto que a barbárie estava instalada… Nesses casos o numero de policiais é inferior ao de baderneiros, e a policia nao conseguiria colocar a ordem simplesmente pedindo “por favor”…
    O discurso de todos para que as pessoas sejam mais respeitosas não pode ser aplicado a baderneiros que se vestem de atletas.. Esse time tem é que tomar um belo de um gancho para que nao ocorra novamente, o que duvido que a Conmenbol faça…

    Abraço,

  • Thiago Mariz

    André,

    eu acredito que a questão da arma deva ser colocada dentro de um contexto. É óbvio que existam outros meios de conter indivíduos violentos, mas, no caso do segurança, se é permitido que eles portem armas e se eles portam (o que deve ser apurado, claro), não consigo perceber o absurdo de tentar conter 20 pessoas violentas com uma arma. Se a eles possuem o porte de armas, não conseguem manter o ambiente por causa deles e precisam de algo a mais para alcançar a ordem, a arma não é um meio? É óbvio que é um risco e tanto, mas se não querem correr esse risco, não se utilize, então, armas em estádios de futebol.

    Sinceramente, o Tigre me pareceu um time argentino de 20, 30 anos atrás, quando valia todo tipo de catimba. Por isso, permanece pequeno. Tem um treinador que chama o adversário de cagão, covarde, coisa que o valha, porque não brigaram só na pancadaria. É um palhaço (utilizaria adjetivo pior, só que não acho que seja permitido). No que deu pra perceber desse time vindo do passado, a sequência dos fatos seria: jogadores revoltados com a derrota quebram tudo, seguranças do SP tentam contê-los, a pancadaria de Tigre x SP se torna Tigre x Seguranças do SP, alguns jogadores do Tigre apanham e aí entra a encenação desonesta, rasteira de que foram espancados, com direito a colocar manchas de sangue na parede (pra mim, é bem óbvio que as manchas foram colocadas das pequenas lesões que tiveram na briga, afinal é sangue demais pra os jogadores estarem tão inteiros). Depois disso, aproveitaram para dar a partida como encerrada e manipular todo o foco das notícias. A questão da arma entraria como um perigoso adendo para o São Paulo, caso seja verdade. Entretanto, ela deve ser colocada em um contexto.

    Bom, mas diante de tudo isso, eu fico com a certeza que tenho há muitos anos: somos iguais aos argentinos. Achamos que o argumento “ele que começou” é válido. E achamos isso não a nível de torcedor, mas a nível institucional, de quem justifica mal-tratar jogadores do Tigre (sem aquecimento em campo, entre outras coisas), porque “ele que começou”. É atitude infantil. Então, argentinos e brasileiros continuarão acusando-se mutuamente, sem que nenhum dos lados tenha razão. Não existe “the bigger man” aqui.

    AK: Não há contexto aceitável para o uso de uma arma na situação em questão. Nem a polícia age assim. Um abraço.

    • Thiago Mariz

      Era essa a minha dúvida, se os policiais ficam armados nos estádios. A outra é: no caso de não conter, como você acha que os seguranças deveriam proceder?

  • Paulo Pinheiro

    Meus pitacos:

    1. Vi entrevista do Rogério Ceni e vejo alguns torcedores afirmando que o SPFC ia golear no segundo tempo. Como assim? O jogo estava apenas 2×0 e um dos gols foi marcado em impedimento! Ninguém pode afirmar o que vai acontecer no segundo tempo. Futebol não é lógico. O Tigre não mostrava nenhum poder de ataque, mas a defesa não estava tão frágil assim.
    2. A acusação dos argentinos é de que seguranças (e não policiais) usaram de armas para ameaçar os jogadores do Tigre. A defesa do dirigente são-paulino é de que os seus seguranças não possuem armas, e a sua prova “A” é a de que eles não têm porte de arma. Prova? O que?
    3. O SPFC não é o clube do “gás no vestiario”? Não é o clube do goleiro que foi alvejado por uma pilha, que nunca existiu? Não é o clube que em 1988 seu então presidente afirmava que o campeão de 1987 era o Flamengo mas hoje, procurador do clube, afirma que o campeão é o Sport para o SPFC ficar com a taça das bolinhas? Não é o mesmo clube que fazia esquema com gandulas para atrasar o jogo quando o time estivesse evitando tomar gol? Aí vem outra pergunta: o SPFC tem credibilidade?
    4. Foi o show da Madonna a desculpa para não permitir que o adversário fizesse reconhecimento de gramado? Será que foi a Madonna também que mandou apedrejar o ônibus deles? Teria sido ainda a material girl que não quis sequer permitir um simples aquecimento no gramado antes da partida? Volta a pergunta: o SPFC tem credibilidade?
    5. Eu não vi o Tigre “batendo o jogo todo” como querem mentir por aí. Houveram jogadas viris pelos dois lados (jogadores do SPFC também tomaram cartão amarelo). O que houve foi um lance com o Lucas onde o árbitro sequer apontou a falta. E eu não estou convencido se o choque foi acidental ou provocado. Depois disso o Lucas provocou os adversários com a mão na cintura antes de uma jogada. Isso, óbvio, não justifica a violência de ninguém. Mas provocação, como o nome já diz, espera reação.

    • Bruno

      Nossa, como tem gente que fala besteira ….

      • Paulo Pinheiro

        Nossa, como tem gente que, por não ter argumentos, dá respostas evasivas!

        • guilherme beyrodt

          André, algumas dúvidas para você esclarecer através de seus superpoderes de jornalista:
          1- Por que o São Paulo não deixou o Tigres se aquecer ou reconhecer o gramado? Qual a norma da Conmebol quanto a isso? Lá em Buenos Aires houve essa medida que justificasse a reciprocidade ( não me lembro de ouvir algo parecido por parte do São Paulo em jogo internacionais)?
          2- Os seguranças do São Paulo podiam estar ali? É normal ter um bando de gorilas no tunel do vestiário. Isso me chamou muito a atenção. Na globo deu pra ver que em determinado momento (durante a espera do time retornar) saem vários seguranças do tunel do vestiário, vestidos de terno e se colocam ao longo do gramado. Não me lembro de ter visto algo parecido antes.
          3- nenhum video da pancadaria? a comissao do tigres tinha mais de 20 pessoas , nenhuma sacou o celular?
          4- nenhum repórter entrou naquele corredor? Como assim? o bicho mais chato do universo é repórter!!! Vira e mexe tem documentarista filmando o time do tricolor, como pode esse caso não tem ninguem como testemunha?

    • Roberto

      Cada besteira que escrevem. Se toca, torcer contra é uma coisa, delirar e falar coisas sem nexo é outra! Os marginais do Tigre desmentiram eles mesmos dizendo que não teve arma na confusão no depoimento na delegacia.

      • Paulo Pinheiro

        Limite-se a argumentar. Fazer suposições sobre quem eu sou ou os motivos pelos quais estou falando é inútil para o debate.
        Se não tem argumentos, apenas “atacar” os argumentos de outrem não elucida nada. Minhas questões permanecem no ar.

        Sobre a delegacia, é preciso ver QUEM viu a arma apontada e QUEM foi prestar depoimento. Se foi a mesma pessoa, com certeza há uma inconsequência também a ser punida. Mas se foram pessoas diferentes, não podemos colocar tudo num saco denominado “marginais do Tigre”. Isso sim é sem nexo.

    • Marcelo Morais

      Prezado Paulo Pinheiro,

      Voce tem toda razao: ninguem pode afirmar o que aconteceria no 2o tempo. Mas acho que seu argumento sobre a defesa nao ser fragil se tornou irrelevante, dado que o SPFC vencia o jogo por 2 x 0 ao fim do primeiro tempo (o impedimento existiu mas, sejamos francos, voce precisou do tira teima para dizer que houve impedimento, nao?). Ou seja, o SPFC nao precisaria partir loucamente para o ataque, ficando exposto ao contra-ataque (que, a proposito, nao parecia muito organizado). Eh certo que lateral direito do SPFC foi expulso, mas o tecnico recompos a defesa tirando um atacante, entao ainda assim o SPFC deveria ter um sistema defensivo completo.

      Sim, o SPFC eh o time do gas, da pilha (cujo goleiro foi punido, se nao me falha a memoria), e o que entrou na ridicula e infundada disputa pela taca de bolinhas. E voce tem razao em outros pontos: impedir o time visitante de se aquecer no gramado, com ou sem show de Madonna, ou apedrejar o onibus dos visitantes eh uma atitude rasteira, que beira a covardia.

      Ainda assim, nao vejo sentido em criar confusao no final do 1o. tempo e nao voltar a campo alegando que nao havia “condicoes de jogo”. Nunca fui jogador profissional (nem amador, na verdade), mas acho que eh preciso exigir um minimo de profissionalismo de um time que disputa uma competicao internacional, mesmo que esta seja vista como secundaria. Profissionalismo este que o adversario do SPFC nao demonstrou ontem.

      • Paulo Pinheiro

        Marcelo,

        Perfeito. Também acho que a “lógica” apontaria para uma garantia de resultado com certa facilidade no segundo tempo para o SPFC. O que estou contestando é a forma como o Rogério Ceni e outros jogadores (e muitos torcedores) deram como fato que o segundo tempo reservaria uma “goleada”. Foi por isso minha observação sobre a defesa do Tigres não ter tomado tanto vareio de bola assim. O que estava extremamente frágil era o ataque deles mesmo, que não parava com a bola no pé.

        Também acho que falar sobre a “vida pregressa” do SPFC não justifica uma recusa a entrar em campo e duvido que os jogadores do Tigre levaram isso em conta. Eles alegaram a questão de segurança, o que justifica plenamente, por mais profissional que você seja (ou até justamente por você ser profissional). Desculpem, mas se eu vejo minha segurança ameaçada não vai ser um burocrata engravatado da CONMEBOL descendo o túnel e dizendo “podem ir que eu garanto” que vai me fazer mudar de idéia. Se vocês mudariam de idéia fica aqui respeitada a opinião de vocês.

        Quando citei aqueles fatos foi pra que não tomemos as declarações dos dirigentes são-paulinos como “verdade absoluta”, posto que – em minha opinião – não é um clube de credibilidade. No meu modo de ver um clube que rasga documentos que assina só pra obter uma taça não merece confiança alguma. E a CONMEBOL deveria levar isso em conta em sua decisão (novamente: opinião minha). Eu levaria se tivesse o poder de decidir.

  • Bruno

    “Aplicamos o princípio da reciprocidade quando somos mal tratados na casa do adversário, sem perceber que nos rebaixamos ao nível rasteiro que não deveríamos nem cogitar.”

    A frase que resume o texto. Perfeita análise!

  • Anna

    Mas o São Paulo não era um time diferenciado? Lamentável o que aconteceu!

    • Marcelo Morais

      Essa de “time diferenciado” eh uma antiga maxima. Acho que o SPFC perdeu a chance de se tornar um real exemplo no marketing, na adminstracao e no tratamento aos torcedores nos ultimos anos. Sou bem critico da atual adminitracao, que perde muito tempo em discussoes e preocupacoes tipicas de torcedores ao inves de explorar o potencial de negocios do clube dada sua torcida e abrangencia.

      Ontem vimos um um exemplar unico do que pode ser chamado anticlimax. Estadio lotado para uma final de campeonato – depois de seis anos, SPFC indiscutivelmente superior ao adversario (o que nao significa vitoria, que fique claro), expectativa, jogadores demonstrando vontade de vencer, despedida de um novo idolo. Acho que por tudo isso, me emocionei ao ver o primeiro gol e vibrei muito com o segundo gol. Fazia tempo que nao vivia essas sensacoes. Que foram enterradas pela forma melancolica como a partida terminou (?!?!).

      Vivenciando o anticlimax: ao inves de querer vestir meu filho (de 5 meses) com a camiseta do meu time esta manha, estou pensando seriamente se quero mesmo incentiva-lo a se apaixonar por futebol.

  • Antonio

    Acabo de ler no UOL que no depoimento à polícia o Tigre não citou a tal arma.

  • Gustavo

    Oi André,
    Estou acompanhando todas as notícias e opiniões sobre o insólito caso e tentando entender o que aconteceu desde ontem na hora do jogo. Sou sãopaulino, mas fiquei decepcionado com a interrupção do jogo e a princípio envergonhado de algo assim ter acontecido na nossa casa. Meu filho de 9 anos foi dormir sem saber quem tinha ganhado e perguntou no dia seguinte porque eu não comemorei, como explicar um acontecimento deste?
    Acredito na essência do seu texto, temos que melhorar o nível do futebol sulamericano e tentar fugir do “olho por olho, dente por dente”, já que somos o país mais importante do cointinente, mas a conclusão que cheguei é que é um caso tipo Rojas e fogueteira, uma farsa.
    Por que acho isso:
    – O São Paulo, se não me engano, é o time brasileiro que mais jogou a Libertadores, não lembro de nada assim acontecendo no Morumbi.
    – Já saíram notícias que no BO dos argentinos a tal arma de fogo com a qual eles foram ameaçados sumiu. Ou seja é mentira do dirigente deles, que falou ao vivo na Fox que eles foram ameaçados.
    – Eles estavam perdendo de 2 e iriam tomar mais.
    – O Lucas mostrou um algodão ensanguentado para o argentino, e isso foi tomado por parte da imprensa como uma provocação grave… ora, ele nem encostou no cara, se a cotovelada foi sem querer, bastava pedir desculpas ou até ficar quieto. Teve pisão, porrada sem bola e nenhum sãopaulino (fora o LF, claro) revidou. E olha que até o Pelé dava seus revides…
    – Eles perseguiram os brasileiros até a porta do vestiário, não o contrário. Eles que chutaram em campo, não o contrário. O São Paulo não queria que eles entrassem no campo para aquecer, mas eles entraram mesmo assim.
    – O sangue no vestiário era menos que o que saiu do nariz do Lucas…
    – Vi a saída do time, ninguém tinha cara de assustado nem de olho roxo. Mesmo nas imagens da Fox argentina eles mostram o sangue na parede, mas ninguém machucado de fato.
    – A polícia não é sãopaulina, deve ter 75% de corinthianos, palmeirenses e santistas e não confirma a história deles.
    Então, mesmo que o São Paulo não tenha sido santo na história, fica escancarado que os caras queriam mesmo tumultuar.
    Hoje na ESPN vi que um caso semelhante no Brasil – de abandono de jogo – aconteceu há 70 anos…temos muitos problemas no Brasil, principalmente com o calendário, mas coisas neste nível só acontecem na 4a divisão.
    Concluo que o que eles fizeram é uma vergonha, se eu fosse dirigente da Commebol, os suspendia por alguns anos, pois não se deixa 62 mil pagantes, mais alguns milhões de telespectadores com um anti-climax que nem este numa final de competição.
    E, deixando de lado o politicamente correto, a cultura da malandragem, que existe aqui, é bem pior lá. Lembro do caso do Maradona contando sobre a água que deram pro Branco, em plena Copa do Mundo, como se fosse uma grande vantagem.
    Gostaria muito que o caso ficasse bem esclarecido, pois entendo como uma calúnia que suja a imagem do São Paulo e do Brasil. Já temos sacanagens verdadeiras suficientes que temos que cuidar, mas tenho convicção que nessa somos apenas vitimas.
    abs

    • Paulo Pinheiro

      É confirmado que eles realmente tentaram invadir o vestiário do SPFC?

      Ou será que quem invadiu foi o cara que soltou o gás e jogou a pilha?

  • Willian Ifanger

    No dia que alguém nos fizer o favor de publicar um livro com todas suas colunas e posts, e espero que não demore muito, esse texto tem que estar presente.

    Toda essa meia-barbárie proporcionada pelos clubes no jogo de quarta (e em tantos outros jogos) é reflexo da total e absoluta incompetência da Confederação Sulamericana.

    Alguém já imaginou o que pode acontecer num próximo confronto entre os dois clubes?

    • Paulo Pinheiro

      Provavelmente o Tigre vai adotar a tática do São Paulo de ter seguranças no gramado.

      “Just in case”.

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