COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

SOB O OLHAR DE KIDIABA

O Todo Poderoso Mazembe, de triste memória para o torcedor do Internacional, prestou um serviço inestimável ao futebol sulamericano em dezembro de 2010. Ao eliminar o time brasileiro do Mundial de Clubes da Fifa daquele ano, os congoleses garantiram que os futuros campeões da Copa Libertadores jamais chegarão ao Japão pensando apenas na final. A humilhação sofrida pelo Inter serve como alerta de que é preciso vencer um jogo antes do encontro com os europeus.

Não foi a confirmação definitiva de que não há mais bobos, pois ainda há e sempre haverá. Foi a lembrança de que o esporte em geral, e o futebol em particular, são ambientes que rejeitam a soberba. De vez em quando, alguém paga um preço alto, que serve como punição exemplar. Por ter acontecido com um time brasileiro, o recado é mais significativo por aqui, na forma de “cuidado, olha o Mazembe…” toda vez que um torcedor esfrega as mãos pensando na chance de vencer o representante da Liga dos Campeões da Uefa. O Mazembe e a imagem do goleiro Kidiaba comemorando gols (certo, André Lima?) estarão presentes em todas as edições do Mundial de Clubes, independentemente de disputá-las ou não.

O candidato a Mazembe de 2012 é o Al Ahly, campeão africano. O time egípcio se colocou no caminho do Corinthians ao vencer o Sanfrecce Hiroshima por 2 x 1 na manhã de ontem, sem mostrar nada que o atual campeão da América não conhecesse. Tite pediu e recebeu relatórios detalhados sobre todos os potenciais adversários no torneio. O Al Ahly, em sua quarta participação no Mundial (perdeu para o Inter em 2006, quando ficou em terceiro lugar), foi bem observado. O conteúdo ajuda a garantir que se o Corinthians cair na semifinal, será porque foi superado, em um jogo, por um time inferior. Evento relativamente comum no futebol. Já o fracasso por falta de conhecimento ou seriedade não tem explicação. A tranquilidade do torcedor corintiano reside no método de trabalho de Tite, um treinador que não cogita pecar por omissão.

A novidade deste Mundial está na chance do surgimento de um outro tipo de Mazembe. Diferentemente do ano passado, quando não havia discussão sobre o status do Barcelona como melhor time do mundo, o Chelsea se agarra a um favoritismo teórico. O time inglês curte uma crise vocacional desde que conquistou a Europa pela primeira vez. Tentou estabelecer um sistema de jogo que oferecesse mais do que sacrifício defensivo e contra-ataque, mas a impaciência de Roman Abramovich abortou a experiência. Com Rafa Benítez no lugar de Roberto Di Matteo, o Chelsea se parece com aquelas mansões construídas mesclando conceitos arquitetônicos, sem conseguir transmitir o que pretendem.

O encontro dos ingleses com o Monterrey (3 x 1 no Ulsan Hiunday, também ontem) é ainda mais desnivelado do que a outra semifinal. Levando-se em conta o histórico das participações mexicanas no torneio (o próprio Monterrey não conseguiu ficar entre os quatro no ano passado), a balança pende claramente contra os campeões da Concachampions. Desde que, é claro, o Chelsea se preocupe em saber quem enfrentará e deixe suas questões internas fora do campo. Mas não se deve descartar a possibilidade de, num período tão turbulento, o Monterrey não ter recebido a devida atenção.

Cuidado. Kidiaba estará olhando.

CASA DO FUTEBOL

Bonita festa de inauguração (fora a imbecilidade dos arruaceiros, claro) do novo estádo do Grêmio, no sábado à noite. A casa gremista não foi construída para a Copa do Mundo e, mesmo pronta e funcionando, não receberá jogos da Copa das Confederações. Mas é um exemplo de estádio brasileiro “padrão Fifa” que não sofrerá com problemas de ocupação e contribuirá para o avanço do futebol no país. Não se pode dizer o mesmo sobre alguns dos palcos da Copa de 2014.

GÊNIO DO FUTEBOL

Já pensou se o jogador com mais gols marcados no mesmo ano fosse natural do Rio de Janeiro e se chamasse Lionel Messi da Silva? Quantos pachecos tentariam diminui-lo por “enfrentar zagueiros medíocres”? Quantas cobranças ele sofreria por “não ter ganhado uma Copa sozinho”? Quantos brasileiros simpatizantes do Real Madrid o achariam inferior a Cristiano Ronaldo (que é craque, diga-se)?



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