CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

OCUPAÇÃO

Não diga que você se surpreendeu com a sugestão da CBF para aproveitar alguns estádios construídos para a Copa do Mundo. É mais uma manifestação do nosso jeito de fazer as coisas. Ou seja, de qualquer jeito.

Quem não vê problema em construir estádios de última geração em locais onde não existe futebol, não poderia ter outra ideia senão levar o futebol a eles, como se fosse uma missão humanitária. Seduzir os clubes a disputar jogos oficiais longe de suas casas soa como a parte simples do negócio. Para a maioria, basta ouvir o tilintar.

Brasília, Manaus e Cuiabá, para citar os casos mais gritantes, não têm futebol para oferecer ao público e justificar os palcos cinco estrelas que, após a Copa de 2014, se transformarão em enormes espaços para aluguel. Não que seja impossível utilizá-los em diferentes tipos de eventos, mas por mais eficiente que seja o aproveitamento – o que é duvidoso – não há como maquiar uma verdade: eles não foram erguidos para receber feiras e shows.

Ficarão vazios e indisponíveis para o futebol brasileiro e suas competições. A não ser que o projeto itinerante da CBF encante os clubes e promova jogos “beneficentes”, válidos por torneios oficiais.

A prioridade dos principais clubes do Brasil deveria ser aumentar a taxa de ocupação dos estádios. Criar as condições para uma experiência que as pessoas façam questão de repetir. Só é possível quando as raízes locais são fortes e bem tratadas.

Os alemães, donos dos estádios mais ocupados do futebol mundial, são especialistas na área. Estimulam a presença de torcedores com ingressos baratos. A famosa “muralha amarela”, setor do estádio do Borussia Dortmund, recebe 25 mil pessoas, em pé. Custa 190 euros pelos dezessete jogos em casa do atual campeão da Bundesliga, e mais as três datas da fase de grupos da Liga dos Campeões. São 11 euros por jogo, resultado de uma política de preços destinada a proteger torcedores jovens, de menor poder aquisitivo.

O Dortmund faturaria 5 milhões de euros anuais se colocasse cadeiras naquela parte de seu estádio. Prefere ter 25 mil torcedores gritando.

ATENÇÃO

Arnaldo Tirone, presidente do Palmeiras, disse ao Estadão que o elenco do clube está entre os cinco melhores do Brasil. Enquanto isso, mais de 20 jogadores deixarão o Palmeiras até o início da próxima temporada. Tirone também declarou ao jornal que o Palmeiras foi rebaixado por falta de sorte, num campeonato de 38 rodadas. Deve ser a fase da negação, explicada pelos psicólogos. Ou então é plataforma eleitoral, para enganar desavisados.

INTERROGAÇÃO

Entre a presidenta-vereadora (que não é mais nenhuma coisa, nem outra) e o candidato que prometeu trazer Kaká (perguntou a ele?), os eleitores do Flamengo aparentemente fizeram bem ao escolher Eduardo Bandeira de Mello. Será o novo presidente capaz de administrar esse colosso do futebol brasileiro com a competência que o clube merece? Com o profissionalismo que os dias atuais exigem? Com a honestidade a que o torcedor tem direito?



  • Emerson

    1) Só me surpreenderei com algo que venha da CBF, no dia em que ela tomar uma decisão que seja favorável ao futebol.
    2) Sobre o Tirone: 22 derrotas em 38 jogos, haja azar!
    3) O Flamengo tem chances de construir um belo time de futebol, no médio prazo, se souber aproveitar a molecada que tem hoje. É preciso para tal, algo que não se vê na Gávea há muuuuuito tempo: competência administrativa.

  • Alexandre

    Essa eu li no blog do Janca, e vou copiar na cara dura:
    Na ditadura o lema era: “Onde a Arena vai mal, um time no Nacional”.
    Hoje o lema é: “Onde a Arena vai mal, um time do Nacional”.

  • Matheus

    A Copa que “sairia” do bolso da iniciativa privada mostrou-se um fardo para os cofres públicos, e ainda há muito dinheiro a ser injetado nela. Sempre os políticos defendendo o legado que a Copa nos deixaria. Bom, vejo que esse “legado” chegou cedo. Há uma vantagem em se estar discutindo isso agora, faltando ainda cerca de um ano e meio para o início do torneio: Temos a oportunidade de discutir exaustivamente como vamos admirar nossos elefantes pós-copa. Porque essa estória de levar jogos para esses centros pode até durar uns dois anos, mas não perdurará para sempre, visto que os contratos de publicidade que os clubes estão fechando são grandes demais para abraçar tal “missão beneficente”. Soluções como criação de torneios amistosos entre os clubes estarão nas pautas como planos emergenciais, não tenho dúvidas, como também não tenho dúvidas que alguma mente inteligentemente burra irá dar a ideia salvadora: Precisamos levar à 1º divisão o Mixto, o São Raimundo e o Brasiliense.

    Tirone está só brincando AK, você é que não tem senso de humor.

    Não conheço o novo presidente do Fla, mas ele terá que se esforçar muito para ser pior que a ex-nobre deputada e presidenta.

    • flavio

      Enquanto a parte “esperta” da população ficou amaldiçoando somente o estádio do corinthians, como se fosse o único que tivesse empréstimo do BNDES, estes elefantes brancos estavam sendo erguidos e ninguém falava nada. Pobre povo brasileiro que deixa a inveja a um clube tapar outras verdades que ocorrem ao seu redor. Agora chorem todos, pois uma coisa eu tenho absoluta certeza. A ARENA CORINTHIANS NUNCA SERÁ UM ELEFANTE BRANCO!! VAI CORINTHIANS!!

      • É claro que não, o tem torcida, já os clubes desses estádios não têm. Dããã…

        Putz, que burro, dá zero pra ele! 😛

      • Matheus

        Cara, cê não faz ideia de como isso é chato. Aproveitando que vc falou no estádio do Corinthians, lembro a você que este também é um fardo para os cofres públicos, não pelo empréstimo junto ao BNDES, mas pelos imposto que não foram arrecadados. O Palmeiras teve esse mesmo privilégio na arena deles?

      • Nilton

        e o Pacaembu vai ser o que??
        Apenas mais um elefante branco, e se não estou enganado entre os estadios privados o do Timão será o mais beneficiado pela acões do poder publico (sem considerar o patrocinio que o “Lula” arrumou para a camisa). e Se não me engano sempre houve barulho por caso dos elefantes brancos (o Juca, entre tantos, fala isso desde que foram escolhidas as cidades sedes)

  • Anna

    Para mim, futebol é para o povo, logo os ingressos têm que ser baratos. Não dá para serem exorbitantes e deixar o povão longe de sua maior paixão. Bom final de semana, Anna

    • flavio

      Torcida abastada tem que pagar caro e torcedor pobretão tem que pagar barato. Tem jogo de timeco por aí em que cobrar-se um ingresso a R$10,00 está muito bem pago!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  • Willian Ifanger

    Pra mim, um “gênio” ali da CBF compartilhou do “insight”: “Vamos fazer igual a NFL e a NBA que levam seus jogos pra outros lugares e lotam estádios”.

    E, pro nosso azar, os cartolas vão adorar a ideia porque com certeza os convites virão cheio$ de benefício$, bajulaçõe$ e favorzinho$ futuro$.

    E esse presidente do Palmeiras é um toupeira.

    • Pô, Will, zoa a toupeira não, véi… mó maldade…

  • Alexandre Reis

    André, da só uma lida do grupo que irá cuidar do Mengão a partir de 1º janeiro:

    Eduardo Bandeira de Mello (profissional do BNDES),Wallim Vasconcellos (também ex-BNDES, atualmente no mercado financeiro), Carlos Langoni (ex-presidente do Banco Central), Rodolfo Landim (ex-presidente da BR Distribuidora), Rubén Osta (presidente da Visa), Flávio Godinho (sócio-diretor da EBX), Luiz Eduardo Baptista (presidente da Sky), Rômulo de Mello (presidente da Cielo), David Zylbersztajn (DZ Negócios) entre tantos outros.

    Realmente é um momento de esperança que o profissionalismo passe a reinar no mais querido.

    Da-lhe Mengão.

    Abs

    • flavio

      Haja roubalheira!!!

    • Matheus

      é muita estrela pra pouca constelação. Se tivesse o Maluf você ia estar comemorando “Maluf(ex prefeito e ex governador de SP, Atualmente proibido de deixar o país)

  • thiago

    Alexandre pelos cargos exercidos pelas pessoas que assumiram, e pelo tamanho da torcida que o flamengo tem, o clube tem tudo para sair dessa situação, porque se a patricia fica mais um ano, com certeza o flamengo seria mais um clube grande a cair para a série B, visto como exemplo o palmeiras que recentemente brigou por titulo do brasileiro, foi campeão da copa do Brasil, e caiu devido a má gestão, falta de força nos bastidores, e outras mil trapalhadas, agora em realação a CBF os cluber deveriam se unir, criar uma liga independente da CBF, e adotar o calendário Europeu e assim faturar mais e ter um melhor planejamento, além de diminuir o poder desse bando de ratos que comandam o futebol brasileiro e a CBF, que acha que a CBF cuida apenas da seleção.Abraço.

    • Paulo Pinheiro

      Thiago,

      Já conhecemos essa história. Vou te dizer o que vai acontecer se os clubes criarem sua liga independente.

      A CBF vai criar um campeonato paralelo com os clubes que “sobraram”, vai obrigar o campeão da “Liga” a disputar com o campeão dela (CBF) pra ver quem será campeão brasileiro. A Liga, ÓBVIO, não vai aceitar tal heresia. O campeão não comparecerá pra jogar com o da CBF, haverá W.O. A CBF vai declarar o seu “anão-campeão”, o STJD vai dizer que o campeão é o da Liga, aí o “anão-campeão” vai à Justiça comum, que, nas instâncias mais provincianas, vai conseguir ganho de causa.
      Em resumo: não vai funcionar. Tem que extinguir a CBF primeiro.

  • Dennis

    Parece que o Grêmio fez algo parecido na nova Arena, mantendo um espaço parecido com uma “geral”. Tomara que dê certo e sirva de modelo para outros clubes.

  • flaminas

    Se isso de jogar em outro estado acontecer! a maior verdade do futebol Brasileiro vai acontercer, ou a maior mentira vai ser descoberta! Corinthinas se tiver a segunda maior torcida do Brasil e devido ao estado de São Paulo, pois se jogar corinthians e vasco em qualquer lugar do Brasil. e até sacanagem! vasco time nacional, corinthians time estadual.

    • Ednei Gonçalves Marcos, Jaraguá do Sul (SC) – 58a

      E ai você acordou do sonho e viu que a realidade é totalmente diferente… E começou a ficar assustado e preocupado vendo que a liderança de vocês neste quesito está seriamente ameaçada, falo neste porque em todos os demais já foram ultrapassados de há muito pelo TODO PODEROSO TIMÃO…

  • RENATO77

    Ouvi de um jornalista de Porto Alegre, no Redação Sportv, que a nova Arena Gremio teve empréstimo do BNDES aproveitando a linha de crédito de obras para a Copa 14, é vero AK?
    Abraço.

    AK: Escrevi sobre isso. Não é exatamente a linha de crédito para a Copa, mas um financiamento que já se praticava. Um abraço.

  • José A. Matelli

    Arnaldo Tirone apresenta claros sinais de severo embotamento mental. Até aí tudo bem, a natureza não é igualmente generosa com todos. O problema é uma das cinco maiores agremiações futebolísticas do Brasil ser presidida por alguém assim.

  • Ricardo Medeiros

    Já foi ver o Federer?

    AK: Na quinta. Errou demais, meio decepcionante para quem o viu jogar competitivamente. Mas valeu. Um abraço.

  • t.

    desculpe, mas a fifa permite que torcedores assistam a jogos em pé, na europa? então, porque no brasil…

    em vez de tal medida um tanto ridícula, a cbf poderia mudar a fórmula da copa do brasil (melhor seria a do brasileiro), reduzindo a final a um jogo somente, numa sede previamente escolhida, desde o início do torneio. assim, o estado, a cidade e o estádio poderiam ser promovidos, numa grande campanha envolvendo vários setores etc. apenas uma idéia.

    íbson, léo moura e renato abreu esperam ansiosamente por notícias da nova administração. nós, torcedores, esperamos ainda mais, por não renovação dos contratos.

    AK: Não, a Fifa não permite torcedores em pé em nenhum lugar. Meu argumento não é por setores sem cadeiras, mas por preços mais baixos. A ideia da final da Copa do Brasil em jogo único é interessantes. Mas mesmo se fosse adotada, não resolveria o problema de aproveitamento dos estádios construídos onde não existe futebol. Um abraço.

    • t.

      Oi, André!

      É que lembrei da já saudosa geral do Maracanã ao ler torcedores em pé (se bem que, aqui, dificilmente alguém assiste a jogo sentado, mesmo na arquibancada).

      Infelizmente, a cultura brasileira tem enorme dificuldade quanto a preços baixos, seja onde for, não acha? Fora isso, por exemplo, no Engenhão, nem há espaço para torcida mista.

      Sobre a final, obviamente não resolveria. Nada, aliás, resolveria, a princípio, pois nem deveriam ter sido construídos. No entanto, já é alguma forma de movimentar. Gosto dessa idéia de cidade sede da final porque é uma valorização do futebol como esporte e espetáculo.

      AK: Também acho. Um abraço.

  • Paulo Pinheiro

    AK, a África do Sul mostrou exatamente o que acontece com estádios “deslocados”: Abandono, desuso, depreciação. Duvido que a Copa do Mundo, por mais dividendos que tenha levado àquele país, tenha compensado o que foi gasto.
    Tenho 41 anos e por muitos deles desejei uma Copa do Mundo no Brasil. Ainda adolescente ficava imaginando: “Uau! Sede em Porto Alegre, eles jogando em dois baita estádios, sede em MG, o Mineirão lindão, no RJ e em SP nem se fala…”. E por aí eu sonhava.
    Bem, por uma época eram mesmo belos estádios. O Brinco de Ouro já foi considerado o melhor gramado do país, por exemplo.
    De lá pra cá, além da manutenção ineficiente (ou inexistente) daquelas arenas também aumentaram as exigências das entidades (algumas delas pura frescura, na minha opinião, outras importantes) e eu fui perdendo esse desejo. Sinceramente, conseguiram me fazer lamentar que a Copa tenha vindo pra cá…

  • Paulo Pinheiro

    Sobre Arnaldo Tirone… não dá pra comentar…

    Sobre o Flamengo: não sei se essa administração conseguirá cumprir a hercúlea missão de colocar o Flamengo onde merece (na realidade, merece um lugar MUITO grande), mas se eu não estiver enganado é provavelmente a melhor equipe administrativa já montada pelo rubro-negro nas décadas mais recentes.
    Isso não resolve tudo. Com todas as boas intenções, terão que enfrentar o grande atraso que o Flamengo tem: seu conselho deliberativo, com seus eméritos, beneméritos e outros cânceres que prejudicam, seja por interesses espúrios, seja por seu pensamento retrógrado.

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