A HORA DO TIGRE BEBER ÁGUA



Há duas maneiras de analisar, sob o ponto de vista são-paulino, o primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana.

Resultado e desempenho.

Empatar em zero a zero, fora de casa, numa decisão contra um time argentino sempre foi e será bom.

A forma como se chegou ao empate é que merece críticas, principalmente porque há uma diferença técnica bem considerável entre os dois times. Uma diferença que o São Paulo deveria ter feito aparecer em campo.

O Tigre foi o time que eliminou o Millonarios, que foi o time que eliminou o Grêmio. As copas, torneios em mata-mata, produzem enfrentamentos em que a superioridade técnica muitas vezes é nivelada por outros fatores.

Os times chamados de “copeiros” são os que se adaptam ao que o adversário oferece, anulam seus pontos mais fortes, agarram-se ao que fazem melhor e lutam do começo ao fim.

O Tigre é copeiro? No currículo, não.

Nas atuações que temos visto nesta CSA, sim.

De modo que chamou a atenção quando alguns jogadores do São Paulo celebraram, nas redes sociais, a classificação do time argentino para a decisão.

Talvez eles tenham valorizado o fato de o Morumbi ser o palco do segundo jogo (seria o inverso numa final contra o Millonarios), uma viagem mais curta, um jogo fora de casa sem os efeitos da altitude.

Talvez eles considerassem o Tigre um time mais fraco.

De toda forma, aos olhos dos jogadores argentinos – e é evidente que esse tipo de coisa circulou – a manifestação dos são-paulinos serve como estímulo, ao estilo do ditado “cuidado com o que desejas…”.

Em campo, o São Paulo sabia exatamente o que iria enfrentar.

É por isso que não há como explicar o amadorismo de Luis Fabiano. Para um jogador com a trajetória internacional que ele ostenta, cair numa armadilha tão velha é um erro infantil.

A expulsão de LF amplifica as dificuldades que o São Paulo terá no Morumbi, no dia 12. A história do jogo, como quase sempre, será contada por algumas pequenas histórias.

Como um time relativamente inexperiente lidará com a pressão de vencer em casa, o que não conseguiu fazer contra LDU de Loja e Universidad Católica?

Como Ney Franco resolverá o problema da ausência de Luis Fabiano?

Como Lucas lidará com seu último jogo no Morumbi?

O São Paulo tem 3 jogadores capazes de transformar jogos. Um está no gol, o outro não estará em campo, e o outro fará sua despedida.

Necessidade de vitória simples, em casa, contra um oponente inferior é uma boa situação para uma decisão.

Mas deveria ser melhor.



MaisRecentes

Voltando a Berlim



Continue Lendo

Passo adiante



Continue Lendo

Futebol champanhe



Continue Lendo