COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

AGENDA SECRETA

Emociona a confiança da CBF no sucesso da Seleção Brasileira na Copa de 2014. O otimismo dos cartolas transpira em decisões tomadas de forma a minimizar o impacto da campanha do Brasil no Mundial em casa. Política e interesses particulares pautam a agenda do velho novo comando do futebol no país, como de costume.

Em março deste ano, uma negociação com a Associação Nacional de Futebol Profissional do Chile revelou como a atual diretoria da CBF acredita no título em 2014. Uma das primeiras medidas importantes de José Maria Marin foi acertar a troca de sede da Copa América de 2015. No rodízio estabelecido pela Conmebol em 1987, o torneio seria no Brasil, enquanto o Chile teria o direito de organizar a competição em 2019. Marin tratou da inversão com seu colega chileno, Sergio Jadue, que esteve em São Paulo no final daquele mês.

A explicação oferecida para não realizar a competição em 2015 não resiste a poucos minutos de conversa. A CBF argumenta que a sequência de torneios internacionais de futebol no Brasil (Copa das Confederações em 2013, Copa do Mundo em 2014 e Copa América em 2015) prejudicaria o Campeonato Brasileiro, que seria interrompido em três anos seguidos. Ignora-se a obviedade de sediar a Copa América no ano seguinte ao Mundial, com estádios recém-inaugurados e o interesse do público turbinado por uma boa campanha da Seleção em 2014.

O real motivo é o projeto de poder de Marin, de Marco Polo Del Nero e de Ricardo Teixeira, exilado em sua mansão na Flórida mas extremamente ativo ao telefone e na folha de pagamento da Confederação, recipiente de R$ 120 mil mensais por “consultoria e captação de patrocínios”. Os dirigentes temem que problemas na Copa do Mundo, sejam eles de organização ou desempenho da Seleção Brasileira, esvaziem a Copa América logo depois e respinguem nos planos da entidade para os anos seguintes. Um acordo político com os chilenos – que fizeram pedidos em 2009 e 2010 para receber o torneio – para apoio em questões internas na Conmebol também estimulou a decisão.

Uma comprovação da estratégia da cúpula da CBF foi revelada pela Folha de S. Paulo na semana passada. Antes de entrar no jatinho particular, também em março, Teixeira antecipou a data das eleições na entidade. A mudança no estatuto, alinhavada com os presidentes de federações, garante que a escolha do próximo presidente da CBF se dará em abril de 2014, dois meses antes da Copa do Mundo. Sem a alteração, o pleito não poderia acontecer até o mês de setembro, depois do Mundial. Segundo a Folha, Del Nero (presidente da Federação Paulista e ideólogo da gestão Marin) foi um dos principais articuladores da antecipação da eleição, que protege o atual comando da CBF de qualquer desgaste proveniente da Copa de 2014.

Além do comovente apoio moral à Seleção Brasileira, os movimentos políticos da CBF evidenciam o desprezo da entidade pelos clubes. Os vinte clubes da Série A que fazem parte do colégio eleitoral não foram ouvidos sobre a mudança no estatuto. Mais um preço que pagam pela incapacidade de decidir o que querem.



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