COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

ÓBVIO FLU-LULANTE

É deprimente que a CBF tenha de ser convencida a entregar a taça do BR-12 ao Fluminense. Não é uma questão de bom senso, apenas. Trata-se de promover – ao invés de sabotar – um espetáculo com estádio cheio no futebol brasileiro. E brindar o torcedor do Fluminense com uma imagem simbólica.

Estimular a ocupação de estádios deveria ser prioridade da cartolagem nacional. A CBF, como organizadora do Campeonato Brasileiro, não pode se furtar a colaborar com qualquer iniciativa que aumente o interesse do público por um jogo da competição. Principalmente se o único argumento é a proteção da festa de encerramento do campeonato, quando o troféu é entregue ao clube que o conquistou. Uma festa à qual a torcida tricolor não pode ir.

É fato que o Engenhão, estádio que raramente recebe bom público em partidas do Fluminense, estaria repleto neste domingo com ou sem a presença da taça. Natural que o torcedor queira ver de perto o primeiro jogo em casa depois do título, e festejar com os jogadores. Para quem estiver lá, o retrato da conquista será o Engenhão pintado de três cores, muito mais bonito do que o Prudentão com pouca gente. Mesmo com a celebração garantida, que sentido há em diminui-la?

Em vez de investir numa tradição fria e distante do momento decisivo do campeonato, e esvaziar o que realmente importa, a CBF poderia usar o troféu do Brasileirão para incrementar jogos que podem marcar o título. Se um time se apresentará diante de sua torcida, com chance de ser campeão, a ideia óbvia deve ser oferecer ao público mais um motivo para ir ao jogo. E oferecer aos jogadores mais uma inspiração para vencer. A taça, ali ao lado do campo, à vista de todos.

E se por acaso houver outro time, ou mais, na mesma situação, no mesmo dia, que se mande fazer réplicas para criar ambientes idênticos. Medida que promoveria os jogos, enfatizando o caráter decisivo da rodada. Não faltam recursos à Confederação para encomendar as taças, os palcos, os fogos. No futebol, festa se faz em campo. No futebol, o que emociona, o que transcende, acontece no campo. No futebol, é necessário estar no campo.

O fato de um clube ter de pedir autorização para receber a SUA taça, em SUA casa, junto com SUA torcida, é indicativo de nossa miséria organizacional. Pior ainda é ver as pessoas que deveriam ter pensado e providenciado tudo se posicionarem como viabilizadores da situação.

Os jogadores do Fluminense merecem subir os degraus do túnel do Engenhão e ver o troféu que representa o esforço e a glória de um campeonato inteiro. Abel Braga merece aparecer em fotos abraçado a ele. Eles merecem a alegria de olhar para a lateral do gramado, durante o jogo, e vê-lo exposto sobre uma mesa. Merecem o bônus de comemorar um gol ao lado dele. A satisfação de erguê-lo e mostrá-lo para um estádio em êxtase. Merecem guardar a lembrança de um dia especial. E a torcida do Fluminense merece ser parte de tudo.

Quem vê algo errado neste cenário, ou prefere que a taça seja entregue outro dia, em outro lugar, não deveria mexer com futebol.



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