CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

INCOMUM

Ricardo Gomes estabeleceu-se como um sujeito diferente. Seja qual for a opinião sobre seu trabalho, que é como ele deve ser julgado por quem não o conhece, o perfil distinto da maioria transformou-se em crachá público.

Ao voltar da França em 2009, para assumir o São Paulo depois do triênio de Muricy Ramalho, Ricardo era visto quase como um treinador europeu trabalhando no Brasil. O período de quatro anos fora foi suficiente para distanciá-lo do nosso cenário comum, fazer seu rosto chamar a atenção a cada entrevista. Na dança dos técnicos por aqui, em que os clubes são paradas de um rodízio interminável, era impossível não notá-lo.

A convivência normalizou as impressões, mas não converteu Ricardo em mais um. As maneiras, as roupas, a postura e o discurso seguiram distinguindo-o, e até passaram a jogar contra ele à medida que os resultados não colaboravam. A ponto de receber os rótulos de “educado demais”, “tranquilo demais”, como se virtudes em excesso fossem, de fato, defeitos.

Ricardo perdeu o emprego no Morumbi da forma como tantos outros técnicos foram e serão devolvidos ao mercado. Mas a cada vaga aberta pela “cultura do nosso futebol”, a figura pública de um profissional que não obedece às descrições usuais levava a questionamentos sobre seu próximo trabalho. O encaixe era quase sempre improvável.

A recolocação demorou seis meses, e se deu numa situação em que as chances de sucesso pareciam desfavoráveis. Engano produzido pelo hábito de crer em aparências. As vitórias de Ricardo Gomes no Vasco nos relembraram de sua capacidade.

Até que um acidente vascular cerebral, num domingo de clássico carioca, nos alertou para a fragilidade e para a injustiça da vida. As notícias de sua evolução foram tão reconfortantes que os rumores sobre uma possível volta ao futebol soaram como irresponsabilidade, algo que não deveria ser cogitado. Para quê?

Autorizado pelos médicos a trabalhar de novo, ouvi-lo falar sobre o presente e o futuro no Vasco nos deu a resposta. E a sensação de que, num aspecto, a recuperação de Ricardo Gomes começou ontem.

ELEITOS

Os jogadores e técnicos que atuam no Campeonato Espanhol escolheram os melhores da temporada passada. Iker Casillas, Sergio Ramos e Xabi Alonso foram os eleitos que jogam no Real Madrid, campeão após três anos de domínio do Barcelona. Melhor atacante: Lionel Messi. Melhor jogador: Lionel Messi. Melhor meia: Andrés Iniesta. Melhor técnico: Pep Guardiola. Mas a verdade é que “a imprensa brasileira” baba ovo para o Barcelona, certo?

CANDIDATOS

O gol de Neymar (contra o Internacional, pela fase de grupos da Libertadores) que concorre ao Prêmio Puskas tem ótimas chances de dar ao craque santista o bicampeonato. Foi um desses lances em que Neymar comprova que seus parâmetros de velocidade são diferentes dos demais. Falcao (contra o América de Cali) e Messi (contra o Brasil) estão na briga. E se desse tempo, a bicicleta de fora da área de Ibrahimovic, ontem, também estaria.



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