COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

ASCENSOR

Quando Paulinho foi substituído, sábado à noite no Pacaembu, o Corinthians vencia o Coritiba por 5 x 1 ao final de um jogo marcado pela intensidade de seu nível de atuação. A caminho do banco de reservas, o volante, autor de dois gols, entregou a faixa de capitão ao jogador que tem o papel de determinar a temperatura interna do time.

O Corinthians tem dois capitães, de fato. A faixa pode adornar o braço de alguns jogadores, por circunstâncias que variam a cada partida. Mas as presenças que influenciam o vestiário independentemente da situação são as de Alessandro e Danilo. O lateral comanda pelo tempo de casa, por ser um dos que completaram a caminhada da Série B à conquista da América, e principalmente por ser uma figura adorada no elenco. O meia se impõe em silêncio, sem querer, pela experiência, pelo currículo, pelo exemplo. Anteontem, Paulinho usava a faixa mesmo com Alessandro em campo. Quando saiu, a entegou a Danilo, que havia entrado no jogo no segundo tempo.

A primeira goleada do Corinthians no Campeonato Brasileiro encerrou uma semana diferente. Tite costuma fazer apenas um coletivo antes de cada jogo, em campo reduzido. Normalmente são trabalhos intensos, mas sem ocorrências geradas pelo excesso de vontade. O treino da semana passada foi incendiado por Danilo, dando o tom necessário a um time que está concluindo a preparação para o Mundial de Clubes da Fifa. Uma pancada involuntária em Paulo André quase tirou o zagueiro do jogo contra o Coritiba.

Jogo que começou com Danilo no banco de reservas, sem recados ou insatisfações expostas. Além do estilo mais comedido, ele sabe que as escolhas de Tite para o time titular no Japão dependem apenas de argumentos apresentados no campo. A bola cruzada precisamente na cabeça de Guerrero, para o quarto gol, é uma das maneiras que Danilo tem para se comunicar. O abraço do peruano na comemoração confirmou o recebimento da mensagem.

No polimento pré-Mundial, o Corinthians executou um planejamento para otimizar o aspecto físico dos jogadores. O rodízio de folgas nos jogos do BR-12 ofereceu descanso, enquanto a carga de treinamento foi desenhada para levar o elenco às melhores condições no final do ano. Agora, só não está jogando quem tem problemas médicos, como Emerson Sheik. É seguro dizer que sete posições do time do Mundial estão asseguradas. As questões ficam por conta dos dois meias mais adiantados e dos dois atacantes. São sete pretendentes a quatro postos.

Tite não tem preferência pelo sistema com um atacante formal – que seria Guerrero – ou pelo esquema com o qual conquistou a Copa Libertadores. O técnico procura o time que jogue melhor, que tenha mais chances de sucesso. É justo que Sheik, pelo que já fez e se sabe que pode fazer, esteja à frente de seus concorrentes no ataque. Mas será preciso observar como ele voltará da lesão no joelho direito.

Enquanto Tite delibera, Danilo lidera. Ele ascende e acende o Corinthians, como sempre fez.



MaisRecentes

Porte



Continue Lendo

Segunda vez



Continue Lendo

Paralelos



Continue Lendo