CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

BOLA DE CRISTAL

Um cara chamado Nate Silver foi o grande vencedor das eleições presidenciais nos Estados Unidos. Ele não concorreu a nenhum cargo político, mas previu quem ganharia em todos os 50 estados do país, assim como a reeleição de Barack Obama.

Silver, 34, é economista de formação. Hoje é mais correto chamá-lo de cientista político, com ênfase no “cientista”. Ele administra um blog hospedado pelo site do New York Times (fivethirtyeight.blogs.nytimes.com), onde apresenta análises baseadas em um modelo de previsão que ele mesmo desenvolveu. Matemática, dados demográficos, resultados de pesquisas de intenção de voto e outras variantes estão reunidas num algoritmo que mexeu com a cobertura jornalística do processo eleitoral.

Enquanto as pesquisas nacionais mostravam equilíbrio entre Obama e Mitt Romney, Silver projetava a reeleição do presidente com uma probabilidade de 85%. Nos últimos dias, a grande mídia tratava do empate técnico que tornava o resultado imprevisível. Silver dizia que Obama tinha 67% de chance de vencer.

Sim, você está lendo o Lance!, um diário esportivo. E está lendo sobre análise científica de eleições porque a origem do trabalho de Nate Silver é… o esporte. Ele ficou conhecido em 2003 ao criar uma fórmula que permite projetar a carreira de jogadores de beisebol.

Se você viu Brad Pitt em “Moneyball” ou conhece o movimento baseado em novas estatísticas que revolucionou o beisebol nos EUA, saiba que Silver é um dos nomes mais importantes entre os chamados “sabermétricos”. O sistema que ele criou é aceito na MLB como um dos mais confiáveis, e gerou semelhantes modelos de projeção de desempenho para NBA, NFL e NHL.

O futebol ainda é um gigante adormecido no campo das estatísticas, razão pela qual tem despertado o interesse de gente como Silver. Em 2010, junto com a ESPN, ele desenvolveu uma fórmula para representar o potencial de seleções nacionais de forma objetiva. É um ranking de talento, que tenta olhar para a frente.

De acordo com Silver, a seleção mais forte do mundo é a Espanha. A segunda é a Argentina. A terceira é o Brasil.

PERGUNTAS

O que será que a torcida do Flamengo pensa quando ouve Patrícia Amorim dizer que cumpriu “quase todos os objetivos”? De que objetivos estaria falando a ex-vereadora? Assumir um time campeão brasileiro e entregá-lo na parte de baixo da tabela? Conquistar um título estadual em três anos? Virar as costas para Zico, o maior ídolo rubro-negro? Perder Ronaldinho Gaúcho? Transformar o time em fracasso de público? Em que mundo ela vive?

RESPOSTAS

Roberto Dinamite é apenas mais comedido nas declarações. Mas, de esperança após o longo período de trevas no Vasco da Gama, converteu-se em decepção pelas práticas que se confundem com o modelo que ele sempre criticou. A simples menção – por mais tímida que seja – da possibilidade de um retorno aos tempos em que o Vasco tinha dono, é prova suficiente do estado das coisas em São Januário. Triste revelação de quem parecia diferente.



  • Silva

    Caro André,

    Perder Ronaldinho Gaúcho? A saída dele do Flamengo foi um erro administrativo? Você o manteria no seu clube, naquele momento, sob aquelas condições?

    Eu prefiro Deco no meu Fluzão.

    Abraços.

    Hilton.

    AK: Permitir que a situação de Ronaldinho chegasse ao ponto que chegou foi um COLOSSAL erro administrativo, típico dos clubes em que não existe comando. Agora, além de vê-lo jogando no Atlético Mineiro, e bem, o Flamengo lida com o problema trabalhista que criou. Um abraço.

    • Teobaldo

      Prezado Silva, o que você prefere: Ronaldinho Gaúcho jogando no Flu a bola que ele está jogando no Galo ou o Deco jogando (jogando?) a bola que ele vem jogando no Flu?

      Prezado AK, este post está ótimo, e a frase “Permitir que a situação de Ronaldinho chegasse ao ponto que chegou foi um COLOSSAL erro administrativo, típico dos clubes em que não existe comando” poderia estar, toda ela, em caixa alta. Talvez, assim, quem sabe, os torcedores conseguissem atribuir a cada um as justas parcelas de responsabilidades neste caso.

      Um abraço!

    • Silva

      Então quando você disse “Perder Ronaldinho” se referia ao fato de “Permitir que a situação de Ronaldinho chegasse ao ponto que chegou foi um COLOSSAL erro administrativo, típico dos clubes em que não existe comando” e não de deixá-lo ir embora do clube. Agora ficou claro. Mas, dá pra entender o contrário.

      Abraços.

      AK: Mas deixá-lo ir embora do clube é parte do erro. E grande. Um abraço.

  • Willian Ifanger

    Desculpe me expressar assim, mas quando um cara é f, é f mesmo.

    • Willian Ifanger

      Obrigado pelo “piiiiiii”….hehehehehe

  • Juliano

    Ótimo, tu gosta mesmo do ‘sabermetric’, que isso possa despertar o desejo em alguém no país a trabalhar com isso. Aliás, sabe se alguém no país trabalha com isso? Em qualquer esporte. Me parece que o volei usa muito desse expediente, correto?

    As notas são sempre muito boas. Patrícia Amorim é bisonha mesmo. Ela dizer que cumpre metas parece a cúpula da CBB tapando o sol com a peneira sempre que abrem a boca para dar alguma declaração.

    Aproveitando que fala do Flamengo, qual sua opinião sobre o tal novo ranking da CBF? Achei medonho, por exemplo, o Santos com dois títulos no ano (menores, é verdade) aparecer atrás de clubes como Palmeiras (ganhou a Copa BR mas está caindo no BR’12), Flamengo (???), Vasco (??), Grêmio (ótimo momento, mas e os títulos?) e Internacional.

    Mas tudo bem, ranking não serve pra muita coisa… não muda nada na ordem do dia…

    Abraço!

    AK: Os sabermétricos nasceram no beisebol americano. Criaram, literalmente, novos conceitos estatísticos para avaliar desempenho que hoje são utlizados por quase todos os times. Alguns se interessam por futebol, justamente por ser um campo inexplorado. Mas são esportes completamente diferentes. Já escrevi algumas colunas sobre experimentações em curso, especialmente no futebol inglês. Um abraço.

    • Lucas Costa

      Sou engenheiro, e me interesso muito por esse assunto de análise de números, estatísticas etc.
      Recomendo, para quem se interessa, a leitura do livro “Super Crunchers: How Anything Can Be Predicted” do autor Ian Ayres.

      Entre diversos pontos, ele cita como é possível identificar o melhor jogador de um campeonato analisando seus números ao invés de assistir aos jogos. Também mostra como é possível identificar um bom vinho através de informações no momento da colheita da uva, sem tem que esperar 20-30 anos do processo de envelhecimento do liquido e depois fazer a analise subjetiva da degustação.

      Abraço

  • Emerson

    Será que por objetivos a vereadora não estaria se referindo a transformar seu gabinete em cabide de emprego de gente da Gávea?

    AK: Foi cumprido. Mas os eleitores do Rio de Janeiro não gostaram muito. Um abraço.

  • Também me decepcionei com o Dinamite, de verdade.
    E to com pena do Juninho.

    Mas, tudo bem, já estou me acostumando.

  • Anna

    Interessantes as estatísticas de Silver e sua análise sobre esporte. A situação do Vasco é melancólica. Estou realmente muuuito triste. Grande abraço e ótimo final de semana, Anna

  • Hey André!

    Só gostaria de compartilhar uma situação interessante que ouvi pouco antes das eleições de 2º turno em SP (amigos, por favor, não associem em nada com a situação da digníssima tratada post, hein!? Como disse, só estou compartilhando a estória):

    O vice do Serra foi entrevistado na CBN e foi-lhe perguntado se a promessa do Kassab, sobre “acabar” com a “fila das creches” foi cumprida (hoje há uma fila maior que a de antes da promessa). A resposta: sim, a promessa foi cumprida, pois a fila era de 60 mil crianças. Foram criadas 150 mil vagas, o que, na TEORIA, daria uma folga de 90 mil vagas. Só que a procura aumentou tanto (em parte pela melhora do serviço – eu tenho 2 filhos e admito que o serviço é bom, realmente), que as 90 mil de “folga” foram preenchidas e hoje há 210 mil (isso mesmo: DUZENTAS E DEZ MIL) crianças esperando por novas vagas.

    Reitero que nenhuma associação deve ser feita com a declaração da presidenta flamenguista; o exemplo é só para vocês verem que há muito coisa a se observar quando alguém dá esse tipo de declaração. A propósito, pra mim, a administração dela só não foi tão decepcionante quanto a do Dinamite.

    Abraços!

  • Leandro Azevedo

    O GM do Houston Rockets na NBA é um adepto convicto de sabermetrics no basquete, e usou muito isso para fazer a troca pelo James Harden.

  • spps

    O Ceni renovou numa negociação muito complicada kkk…
    lembrei de uma piada

    AK: Deveria ter lembrado de duas colunas que te informaram sobre o andamento das coisas.

  • Matheus

    O Dinamite foi uma decepção maior, visto que da quase ex-nobre vereadora eu não esperava nada, principalmente após o caso Zico.

    Mas lembrem-se, time que tem mecenas bancando deve se preocupar com o momento( e ele virá) em que este ilustre torcedor parar de despejar caminhões de dinheiro. Se não estiver planejando isso ficará pior que os rivais, pois é muito menor que eles.

  • Marcos Vinícius

    O maior acerto de Dinamite no comando do Vasco foi delegar funções. Não era Dinamite quem comandava o futebol,na prática era o Rodrigo Caetano,um excelente profissional,um cara que entende de futebol e de gestão administrativa. Quando Caetano saiu ficou evidente que Dinamite não controlava o clube e não comandava o futebol. Com a debandada administrativa (a maioria dos vices administrativos pediu desligamento) e o “surgimento” de Daniel Freitas o Vasco ficou sem comando,sem diretoria,sem referência fora de campo e os problemas acumularam-se. Dinamite pode ser considerado culpado por ser o presidente,por tudo que acontecer dentro do clube depender de sua chancela,mas ele não está acostumado,ou não sabe,dirigir o clube sozinho. Acho muito,muito injusto mesmo culpar Dinamite pelo que está acontecendo fora de campo com o Vasco,o homem tem boa vontade,só não está sendo bem auxiliado.

    Quanto a possível união com Eurico,o que está escrito acima é a típica colocação de quem simplesmente não leu na íntegra o que foi noticiado,pegou o básico,a parte que lhe convinha,e publicou. Não houve união entre Eurico e Dinamite,houve apoio para que o Conselho Deliberativo do clube desse respaldo ao presidente. Mas pedir que isso seja esclarecido é querer demais.

    Para aliviar…

    Os candidatos à presidência dos EUA,Obama e Romney,têm cada um sua particularidade. Obama é negro e Romney é mórmon,religião que aceita a poligamia. Se fosse feita uma fusão entre ambos,quem governaria os EUA seria o Mr. Catra.

    • Matheus Brito

      Então, seguindo essa linha, o maior erro do Dinamite foi não ter substituído o Rodrigo Caetano à altura. Dos dirigentes que saíram, só o Khoeler e o Caetano me fazem falta. Os demais não serviam para nada.

      • Marcos Vinícius

        Concordo em parte com você. Acho que o maior erro de Dinamite foi deixar todo o departamento de futebol nas mão de pessoas a quem ele,corretamente,julgava como capacitadas. O que ele não contava é que as pessoas não se prendem a instituições. Rodrigo Caetano foi para o Fluminense porque lhe foram oferecidas melhores condições de trabalho,além de um elenco melhor qualificado para ele administrar. Se Dinamite tivesse se preparado adequadamente para administrar um clube não passaria por isso. Para piorar deixou um militar com capacidade administrativa questionável. Lamento pelo que meu time passa,mas a razão não é nenhuma união fantasiosa que alguns colocam.

  • Por isto que eu disse [e publiquei] que Patricia, Tirone e Dinamite são – nesta ordem – os piores dirigentes do futebol brasileiro !

  • Raposo

    Andre,
    Só uma correção sobre o nate Silver, nos últimos dias da campanha, a vantagem do Obama aumentou para 92 por cento no blog do NYT. Ele acabou acertando todos os estados(se florida acabar mesmo democrata como parece). Na ultima eleição seu modelo tinha errado apenas um estado.
    Abraço.

    AK: Mantenho os números escritos na coluna. Um abraço.

    • Raposo

      Andre,
      O numero de 67 % nao eh correto. O minimo que O Obama teve de vantagem no modelo do Nate Silver foi de 70 %, e isso 10 dias antes da eleicao. A partir dai so aumentou. Moro nos EUA e li o blog diariamente, por isso lhe alerto. Copio um trecho do blog, post de 5 de novembro, vespera da eleicao:

      “But Mr. Romney’s chances of winning the Electoral College have slipped, and are now only about 8 percent according to the forecast model — down from about 30 percent 10 days ago.”

      Se lhe interessar ter os numeros corretos em seu blog, va la e verifique a informacao.

      Abraco

      AK: No dia 30 de setembro, às vésperas dos debates, Silver deu a Obama 85% de chance e previu o resultado do Colégio Eleitoral em 320 a 218. Uma semana antes da eleição, a diferença diminuiu mas Silver ainda projetou a vitória de Obama com chance de 67% e a liderança no Colégio Eleitoral de 288 a 250. Os números aumentaram posteriormente. Um abraço.

      • Raposo

        Sim, os numeros aumentaram posteriormente, Exatamente ” nos ultimos dias”, como voce escreveu. Reitero que mesmo apos o primeiro debate, Obama nunca teve menos que 70. De resto a coluna esta otima.
        Abraco.

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