COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

GOLEIRO NA LINHA

“Se o São Paulo conseguir se classificar, a Libertadores de 2013 será muito especial, com a presença dos três grandes times paulistas. Vai chamar muita atenção”.

Há frases que revelam com absoluta clareza como funciona a mente de um atleta. A que está acima saiu da boca de Rogério Ceni. Foi o ponto alto de uma conversa telefônica de exatos 22 minutos, bastante esclarecedora a respeito da possível renovação de contrato com o único clube que ele defendeu. Aproximando-se dos 40 anos, o que lhe importa agora é a indescritível sensação de competir por algo que não tem preço. Nada mais.

É por isso que o capitão do São Paulo repetiu, e não poucas vezes, que a extensão de sua carreira não está relacionada a valores financeiros. “Você pode acreditar em mim, não tem nada a ver com dinheiro. A partir do momento que eu decidir que vou continuar jogando, esse assunto não tem importância. Não precisamos nem falar sobre isso”, disse.

Superadas as divergências internas num clube em que quem toma as decisões importantes é apenas o presidente, falou-se durante a semana em oferecer a Rogério um aumento de 20%, além de uma vultosa premiação por cada fase alcançada na Copa Libertadores do ano que vem. “Não sei disso e não preciso de aumento ou prêmio”, contou o goleiro. “Minha posição sobre a renovação depende da decisão que eu tomar. Eu ainda não tenho essa resposta”, acrescentou. Um contrato de apenas um ano, cogitado pelo clube, não o incomoda. “Não faz sentido pensar em mais do que isso”, disse.

Rogério confirmou que, como declarou Juvenal Juvêncio, suas negociações com o São Paulo nunca duraram mais do que quinze minutos. Ele não espera maiores dificuldades desta vez, assim que se encontrar com os dirigentes para tratar da próxima temporada. “Quando eu disse (em entrevista à Fox Sports, após U. de Chile x São Paulo) que ‘ainda não tinha visto o contrato’, é porque realmente não nos reunimos. Mas isso não deve passar deste mês de novembro, eu estou muito tranquilo”, afirmou, acrescentando que está “concentrado em cumprir a nossa obrigação, que é conquistar uma vaga para a Libertadores pelo Campeonato Brasileiro, e manter as chances de ganhar um título nesse fim de ano”.

Ao final da conversa, Rogério ofereceu uma interessante leitura sobre o que seria um desejo de encerrar a carreira ao levantar o troféu da Copa Sulamericana. Ele não concorda com o conceito de “sair por cima”. “Não consigo ver uma carreira resumida em um último jogo, não penso dessa forma. Se a gente conseguir ganhar o título eu vou ficar muito feliz, mas não vou pensar em parar”.

A pergunta que ficou sem resposta, pelo menos de forma taxativa, foi sobre o que é necessário para que Rogério decida seguir jogando no ano que vem. Não parece que seja, apenas, disputar a Libertadores, algo quase garantido. Suas palavras sugerem que será preciso confirmar a impressão de que o São Paulo terá um time forte em 2013, mesmo com a saída de Lucas.

Não se trata de quanto Rogério quer ganhar. E sim do quê.



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