CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

REPLAY OCULTO

Ninguém pode fazer melhor defesa do uso da tecnologia no futebol do que os árbitros. Nenhuma defesa poderia ser melhor do que a revelada por Marcelo Damato, na edição de anteontem deste Lance!. O sistema secreto de apito eletrônico, aplicado para proteger os homens de preto de erros que podem destruir carreiras, é o grito de socorro de uma categoria ultrapassada pelo próprio ofício.

É uma lógica perversa. O que está por trás do surgimento do “observador de replays” – alguém que vê o jogo pela televisão e alerta o quarto-árbitro sobre o que realmente aconteceu em lances duvidosos – não é o perfeccionismo, a intenção de fazer a melhor arbitragem possível. É o instinto de sobrevivência, estimulado pelo temor por represálias. Árbitros sabem que um engano num lance capital pode ter sérias consequências profissionais e econômicas. Resolveram dançar conforme a música. Decidiram deixar de ser as vítimas do futebol de hoje, o jogo dos lances dissecados por câmeras modernas e ângulos privilegiados. Um jogo completamente diferente do que eles conseguem enxergar.

O mais difícil era manter o segredo, já que se trata de um recurso proibido pela regra. A eficácia do sistema foi comprovada no último sábado. Enquanto se perdia tempo no gramado, entre reclamações de colorados e palmeirenses, a informação chegou com o veredicto de gol de mão. Basta uma mensagem de texto. De repente, o quarto árbitro “viu” o lance e explica-se o que houve no Beira-Rio. A não ser que você ainda acredite em Papai Noel.

O apito eletrônico “genérico” deveria ser o foco de qualquer ação do STJD a respeito do assunto. Investigar, descobrir e divulgar como o gol de Barcos foi anulado. Desnudar a incômoda existência de um mecanismo de revisão de lances e – felizmente – correção de equívocos cometidos em campo. E punir os envolvidos. A Comissão Nacional de Arbitragem deve saber por onde começar, uma vez que o mesmo árbitro apitou dois jogos neste ano (um pela Série A e outro pela Série B) em que marcações foram alteradas por interferência externa.

OPORTUNIDADE

A Justiça Desportiva, que tantas vezes interfere no Campeonato Brasileiro por razões inexplicáveis, tem agora uma excelente oportunidade de trabalhar pela credibilidade da arbitragem de futebol. Enquanto a classe for tratada como uma sociedade secreta, que não precisa dar satisfações a ninguém, viverá sob suspeita. A questão verdadeiramente importante é explicar o que aconteceu no sábado passado e tomar medidas para que não se repita.

CRITÉRIOS

Outra providência necessária é relativa ao quarto-árbitro. Por questões econômicas, costuma-se escalar um árbitro local para desempenhar a função. Se o quarto-árbitro pode participar de decisões de jogo, os mesmos critérios de escalação do trio de arbitragem devem ser aplicados. Ou seja, ele não pode ser do mesmo estado de um dos times em ação. O fato de Jean Pierre Lima ser gaúcho apenas aumentou a polêmica de Internacional x Palmeiras.



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