COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

PAPEL PRINCIPAL

Toda história dramática, seja qual for o desfecho, tem um herói. Nas tramas maniqueístas desenhadas para confortar os angustiados, ele é o benfeitor que derrota o vilão, salva os indefesos e restaura nossa crença na humanidade. Nos enredos mais alinhados com o mundo real, é quem entrega seu esforço até a última gota, não se importa com o próprio sacrifício e, ao se ver frustrado ao fim do caminho, nos relembra de que a vida não é justa.

Ainda não sabemos como terminará a saga palmeirense em 2012. Não sabemos se o título da Copa do Brasil, conquistado no meio da temporada, será o ponto alto de um ano marcado pelo retorno à Copa Libertadores. Ou se significará um troféu de barro, insuficiente para remediar o rebaixamento para a Série B. A dúvida só se dissipará quando a história deste Campeonato Brasileiro estiver escrita. Suspense à parte, porém, já conhecemos o herói.

Hernán Barcos era um mistério quando chegou. Nem os 53 gols marcados em duas temporadas com a camisa da LDU serviram para injetar confiança na contratação do atacante argentino que, aos 27 anos, nunca tinha jogado por sua seleção. Nem a mensagem de despedida divulgada pelo presidente do clube equatoriano alertou para o tipo de jogador que o Palmeiras receberia. “Sentiremos sua falta e esperamos que volte um dia. Esta é sua casa”, escreveu Esteban Paz em seu perfil no Twitter.

Futebolistas argentinos que vivem no exterior costumam ter exemplar conduta profissional. Talvez porque a palavra “saudade” não encontre sinônimo em seu idioma. Claro que há exceções, primadonas, descompromissados, irresponsáveis. Barcos, que além de jogar no Equador, esteve no Paraguai, na Sérvia e na China, segue a regra. Mais do que com gols, conquistou os palmeirenses com sua postura.

Na semana em que o Palmeiras deu a seu torcedor um motivo para crer na salvação, não é coincidência que Barcos apareça nos melhores momentos com uma assistência e dois gols vitais. Também não surpreende que ele tenha excedido suas obrigações profissionais para servir ao clube em momento tão carente. Jogou alguns minutos em Santiago, Chile, pela seleção argentina na noite de terça-feira. Dormiu três horas e meia. Pegou dois voos, perdeu um por atraso, e chegou a Salvador pouco mais de uma hora antes da partida contra o Bahia. Deu o passe para o gol de Betinho.

No sábado, os dois gols marcados contra o Cruzeiro deixaram o Palmeiras a quatro pontos do décimo-sexto lugar. E a impressão de que, enquanto Barcos estiver em campo, o time desafiará as probabilidades e se manterá em pé. Como nenhum outro jogador palmeirense, ele personifica o sentimento de esperança que, por vezes, é só o que resta a quem não pode fazer mais do que torcer.

Os 11 gols de Barcos representam cerca de um terço do total do Palmeiras no Campeonato Brasileiro. Seu discurso de tranquilidade e confiança tem impacto proporcional no vestiário. Sua presença em campo estabelece a conexão entre um time e sua razão de ser.

Ao final, haverá lágrimas. De alívio ou tristeza. Em qualquer cenário, o Pirata será o herói.



  • Eu também me emociono quando vejo gente com caráter, com atitude, características que tomam nossa atenção por, infelizmente, serem incomuns.
    Mais ainda no futebol, porque, mesmo sendo minha paixão, é um meio que me parece vaidoso demais, pecado absolutamente dispensável.
    Hernan Bracos merece todos os aplausos pela luta.
    Não há como não torcer pela permanência do Palmeiras na elite do nosso futebol.

  • Willian Ifanger

    Belo texto André…

    Aquela primeira entrevista dele, dando um esporro no repórter que queria fazer uma brincadeirinha, deu uma noção de como ele encara as coisas. Futebol, antes de tudo, é o trabalho dele.

    Eu torço pra que o Palmeiras não caia…sou de uma geração que o rival do são paulino era o Palmeiras. Então, ficar sem jogar com eles não é legal. Que sofram, muito, mas que não caiam…hehehe.

  • Fernando

    Andre, não sou palmeirense, muito pelo contrário… sou corinthiano.
    Mas consigo analisar o time dos outros “um pouco” imparcialmente.
    E me parece que o Marcos Assunção é outro jogador que está se destacando e jogando no
    sacrifício, com o joelho estourado, a base de remédio. Acredito que se o Palmeiras escapar, o mérito de Herói deverá ser divido entre esses dois… Você não acha ?

    AK: A resposta está no texto. Sem desmerecer de nenhuma maneira o trabalho de Assunção. Um abraço.

  • Quem diria… um pirata de herói! Só no Palmeiras ou na Disney, mesmo.

    Abraço!

  • Lucas Araújo

    Sou são-paulino, mas de forma alguma quero que o Palmeiras caia. Primeiro, que é muito melhor um time com a grandeza alviverde na elite, que sempre permite grandes clássicos e emoções do que Atléticos Goianienses e afins que ficam no máximo 2, 3 anos na elite e logo somem. Segundo, que a dedicação que o time, dada as claras limitações técnicas evidentes do elenco, vem demonstrando nessa luta contra o rebaixamento é notável e serve de exemplo pra muito time que não corre risco de cair, mas que deveria demonstrar a mesma vontade que os jogadores palmeirenses demonstram. Além do Assunção, o Barcos é um exemplo de profissional: excelente no campo, na personalidade e na vontade de livrar seu clube de uma posição incômoda.

    Saudações do Tricolor Paulista e sorte ao Palmeiras!

  • Anna

    Hernan Barcos pode ser o salvador da lavoura… verde…

  • LEÃO DO MAR

    Sou santista, mas o Barcos é um cara que merece respeito, grande jogador e grande carater, não é um falso idolo p/ os palmeirenses, joga c/ honra!

  • Tiago

    Hernan Barcos exemplifica aquilo que esperamos de jogadores de futebol que ganham pequenas fortunas. Seriedade, comprometimento e raça. Vida longa ao Pirata no futebol brasileiro!

  • Fabio W.

    Que texto, André!!
    Sou são-paulino, e também prefiro o Palmeiras na série A ao invés de Barueris, Goianienses, Ipatingas da vida….. E realmente, se não cair, o herói será Barcos. Marcos Assunção foi o herói da Copa do Brasil.
    Espero eliminá-los nas quartas da CLA-13, depois o outro rival na semi….. ahahaha Abraço, mais uma vez, que texto!!

  • Francovieira

    não ha como falar q o barcos é ruim de bola ou de carater, msm não sendo porco tenho q reconhecer q ele tem méritos como jogador de futebol e goleador, trata-se sim de um ótimo atacante…

  • Rafael Travassos

    André,
    Acho o ‘modelo’ Barcos como o de um ‘Atleta Profissional’ e não de boleiro. Mesmo modelo que se encaixa o Danilo e, não comparando jogadores, mas profissionalismo, Zidane. São profissionais em que o clube pode confiar, não fazem corpo mole e não tem melindres.

  • Ele tem cojones, caráter, brio etc.

    E ele joga bem demais, é técnico, driblador (com aquela altura) e extremamente frio ao finalizar.

    Poderia dizer que seria um sonho tê-lo no Corinthians…

    … como isso não acontecerá, torço para que faça 1 dos 7 gols da Argentina (os outros 6 serão de MESSI), que eliminará o Brasil em 2014.

  • Luiz R. dos Santos

    É muito bom ter jogadores no time que se entregam, como o Marcos Assunçao e o Barcos, ese argentino faz até a gente pensar melhor neles. Sou santista, mas gostaria de ver o Palmeiras na série A, quanto mais equipes tradicionais disputando esse dificil campeonato, melhor!! Melhor para os clubes, para o futebol de um modo geral e para os torcedores. Se o Santos entregar o jogo na ultima rodada, nao ficarei magoado. ´Só espero que a diretoria do Palmeiras nao façam mais besteiras, e isso serve tambem para outros clubes, principalmente o Santos que mal preparado está aí capengando no campeonato.

  • Junior
  • Bruno

    Eu acho gozado como alguns dizem preferir que os times grandes fiquem na primeira divisão do que alguns outros ditos de segunda, ignorando certos fatos que com certeza influenciam na qualidade dos times, como rixas por mais cotas de televisão, só para citar o mais latente.

    Por sinal, parabéns ao Santa Cruz. O Mais Querido do Brasil. Mostrando que os líderes nem sempre são de primeira.

  • Hernán Barcos é o exemplo positivo que faltava ao elenco palmeirense

    O problema é que ainda faltam:

    Técnico de time grande: Kleyna é inexpressivo
    Defesa: Thiago Heleno é ruim demais, refugo do rival Corinthians
    Goleiro: Bruno não serve, o Palmeiras precisa de um goleiro que passe confiança

  • BASILIO77

    “Hernan Barcos exemplifica aquilo que esperamos de jogadores de futebol que ganham pequenas fortunas. Seriedade, comprometimento e raça. Vida longa ao Pirata no futebol brasileiro!”
    Colando do Tiago…nada mais a dizer.
    Abraço.

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