COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

AUXÍLIO À LISTA

Contam em Madri que José Mourinho soube da convocação de Kaká para os últimos amistosos da Seleção Brasileira no dia seguinte à divulgação da lista, ao chegar ao centro de treinamentos de Valdebebas. A notícia estragou o dia do treinador português, que custou a acreditar que o jogador por ele descartado até aquela altura da temporada tinha sido chamado por sua seleção nacional.

Na véspera da convocação de Mano Menezes para os jogos contra o Iraque e o Japão, Kaká tinha atuado pela primeira vez em 2012. Marcou três gols no Troféu Santiago Bernabéu, partida comemorativa em que o Real Madrid fez 8 x 0 nos colombianos do Millonarios. Antes, em cinco jogos pelo Campeonato Espanhol, dois pela Super Copa da Espanha e um pela Liga dos Campeões, o total de minutos em campo do meia brasileiro foi zero. Mourinho não o relacionou nem para o banco de reservas em três ocasiões.

O retorno de Kaká à Seleção Brasileira não fazia sentido para o técnico que o escondeu em seu clube, da forma que habitualmente se vê com jovens de extremo potencial, mas com a motivação oposta. Com futuros astros, a ideia é proteger o clube de predadores. A intenção de Mourinho era alienar Kaká. Parte de um projeto para privilegiar outros jogadores (entre eles, o croata Luka Modric, cuja transferência do Tottenham o técnico exigiu), mesmo contra a vontade do presidente Florentino Pérez, o homem que contratou Kaká e gostaria de vê-lo jogar mais.

O anúncio da lista de Mano Menezes provocou uma momentânea mudança de rumo. À procura de argumentos para se defender de um questionamento inevitável – como um jogador exilado no próprio clube pode atuar em sua seleção, especialmente a do Brasil? – Mourinho decidiu ativar Kaká. No primeiro jogo oficial depois da convocação, o brasileiro estreou no Campeonato Espanhol. Entrou no intervalo da goleada por 5 x 1 sobre o Deportivo La Coruña. Três dias depois, foi titular contra o Ajax, pela Liga dos Campeões. O Real Madrid venceu por 4 x 1, em Amsterdã, com um desempenho de máquina do tempo de Kaká.

Mourinho não deveria ter se surpreendido com a convocação. No mês passado, um dia antes de o Brasil vencer a Argentina em Goiânia, um enviado do Real Madrid esteve no hotel em que a Seleção se hospedou. Em conversa de cerca de duas horas com Mano Menezes, ele disse ao técnico brasileiro que Kaká estava treinando como nunca. Faltava-lhe apenas sequência de jogos. As informações deixaram Mano à vontade para incluí-lo na relação, principalmente num momento em que seu time se beneficiaria da presença de um jogador experiente. Como ficou evidente nas goleadas sobre iraquianos e japoneses, a Seleção fez tão bem a Kaká quanto ele a ela.

A questão agora é o retorno ao time branco. A declaração de Mano Menezes, de que “o que Kaká vive no Real Madrid é problema do Mourinho” é um retrato da situação. Negar-lhe espaço ficou mais difícil após os amistosos do Brasil. O jogo contra o Celta, neste sábado, pode oferecer informações interessantes sobre sua sequência no clube.

Já a sequência na Seleção, pelo que as últimas datas Fifa mostraram, parece garantida.



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