CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

NOVE FORA

Se o último amistoso da Seleção Brasileira nos disse algo, foi um aviso para abandonarmos um antigo costume: não haverá um centroavante formal na escalação ideal do time na próxima Copa do Mundo. A alternativa ao atacante de referência, marca da Seleção em Mundiais, se transformou em opção principal.

A “dinastia do camisa 9 (ou 11)” está chegando ao fim, pela ausência de um herdeiro que dê sequência à nobre linhagem de homens de área que o futebol brasileiro formou. Os centroavantes reinaram por um longo período: Luis Fabiano (2010), Ronaldo (2006, 2002, 1998), Romário (1994), Careca (1990, 1986), Serginho (1982), Reinaldo (1978).

A renovação da Seleção Brasileira não encontrou seu intérprete na posição. Para manter o desenho do time com essa característica, Mano Menezes teria de buscar um veterano ou apostar em Leandro Damião. Está clara a preferência do técnico por um esquema em que mais jogadores, juntos, oferecem argumentos para criar e concluir. A goleada sobre o Japão mostrou que a solução partiu dos atletas para o sistema, não o contrário.

Neymar é o centroavante no papel. Em campo, opera de outra maneira. Com Oscar como interno e Hulk e Kaká pelos lados, o Brasil criou ocasiões e fez quatro gols. A circulação ficou evidente, facilitada pelo meio de campo oxigenado por Paulinho e Ramires.

Vencer o Japão, seleção mediana, com facilidade é o que se espera de bons times. O estágio de equipe em formação – que acabou de receber Kaká de volta, muito bem – não pode prevenir o elogio. O que se viu em Breslávia foi um animador esboço, à espera de rodagem para se tornar confiável. A pouco menos de dois anos para a Copa do Mundo, com a Copa das Confederações no meio do caminho, há tempo.

A escolha pela configuração sem centroavante de referência sugere um plano B (Damião? Fred?) para situações específicas de adversário e placar. Mudança que as seleções brasileiras das últimas nove Copas não podiam fazer. O camisa 9 clássico, essa verdadeira instituição, pode ser visto no banco em 2014.

E AGORA?

O STJD absolveu o Náutico no caso da faixa em protesto contra a arbitragem. Os auditores, por unanimidade, entenderam que não havia ofensa de qualquer tipo na manifestação. Decisão que merece aplauso e impõe uma pergunta: como fica o árbitro Leandro Vuaden, que se recusou a dar início ao jogo entre Náutico e Atlético Goianiense enquanto a faixa não fosse retirada da arquibancada? É como se o abuso não tivesse acontecido?

OXIGÊNIO

O Palmeiras venceu um crucial confronto direto com o Bahia. Teve controle emocional e postura de decisão. Claro que o gol de Betinho, relativamente cedo, ajudou. A diminuição da distância para o décimo sexto lugar era condição para que o time continuasse respirando e acreditando na salvação. Ironia da tabela o encontro do Bahia com o Corinthians, na próxima rodada. Que não haja motivos para suspeitas, de nenhum lado.



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