COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

CONTAGEM

Lionel Messi está a quatro gols de Diego Maradona. Repetindo: Messi. Quatro gols. Maradona.

A aproximação acontece na lista de artilheiros da seleção argentina. Maradona marcou 34 gols em 91 jogos. Na sexta-feira, Messi fez a septuagésima-quarta atuação por seu país. Os dois gols marcados nos 3 x 0 sobre o Uruguai elevaram seu total para 30. Apenas a título de informação, a relação dos maiores goleadores da Argentina tem apenas Gabriel Batistuta (56) e Hernán Crespo (35) à frente de Diego.

É cada vez mais fútil criticar o desempenho de Messi pela seleção. Até mesmo quem apela à subjetividade e o acusa de “não sentir a camisa” se vê carente de argumentos depois de exibições como a última. Além dos dois gols e do envolvimento no tento de Aguero, Messi, capitão, atuou como um líder em todos os sentidos. Chegou ao extremo de arrumar uma pequena confusão com o zagueiro Maxi Pereira, com quem trocou empurrões e palavras impublicáveis. Incomum demonstração de humanidade de um virtuoso que costuma ignorar adversários, mesmo os mais violentos.

A torcida no estádio Malvinas Argentinas viu Messi abrir o placar contra os uruguaios no segundo tempo, com uma impressionante explosão de velocidade em espaço curto. Acionou Di Maria na esquerda e rasgou o meio da área, oferecendo-se para a tabela. Os zagueiros do Uruguai não acreditaram quando o passe do jogador do Real Madrid encontrou Messi diante do goleiro Muslera, para um leve desvio.

A jogada do segundo gol foi semelhante. Messi lançou Di Maria com uma cavadinha mas nem precisou correr. Aguero se colocou na área em posição privilegiada para definir. O terceiro foi de falta, por baixo da barreira que saltou, como Ronaldinho e Pirlo fizeram recentemente.

A manifestação do torcedor argentino em Mendoza lembrou as ovações que vemos com frequência no Camp Nou. E como Messi ainda não fez, nesta temporada europeia, uma partida tão completa como a da última sexta-feira, ignorantes em Barcelona devem estar perguntando por que ele não joga pelo clube como faz pela seleção. Talvez até questionem seu comprometimento ou o repreendam por não cantar o hino da Catalunha.

Claro que jamais alcançarão o nível de nonsense do pachequismo. Por aqui, onde Messi – como Maradona – é diminuído por ser argentino, insiste-se no mito de que “só será grande quando ganhar uma Copa sozinho” (ou quando disputar o Campeonato Brasileiro, de acordo com a mais recente sandice dita a respeito dele). Fecha-se os olhos para uma Argentina que está conseguindo dar ao melhor jogador do mundo a companhia que ele merece. Um time que parece a um acerto defensivo de se tornar uma ameaça.

Quando Messi chegar ao Brasil para jogar a Copa de 2014, só Batistuta estará entre ele e o posto de artilheiro máximo da seleção. Maradona provavelmente estará numa cabine de televisão, torcendo. Aos 27 anos, idade considerada o auge da carreira de um futebolista, Messi será um dos principais nomes do Mundial. Receberá a admiração de quem gosta de futebol e o despeito de quem acha que gosta.



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