CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

LANCE FINAL

A Agência Antidoping dos Estados Unidos divulgou ontem, em seu site oficial, o relatório completo da investigação sobre “o mais sofisticado, profissional e bem sucedido programa de dopagem que o esporte conheceu em sua história”. No mesmo dia, a USADA enviou à União Ciclista Internacional as provas contra Lance Armstrong, sete vezes vencedor da Volta da França.

O caso contra Armstrong tem os testemunhos de vinte e seis pessoas (entre elas onze ex-companheiros do americano), correspondências por email, dados científicos, registros de pagamentos feitos a médicos especializados em substâncias proibidas e análises de laboratórios. Informações que levaram a USADA a cassar os títulos de Armstrong e bani-lo do esporte.

Um dos principais depoimentos da investigação é de Tyler Hamilton, que trabalhou como “tenente” de Lance Armstrong nas temporadas de 1999, 2000 e 2001, na equipe US Postal Service. No mês passado, Hamilton lançou um livro escandaloso em que conta tudo o que fez – e o que viu Armstrong fazer – para se manter competitivo num esporte em que o doping era visto apenas como mais um aspecto da preparação de atletas.

“The Secret Race” (“A Corrida Secreta”) é desses livros que fazem com que deixemos de dormir, ou de cumprir certas obrigações, até chegarmos à última letra. Uma janela aberta para o culto da vitória a qualquer preço. Deprimente relato de uma era em que todo tipo de substância ilegal era usado por ciclistas que não se importavam com os riscos e, acima de tudo, não tinham dificuldades para iludir os controles antidopagem.

Hamilton afirma ter visto Armstrong usar EPO, testosterona e fazer transfusões de sangue em quartos de hotéis e até dentro do ônibus da equipe. Descreve o heptacampeão do Tour como um obcecado por novas maneiras de levar vantagens sobre seus adversários. Conta como o astro, protegido por dirigentes, conseguiu fazer pelo menos um teste positivo desaparecer.

Lance Armstrong se diz perseguido e injustiçado. O mundo está contra ele, literalmente.

OPINIÃO

Armstrong já gastou uma fortuna com advogados e outra, ainda maior, com uma empresa de relações públicas que cuida de sua imagem, basicamente divulgando meias verdades sobre sua inocência. Ele tem fortes conexões no mundo corporativo e antigos aliados no meio ciclístico e na imprensa especializada. Aposta que a opinião pública já decidiu o que pensa a respeito. Há quem não acredite que ele tenha se dopado, e quem não se importe.

FATO

Dos últimos nove campeões da Volta da França, cinco testaram positivo e foram suspensos por doping ou confessaram o uso de substâncias proibidas. Três antes da “era Armstrong” e dois depois. Ou seja, mesmo sem o conhecimento dos testemunhos contra ele, a probabilidade de Armstrong ter vencido – sete vezes seguidas – só com cereais matinais e isotônicos era mínima. Objetivamente, a história era muito boa para ser verdade.



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