COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

AMPULHETA

O maior desafio de um treinador, ao assumir um time em mau momento, se apresenta algum tempo depois do impacto de sua chegada. As primeiras partidas normalmente mostram que uma parte do problema era a relação dos jogadores com o técnico anterior. A troca no comando elimina o desgaste e dá início a uma nova etapa. Renova o ambiente, para satisfação dos descontentes. As inevitáveis mudanças na escalação ou na forma de jogar surgem como acertos ao produzirem resultados melhores.

As três vitórias do Palmeiras sob a orientação de Gilson Kleina exemplificam a situação. Revelaram um time reenergizado, disposto a começar de novo. Nos dois jogos pelo Campeonato Brasileiro (contra Figueirense e Ponte Preta), o Palmeiras fez gols cedo, vibrou, ganhou com o tipo de postura que permite ao torcedor voltar a confiar. A derrota para o São Paulo foi a lembrança de que as coisas não são tão simples. E de que o tempo não joga a favor de um time que substituiu seu treinador na parte final de um campeonato.

A narrativa que conduziu ao clássico enfatizou o clima de decisão. Jogos que valem mais do que os pontos costumam influenciar as trajetórias dos envolvidos. Respeitadas as distâncias entre seus objetivos, os dois times sabiam que o sábado era crucial. Os erros cometidos pelo Palmeiras foram típicos de um time sob nova direção.

Kleina investiu numa improvável parceria entre Valdivia e Daniel Carvalho, dois jogadores que exigem um plano de contingência quando estão em campo. O técnico palmeirense também acreditou num sistema de marcação que falhou desde os primeiros minutos. Medidas arriscadas que cobraram um alto preço e ajudaram a explicar o total domínio do São Paulo na goleada que poderia ser maior.

Todo trabalho de emergência sofre com a obrigação de antecipar estágios. É preciso lançar mão de variações e ideias não treinadas, testando uma margem de erro que já não é generosa. Kleina – como qualquer outra pessoa em seu lugar – se ressente por estar começando a conhecer o que tem em mãos. A necessidade de pontuar mantém a pressão no nível mais alto.

O empate com o Grêmio, na vigésima-primeira rodada, foi o último resultado inesperado do Palmeiras. Em casa, jogou com vantagem numérica e não conseguiu fazer um gol. As derrotas para Atlético Mineiro e Vasco, ambas fora de casa, e nos clássicos contra Corinthians e São Paulo refletiram as diferenças entre os times e o que se viu em campo. Assim como as vitórias sobre Figueirense e Ponte Preta. O problema é que, com dez rodadas para somar pelo menos 18 pontos, o time precisará de um desempenho bem superior ao que mostrou até agora.

O jogo contra o Coritiba revelará como a goleada de sábado foi absorvida. Valdivia, Juninho, Artur e Barcos não estarão em Araraquara. As rodadas seguintes reservam um giro pelo Nordeste, com visitas a Pituaçu e Aflitos. Estádios em que, atualmente, um ponto deve ser comemorado. O Palmeiras terá de fazer mais.

Precisará substituir a indolência (caracterização feita por Kleina) por uma excelência inédita no campeonato.



MaisRecentes

Porte



Continue Lendo

Segunda vez



Continue Lendo

Paralelos



Continue Lendo