CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

SUBMERGINDO

Há vários lugares onde se pode encontrar mergulhadores. O gramado de um campo de futebol não deveria ser um deles. Mas não há um jogo em que não os vejamos em flagrante tentativa de ludibriar a regra, a arbitragem e a torcida.

A grande área e proximidades são as regiões prediletas. Faz-se mais, em termos de criatividade, para conseguir uma falta de graça do que para construir um lance de gol. A chegada de um marcador é a senha para atuações que têm o mesmo nível de realismo dos filmes de Dolph Lundgren. Mas a missão do mergulhador do futebol é bem mais fácil: ele só precisa convencer uma pessoa.

Jogadores que se atiram para cavar faltas são produtos de um ambiente que não se importa com a virtude. O que interessa é o objetivo. Como chegar a ele é coisa para otários. A vitória sem mérito – vazia em essência – fica até mais saborosa quando envolve a transgressão. O árbitro é a maior vítima: ou o mergulho o induz ao erro, ou induz a torcida a pensar que ele errou.

De vez em quando ainda vemos, felizmente, um mergulhador ser punido pelo próprio jogo. A malandragem passa pelo crivo do juiz, mas não pelo tribunal que ainda opera lá dentro, entre os iguais, para manter a ordem. Uma ameaça é suficiente para que a farsa não se repita.

O problema é que ganhar a qualquer custo tem maior poder de sedução. Como o árbitro é um só – e muitas vezes está longe – a confiança na impunidade estimula o risco. Se tudo sair ao contrário do que foi planejado, a pena será um reles cartão amarelo.

A NBA, liga em que as regras acompanham a evolução na dinâmica do jogo, decidiu agir contra as encenações. Na próxima temporada, tentativas de enganar os árbitros serão punidas com multas acumulativas que podem chegar a 30 mil dólares. A partir da quinta punição, atletas serão suspensos.

A liga de basquete profissional usará o recurso de vídeo para identificar “qualquer ato que pareça ter a intenção de levar o árbitro a marcar uma falta”. O sindicato dos jogadores promete questionar a medida na Justiça.

INVASORES

A invasão da sede da Confederação Brasileira de Desportes no Gelo por funcionários do Comitê Olímpico Brasileiro (revelada pela ESPN Brasil) mostra que o COB não tem preferência por delitos eletrônicos. O Comitê de Nuzman copia arquivos confidenciais de ingleses com a mesma naturalidade que arromba o escritório de uma de suas filiadas. E o ministro Aldo Rebelo a tudo assiste, sem fazer nada. Diz que fiscalizar o COB não é papel dele.

SIMULADORES

Se fiscalizar o Comitê Olímpico Brasileiro, um organismo alimentado por verbas públicas, não é papel do Ministério do Esporte, a questão passa a ser a razão da existência do ministério. As denúncias contra os antecessores de Rebelo, Agnelo Queiroz e Orlando Silva, nos dão uma razoável ideia da resposta. Mas certamente há mais. O ministro poderia elaborar melhor. Ou será que ele acha normal ver o COB envolvido em gatunagens?



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