COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

MEXAM-SE

Mano Menezes falhou na tentativa de socializar o prejuízo dos clubes brasileiros com a última lista da Seleção. O critério de um convocado por time vale para Vasco, Botafogo, Grêmio, Internacional, São Paulo, Corinthians, Fluminense e Atlético Mineiro. Não vale para o Santos, que cedeu cinco jogadores para os amistosos contra Iraque e Japão. Como disse Muricy Ramalho, Neymar é 50% do time santista (claro, sem contar o goleiro).

É fácil descobrir a diferença entre os dois Santos que existem hoje. Com Neymar em campo, o desempenho em termos de pontos conquistados é quase três vezes melhor do que sem ele. Outro ângulo: quando Neymar joga, o aproveitamento do Santos é superior ao do líder do BR-12; quando não joga, é inferior ao do lanterna. Neste Campeonato Brasileiro, a Seleção o tirou de 17 das 26 rodadas. Não há no futebol brasileiro (talvez em nenhum lugar) um jogador com tal capacidade de transformar seu time, o que diz tanto a respeito de Neymar quanto a respeito do Santos.

O drama é tamanho que o clube decidiu fazer algo incomum: pediu adiamento de dois jogos do campeonato. Normalmente, a solicitação é feita quando três ou mais jogadores são convocados. Mas como Neymar vale por cinco, e jogou quase duas vezes mais pela Seleção do que por seu time no ano, o Santos apelou à boa vontade da CBF.

O ponto a que as coisas chegaram é trágico. Neymar é um jogador quase icônico no momento. Não se imagina a Seleção Brasileira sem ele, mesmo que tenha pouca idade e um longo aprendizado até a Copa do Mundo e, depois, na sequência de sua carreira – provavelmente – na Europa. De forma que quando o Brasil joga, Neymar precisa estar presente. Por razões técnicas, esportivas e comerciais. Mas o clube que o paga, e que precisa dele mais até do que a Seleção, vive se despedindo como se seu principal jogador não lhe pertencesse. A única opção é fazer cara de choro e tentar ganhar uma folga, ou mais.

Única opção? Poderia ser diferente, lógico. Se os clubes brasileiros se posicionassem sobre temas como calendário de competições e quantidade de jogos da Seleção, a queda de braço não duraria muito tempo. Pensando mais longe, se os clubes conseguissem se entender para organizar os próprios campeonatos, teriam condições de resolver os problemas que os prejudicam ano após ano. Datas, duração de torneios, frequência de convocações… tudo. Clubes de futebol possuem todos os argumentos: a camisa, os jogadores, a relação com o público, o produto, a paixão. Falta-lhes a coragem para ocupar seu lugar, dizer não, construir um ambiente que faça sentido.

Se a Seleção Brasileira joga demais e faz com que os torcedores sintam-se saqueados, é porque os clubes permitem que a CBF trabalhe como preferir para satisfazer os interesses dela. O antagonismo que hoje se observa tem origem na subserviência de quem pode evitá-lo.

Grandes oportunidades foram perdidas na última eleição no Clube dos 13 e na recente troca de comando na CBF. Os clubes podem fazer mais do que reclamar.



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