MILAGRE NO ENGENHÃO?



Foi muito difícil?

Não pode ser. Um jogo do Flamengo, em casa, com mais de 30 mil pagantes, não pode nos chamar a atenção. Não pode ser motivo de elogios. Não pode ser a exceção.

Muitos fatores explicam os 34.116 ingressos vendidos para Flamengo x Atlético Mineiro (2 x 1: Vagner Love, Jô e Liedson), no Engenhão.

É o mesmo estádio que vive quase às moscas na maior parte do tempo. Há várias teses para tanto: localização ruim, transporte idem, horário complicado, novela boa, pay-per-view, sol na cara… escolha quantos quiser.

Quase 40 mil pessoas estiveram lá ontem.

O Engenhão não mudou de coordenadas. Não se desenhou um plano de guerra para mover a multidão e depois levá-la para casa. O jogo aconteceu às 22 horas e o capítulo da novela foi ao ar normalmente (Jorginho contou a Tufão que a galhada é grande, se você ainda não sabe).

Mesmo assim, o público foi o que foi.

Deve-se considerar o deleite do torcedor rubro-negro ao ver seu time derrotar Ronaldinho Gaúcho. O reencontro deu à torcida do Flamengo uma razão a mais para ir ao jogo. Mas o estímulo extra não teria sido capaz de criar o ambiente que se viu, não fosse a promoção de ingressos.

Bilhetes mais baratos facilitaram a decisão do torcedor. Essa é a obrigação do dirigente.

E não deveria ser tão complicado relacionar um estádio pulsante ao desempenho do time. Dorival Júnior classificou a atuação do Flamengo como “a primeira partida convincente” sob comando dele.

Não é coincidência.

Um estádio cheio de gente não ganha jogo para time algum. Mas interfere na postura dos jogadores em campo. Sobre o time, não se pode afirmar que rever Ronaldinho teve o caráter estimulante que percebemos no torcedor. As coisas não funcionam assim.

O que contribuiu para a atitude vibrante dos jogadores foi pisar no gramado e notar a quantidade de gente que lá estava.

O maior desafio do futebol brasileiro é colocar pessoas nos estádios. O papel de quem toma decisões em nome dos clubes é criar todas as condições possíveis para que o torcedor vá ver seu time.

O plano A é um estádio confortável, de fácil acesso, com áreas para todos os bolsos, alimentado semanalmente por um programa de sócio torcedor. Não é preciso ser um visionário para chegar a essa conclusão.

Mas pensando no grande esquema das coisas, o Campeonato Brasileiro ainda está longe desse tipo de configuração para a maioria. Não fosse assim, o índice de ocupação dos estádios seria muito mais alto.

O que fazer? Esperar a Copa do Mundo entregar arenas que não saberemos como lotar? Burrice, mesmo porque os estádios do Mundial não atenderão a todos.

Os clubes do Rio de Janeiro, por exemplo, lamentam não ter o Maracanã, onde o torcedor “gosta de ir”. Ao Engenhão, “ninguém gosta”.

Como explicar, então, o público de ontem?

Foi muito difícil?

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Em tempo: o adiamento do jogo foi prejudicial ao Atlético Mineiro, que enfrentaria o Flamengo num momento diferente. Se a questão importante era preservar o gramado do Engenhão, que a partida fosse realizada em outro lugar, mas na data prevista.



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