CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

O TATU E A BOLA

O nome dela era Tango. Rolava, de pé em pé, nos gramados da Espanha, em 1982, como protagonista da formação futebolística de uma geração. Gente do naipe de Platini, Maradona, Rummenigge, Antognoni, Sócrates, Zico e Falcão a tratava como uma rainha. Branca, com triângulos negros estilizados nos gomos, era também um sonho de consumo. Tê-la era motivo de orgulho. Ver seu couro se desgastar numa rua asfaltada e sem saída, uma dor irresistível. Para quem viveu isso, tango não é um gênero musical. É uma bola.

Os tempos e o mundo mudaram demais. Depois da Azteca, da Etrusco, da Questra, até da Jabulani, a Copa de 2014 apresentará a Brazuca ao planeta. Um nome que discorda do idioma e não tem nada a dizer. Alguém aqui seria capaz de se relacionar com o termo? A Fifa informou que nós, brasileiros, usamos a palavra para “descrever o orgulho pelo estilo de vida do país”. Há algo errado.

Consta que questões comerciais impediram que a bola da Copa no Brasil se chamasse, por exemplo, Samba. Mas não há como explicar por que não se usou o exemplo sul-africano. Jabulani quer dizer “celebrar”, em zulu. Nós temos o tupi-guarani e inúmeras possibilidades de chegar a algo que carregasse significado. O único mérito de Brazuca é não ser pior do que as outras opções, Bossa Nova e Carnavalesca.

Mas como não há nada como um nome após o outro, o tatu entrou na conversa. A engenharia empregada para batizá-lo é prova de genialidade: Fuleco é mistura de futebol e ecologia (e esse “L”, o que faz aí?); Zuzeco é encontro de azul e ecologia (a insistência é pedido da Fifa, preocupadíssima com o meio ambiente); e Amijubi é o casamento de amizade e júbilo. De acordo com publicitários brasileiros contratados para sugerir os nomes, júbilo é uma característica do nosso povo. Mascote da Copa, o tatu-bola certamente optaria pela anonimidade.

Novamente, problemas de registro levaram a soluções criativas para nomear o tatu. Tão ridículas que, perto delas, Brazuca faz todo o sentido. Em algum lugar, a Tango chora. E o Naranjito ri.

MISSÃO

O nome e o currículo de Gilson Kleina pouco importam diante da magnitude do desafio. Salvar um clube como o Palmeiras do rebaixamento, em 13 rodadas, é uma enorme exigência para qualquer treinador. Sem tempo para errar, será necessário produzir pelo menos 24 pontos em 39 possíveis. Um desempenho de 61,5%. Número que, ao longo de um campeonato inteiro, leva um time a disputar o título. Inegável: Kleina mostrou coragem.

FILME

Jogar pela primeira vez uma partida de Liga dos Campeões deve estar no imaginário de um jovem futebolista. Estrear com dois gols, entre eles uma obra de arte, supera até os sonhos mais otimistas. O Chelsea permitiu o empate (2 x 2) à Juventus, ontem em Londres, mas a atuação de Oscar foi impecável. Gol magistral, o segundo. Pelo raciocínio instantâneo, o drible venenoso e o chute de cinema. Uma estreia para não esquecer.



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