COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

“O SOBRINHO DO DUDU…”

O Palmeiras liderava o Campeonato Brasileiro de 2009, parecia destinado a um momento de redenção. O técnico era Muricy Ramalho, então tricampeão nacional. O time era bom no papel e no gramado. A diretoria se esforçou para protegê-lo e, no momento oportuno, fortalecê-lo. Não só foi capaz de se defender do assédio a jogadores desejados por times europeus, no meio da temporada, como atacou a deficiência que poderia comprometer o plano de um fim de ano feliz. Quando era claro que o time estava a um bom centroavante de se distanciar definitivamente da concorrência, Vagner Love foi contratado por empréstimo.

Love chegou da Rússia no final de agosto. Leitura geral: o campeonato acabou. Cerca de três meses depois, o Palmeiras terminaria o Brasileirão cinco pontos abaixo do primeiro lugar, classificado para a Copa Sul-Americana. Perdeu o rumo definitivamente na antepenúltima rodada, quando foi derrotado pelo Grêmio, em Porto Alegre, na noite em que Maurício e Obina brigaram em campo. Dois jogos mais tarde, a Libertadores também estava fora do alcance.

No futebol, até mesmo quando se faz o que deve ser feito, as coisas podem não acontecer. O sucesso depende de uma combinação de eventos que não está escrita em lugar nenhum. Mas quando se exagera nos equívocos, o desastre se apresenta como um hóspede indesejado. Bate à porta, entra e se recusa a ir embora. A responsabilidade é de quem toma decisões.

Quem conversa com Arnaldo Tirone sobre futebol e a rotina do clube que ele comanda tem, geralmente, uma sensação parecida: o presidente do Palmeiras vive numa realidade virtual. A distância se materializa em perguntas, comentários, observações que trafegam entre a desinformação e o desinteresse.

Como a ocasião em que Tirone se encontrou com Mazinho, durante um recente torneio internacional de categorias de base do qual o Palmeiras e o Barcelona participaram. Ao cumprimentar o ex-jogador, Tirone perguntou o que ele fazia ali. Mazinho respondeu que Rafael, seu filho, estava jogando a competição. “Que bom. Pelo Palmeiras?”, perguntou o dirigente.

Ou a reunião em que se discutiram opções para uma eventual saída de Felipão, no ano passado. Entre os vários nomes de treinadores comentados, Tirone expressou sua preferência “pelo sobrinho do Dudu. Aliás, ele está empregado?”. Os participantes sentiram-se obrigados a dizer que a pessoa em questão se chamava Dorival Júnior, então técnico do Internacional.

Um encontro com um empresário de jogadores, numa mesa de canto de um restaurante paulistano, também é ilustrativo. O agente passou o tempo todo sugerindo nomes de jogadores, para ver se alguém colava. O problema é que Tirone não conhecia nenhum. Cada nome era seguido de uma ligação telefônica. “Não, esse aí não interessa”, ele repetia. À certa altura, o presidente palmeirense perguntou sobre “Bernardo, do Atlético Mineiro”. Ouviu que não havia nenhum Bernardo no clube de Minas, mas sim Bernard. O empresário explicou que “Bernardo é o do Vasco”.

“E ele é bom?”, perguntou Tirone.



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